Leah Jorgensen (WGSN Londres), Adriana Omi (WGSN Brasil) e nossa publisher


Auditório lotado e participantes superatentos

Vocês sabiam que no ranking nacional de produtividade têxtil a indústria cearense se encontra atualmente na quinta posição? O mercado local emprega cerca de 100 mil pessoas e merece atenção extra, principalmente por conta dos problemas que ele anda sofrendo nos últimos anos, do câmbio até a invasão de produtos asiáticos. Esse é o momento de fomentar as discussões em torno do assunto e fazer acontecer, de fato.

Pensando nisso, o Sinditêxtil (juntamente com o SENAI e o Sebrae) realizou o 1º Seminário Internacional de Inovação Têxtil na última quarta-feira. O evento abriu espaço pra importantes nomes do cenário global comentarem cases e discutirem assuntos atuais com profissionais locais, empresários, estudantes e imprensa especializada. Na bancada, o time de peso incluía o Dr. Yongjiang Shi, de Cambridge (Londres), Dr. Mario de Araújo, da Universidade de Minho (Portugal), o Diretor Superintendente da ABIT, Fernando Pimentel, e Leah Jorgensen, direto do WGSN Londres.

Aproveitamos uma folguinha entre uma palestra e outra pra bater um papo rápido com Adriana Omi, também convidada e representante do WGSN Brasil. Em pauta? O cotidiano de uma profissional do maior site de pesquisas do mundo, as tendências pra daqui a dois anos e como eles conseguem adiantar tanto tempo de propostas em comum. Olha só.

*** Muita gente tem curiosidade em saber como é o dia a dia de pesquisas do WGSN. Como funciona sua rotina de trabalho?

A gente acaba visitando todos os tipos de lugares no mundo, desde de feiras internacionais até espaços artísticos, passando por cinema e outros segmentos. Mas no meu caso, em particular, visito clientes a faço um trabalho comercial. Tem várias empresas internacionais que querem saber sobre o Brasil e eu faço essa ligação de lá com cá. A gente sempre viaja até a matriz, em Londres, pra levar muitas informações. Eles querem saber quais marcas são mais relevantes por aqui, ou algum artista, arquiteto brasileiro que esteja dando o que falar e levamos até eles.

*** Como o WGSN consegue fazer essa conclusão “assertiva” de tendências?

As pessoas precisam saber que nada do que a gente fala ou faz é inventado. Existe uma base de pesquisa que percorre o mundo inteiro. A gente olha alguma coisa que está começando, que tem um potencial, que chamamos de movimento incipiente, mas que está igual lá na Ásia, na América do Sul e Europa. Algo que realmente seja inovador. Assim definimos as propostas que certamente vão funcionar pra todo o globo.

*** Tem se falado muito de gerações Y, Z e afins. O WGSN acredita nessa forma de rótulos?

A gente inclusive tem uma área dentro do site que só pesquisa comportamento de consumo, um tanque de ideias. É lá que a gente fala de determinadas tribos de consumo, como a geração Y. Como eles compram? Como eles se comportam? Existe um estudo aprofundado sobre isso e acreditamos muito.

*** A gente viu durante a apresentação um mix de imagens incrível! Essas imagens são produzidas pelo WGSN ou captadas nas pesquisas?

É um pouco de tudo. A gente usa alguma coisa muito inovadora de uma empresa que já criou, e às vezes é até estranho porque parece uma imagem de muita vanguarda. Funciona porque a gente está falando de algo pra 2015, então precisa ser diferente, impactante. Mas a nossa equipe de designers também cria e o resultado é uma mistura de tudo.

*** Sobre cores, o que você pode comentar sobre a cartela pra 2015? Você falou de puxar a identidade e se apropriar da informação que for necessária. Você acha que essa cartela de cores tem que ser aprimorada ou deve ser utilizada da forma que foi mostrada?

Depende da empresa. Depende da identidade da empresa. Por que se toda empresa que assina WGSN usar a mesma paleta de cores não vai existir inovação. São sempre três por semestre, lançadas de forma macro. E essa paleta se dissolve em vários segmentos, desde o fashion até a moda praia. A gente faz apenas um direcionamento, e a empresa faz o que achar bacana, respeitando sua identidade.

*** Foi comentado também o problemas das cópias no Brasil. A gente sabe que existe esse problema de identidade cultural interna. A WGSN entende que isso é apenas um problema industrial ? Ou será que o consumidor deseja isso pelo contato direto com a informação e a globalização?

Eu acho que é uma mistura dos dois, pelas possibilidades da informação estar tão democrática, mas ao mesmo tempo tem a ver com a mudança do lifestyle da sociedade, que quer consumir tudo cada vez mais rápido. Ela própria demanda isso e se cansa rapidinho, por que todo mundo já usou e não quer usar mais depois de um tempo.

Por Lucas Magno/Caroline Pinto