21 set 2026 | MT Acontece

A arte contemporânea ganha novos contornos com a chegada de “Arqueologia da superfície”, primeira exposição individual em São Paulo da artista cearense Cristina Vasconcelos. A mostra será inaugurada no dia 10 de outubro, na plataforma de arte contemporânea ORA, com curadoria de Lucas Dilacerda.
LEIA MAIS >> Com foco em economia global e ESG, Fórum IEP de Sustentabilidade chega à 19ª edição
Tissiana Studart e Manuela Macedo celebram aniversário com festa na Lagoa do Uruaú
Reunindo aproximadamente 20 trabalhos, entre instalações, pinturas, esculturas, vídeos, assemblages e obras sonoras, a exposição apresenta parte da pesquisa desenvolvida por Cristina ao longo de uma década. A artista constrói uma narrativa que desloca o olhar da figura humana e convida o público a observar a matéria, o tempo e os vestígios deixados pela existência.
Barro, vidro, ferrugem, areia, grafite, concreto, aço inox, látex oxidado, resina, silicone, porcelana fria e pigmentos minerais estão entre os elementos utilizados pela artista. Em suas mãos, materiais cotidianos passam a funcionar como registros de transformações, memórias e diferentes possibilidades de existência.
A própria expressão que dá nome à exposição define também o método de trabalho de Cristina: investigar as camadas da realidade e encontrar, na superfície das coisas, sinais de histórias que permanecem ocultas. Suas obras sugerem paisagens de um mundo em que a presença humana pode ter desaparecido, seja em um passado remoto ou em uma hipótese de futuro após grandes transformações.
“Quero que o público perceba que há uma sabedoria silenciosa na matéria, que o mundo fala, mesmo quando parece devastado. Vivemos um tempo de velocidade e saturação de imagens; minha proposta é ir na contramão disso, propor uma pausa, um ressignificar, um encontro com o silêncio e com o invisível”, afirma Cristina.
Para o curador Lucas Dilacerda, a produção da artista estabelece uma espécie de comunicação entre diferentes tempos e territórios. “A artista opera como uma sismógrafa, captando vibrações do tempo e do espaço, nos enviando mensagens que não se traduzem em palavras, mas em imagens que oscilam entre o sublime e o espasmo, entre o espiritual e o geológico”, pontua.
A exposição propõe, assim, uma experiência de contemplação e escuta, aproximando arte, natureza e matéria em um momento marcado por discussões sobre os impactos ambientais e as transformações do planeta.
Com a estreia de Cristina Vasconcelos em uma individual na capital paulista, a ORA também amplia sua programação dedicada à produção contemporânea brasileira, abrindo espaço para pesquisas que exploram diferentes linguagens, materiais e formas de pensar o mundo.
“Arqueologia da superfície” será aberta ao público em 10 de outubro de 2026, das 14h às 19h, e permanecerá em cartaz até 7 de novembro. A visitação acontece de terça a sábado, das 11h às 18h, na ORA, localizada na Rua Bento Freitas, 306, República, em São Paulo.