18 set 2026 | MT Acontece
Resultado foi apresentado durante simpósio em Fortaleza, que reuniu autoridades, pesquisadores e profissionais de saúde para discutir prevenção e combate ao câncer do colo do útero

A cobertura vacinal contra o HPV avançou no Ceará no primeiro semestre de 2026. Nos nove municípios acompanhados pelo Movimento Juntos contra o HPV que tiveram dados consolidados, o índice passou de 80% em janeiro para 90,5% em junho, um crescimento de 10,5 pontos percentuais.
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Os números foram apresentados nesta sexta-feira (18), durante o I Simpósio do Movimento Juntos contra o HPV: Resultados, Desafios e Perspectivas, realizado na Universidade Estadual do Ceará (UECE), em Fortaleza. O encontro reuniu gestores públicos, pesquisadores, profissionais da saúde, representantes de universidades e organizações nacionais e internacionais.
Ao todo, o projeto atua em dez municípios cearenses: Caucaia, Itapajé, Tejuçuoca, Pentecoste, Apuiarés, General Sampaio, São Gonçalo do Amarante, Paracuru, Paraipaba e São Luís do Curu. O recorte apresentado no simpósio considerou nove cidades, sem Caucaia.
Cinco municípios já chegaram individualmente à marca de 90% de cobertura: São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu, General Sampaio, Tejuçuoca e Paraipaba. O avanço, no entanto, apresenta diferenças entre meninas e meninos.
Entre as meninas, sete dos nove municípios alcançaram ou ficaram próximos dos 90%. Entre os meninos, quatro chegaram ou se aproximaram desse patamar. De acordo com os dados apresentados, ampliar a vacinação do público masculino é um dos principais desafios para elevar os índices gerais.
A vacina contra o HPV é disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Em 2026, o Ministério da Saúde também adotou, de forma temporária, uma estratégia voltada a adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que ainda não completaram o esquema vacinal, com possibilidade de atualização até dezembro.
Para a médica Herla Maria Furtado Jorge, presidente do simpósio, os resultados refletem a atuação conjunta de diferentes setores.
“Chegar neste patamar de cobertura vacinal mostra que estratégias articuladas entre gestão pública, profissionais de saúde, universidades e sociedade civil podem produzir resultados concretos. Ao mesmo tempo, os dados nos mostram onde precisamos avançar. O simpósio é esse espaço para olhar para os resultados, reconhecer os avanços e discutir os próximos passos”, destacou.
Investimentos na oncologia
A programação também abordou o cenário da assistência ao câncer no país. Durante o encontro, o secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Júlio Tabosa Sales, informou que mais de R$ 2,2 bilhões serão destinados ainda em 2026 à assistência oncológica, incluindo a ampliação do acesso a 23 medicamentos de alto custo.
O secretário também apresentou informações sobre o orçamento do SUS e a estrutura disponível para diagnóstico e tratamento de doenças oncológicas. Segundo os dados apresentados, o sistema possui orçamento de aproximadamente R$ 270 bilhões e conta atualmente com cerca de 80 tomógrafos no país.
A abertura do simpósio contou com representantes de diferentes instituições e órgãos ligados à saúde pública. Entre os participantes estiveram representantes da UECE, COSEMS-CE, Ministério da Saúde, Programa Nacional de Imunizações, Universidade Federal do Ceará (UFC), Secretaria da Saúde do Ceará e Grupo Mulheres do Brasil.
Também participaram Annette Reeves de Castro, cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil e vice-presidente do simpósio; Diana Cristina Silva de Azevedo, vice-reitora da UFC; Tânia Mara Silva Coelho, secretária da Saúde do Ceará; e Janette Vaz, cofundadora do Grupo Sabin e líder do Grupo Mulheres do Brasil no Distrito Federal.
A agenda científica reuniu ainda especialistas e pesquisadores ligados à imunização, oncologia, políticas públicas e prevenção, com representantes de instituições como Universidade de Oxford, UNICEF e Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Criado em 2022, em Recife, o Movimento Juntos contra o HPV nasceu de uma iniciativa voluntária do Grupo Mulheres do Brasil voltada à informação e conscientização sobre o vírus.
No Ceará, a iniciativa chegou em 2024 e passou a integrar o projeto Unidos pela Eliminação do Câncer do Colo do Útero no Brasil, financiado pelo BNDES e pela Umane e gerido pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS).
A atuação nos municípios envolve poder público, universidades, profissionais de saúde, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias em ações de vacinação, educação em saúde, rastreamento e mobilização. Os resultados apresentados em Fortaleza devem orientar os próximos passos da iniciativa, com foco na manutenção dos índices alcançados e na ampliação da cobertura entre os diferentes públicos.
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