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Entrevista – Nonato Lima fala de identidade musical e reconhecimento internacional

26 out 2025 | Entretenimento

Por Julia Valentim

Em conversa com a Plataforma MT, sanfoneiro, cantor e compositor ressalta
momentos marcantes da carreira e orgulho de ser cearense
Nonato Lima é um dos maiores sanfoneiros do país (Foto: Reprodução/Instagram)

Nonato Lima tem ritmo nos dedos e música nas veias. O artista, que começou a tocar sanfona quando criança por influência do pai, é, hoje, uma das maiores referências quando se trata do instrumento – dentro e fora do Ceará. Seja em parcerias com grandes artistas (a lista é longa!), seja em apresentações solo, Nonato transforma melodia em mágica, contagiando públicos em festivais nacionais e internacionais com o entoar da sanfona.

Em um ano agitado – com direito à turnê pela Europa, hit de São João com participação especial de Ivete Sangalo e presença ilustre no maior festival de acordeon do mundo -, Nonato segue em movimento, levando a cultura cearense por onde passa. Em entrevista exclusiva à Plataforma MT, o artista fala sobre suas inspirações, o reconhecimento internacional e o legado que quer deixar para a música brasileira.

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Plataforma MT (PMT): A sanfona faz parte da sua vida desde a infância. Quais foram as suas referências no processo de se tornar músico e como elas influenciaram a sua carreira?

Nonato Lima (NL): Minha maior influência veio de casa. Meu pai é sanfoneiro, e foi com ele que comecei a me encantar por esse instrumento. Ele trazia discos de grandes mestres como Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Sivuca, Chico Justino, Maestro Chiquinho, Oswaldinho e César Abianto. Fui crescendo ouvindo esses artistas e me apaixonando cada vez mais pela sanfona – gostava tanto que, quando cheguei aos 14 ou 15 anos, já tinha um repertório enorme. Quando eu aparecia para tocar nas rodas de música, o pessoal ficava impressionado com o tanto de coisa que eu já tocava. Foi uma fase muito bonita da minha vida.

PMT: Você coleciona parcerias com grandes artistas da música brasileira. Para você, qual a parceria mais emblemática da sua carreira? Tem algum artista com quem você nunca trabalhou que gostaria de trabalhar?

NL: Ao longo da minha carreira, tive a oportunidade de dividir o palco com grandes nomes da música instrumental e popular, como o acordeonista francês Richard Galliano, Yamandu Costa, Hamilton de Holanda e Hermeto Pascoal. Entre os cantores, já estive com artistas incríveis como Ivete Sangalo, Fagner, Elba Ramalho e Padre Fábio de Melo. [Mas] Um dos momentos mais marcantes da minha trajetória foi acompanhar Dominguinhos em seu último São João, em alguns shows. Nós ainda tínhamos planejado gravar juntos, mas infelizmente não deu tempo. Mesmo assim, poder ter convivido e tocado ao lado dele foi uma honra imensa. Ainda quero muito poder dividir o palco com artistas como Gilberto Gil, Djavan e Pat Metheny. Não custa nada sonhar, né?

PMT: Recentemente, você foi convidado a participar do júri do PIF Castelfidardo 2025. Como o convite chegou até você? Como foi a experiência em solo italiano?

NL: Em 2018, fiz minha primeira turnê pela Europa e, depois disso, vieram as sequências de 2023, 2024 e 2025. Em 2024, recebi um convite para participar do PIF Castelfidardo, na Itália. No ano anterior, eles já haviam me convidado pelo Facebook, mas acabei não vendo a mensagem e perdi o evento. Desta vez, me ligaram diretamente, e deu tudo certo. Fui convidado como artista solo e também como jurado do festival mais importante do mundo do acordeon. Foi uma honra imensa representar o Brasil — e, mais uma vez, ser o único cearense presente em um evento desse nível. Espero que, um dia, as pessoas e as autoridades do meu estado reconheçam mais a relevância do artista que têm em casa, e percebam o quanto somos respeitados e queridos em outros estados e fora do país.

Artista lançou música com participação especial de Ivete Sangalo (Foto: Reprodução/Instagram)

PMT: A sua música “Bateu Saudade” acabou de ser indicada ao Prêmio Claro Música na categoria Melhor Música de Forró/Piseiro. O que esse reconhecimento significa para você?

NL: Soube ontem, através da minha gravadora, da indicação da música ‘Bateu Saudade’ ao Prêmio Claro Música, e fiquei imensamente feliz. Ver uma composição minha ganhando essa notoriedade, ao lado de artistas da grande massa, é uma vitória. Só de estar ali já me sinto realizado, não só por mim, mas pelo meu estado, pelo Nordeste e pela bandeira que sempre carrego, que é o forró. Agora é hora de votar e, se Deus quiser, trazer esse prêmio pro Ceará!

PMT: Em novembro, você ministra o curso “Os Segredos da Linguagem Nordestina”. Qual a maior satisfação de compartilhar a sua experiência com novos músicos?

NL: Quando se fala em sanfona, muita gente me procura, e poder compartilhar um pouco da minha experiência com outros sanfoneiros e ver o progresso deles é, sem dúvida, a minha maior felicidade. Esse projeto [“Os Segredos da Linguagem Nordestina”] nasceu justamente dessa troca, desse interesse que encontro em todo lugar por onde passo. Em cada viagem, em cada festival, percebo a curiosidade das pessoas em aprender o nosso estilo, entender o jeito nordestino de tocar. Esse curso vem para atender esse público e ajudar muita gente a mergulhar mais fundo nessa linguagem tão rica e única.

PMT: Qual legado você quer deixar para a música brasileira e para cultura nordestina?

NL: O legado que quero deixar é o de valorização da nossa cultura nordestina, mostrando que ela é rica, sofisticada e tem espaço em qualquer palco do mundo. Quero que as próximas gerações de músicos, especialmente os sanfoneiros, sintam orgulho das suas raízes e saibam que podem alcançar o mundo sem deixar de tocar o que é nosso. O forró, o baião, o xote, o xaxado, tudo isso faz parte da nossa identidade, e é essa força que desejo preservar. Ainda quero ver meu nome sendo lembrado nos quatro cantos do mundo, com as pessoas dizendo: “foi esse cearense que fez isso”. Esse é o sonho e o propósito que me movem todos os dias.

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