Formada em psicologia e responsável pela Cora Mobiarte, empresa de aluguel de cadeiras, a cearense Maria Eugênia Ventura defende outra causa bastante especial. Ela e um grupo de amigos são os encarregados pelo grupo de resgate Patas Juntas, que tem como objetivo salvar animais que vivem nas ruas de Fortaleza e conseguir famílias para adotá-los. A iniciativa surgiu no começo de 2018,  a partir do resgate de uma cadela que uma amiga do Patas Juntas fez. 

“O caso era extremamente grave e triste. Com isso, nós, amigos que sentíamos a mesma necessidade de olhar de forma efetiva e ativa para os animais, nos reunimos e decidimos que precisávamos colocar em prática o nosso desejo [de criar um grupo] e transformá-lo em missão diária, em busca de tentar dar uma vida diferente para eles que tanto merecem e que precisam de ajuda. Hoje creio que nossa atitude muda também o meio em que vivemos, e que contagia muitas pessoas que também sentem esse desejo e não sabem como contribuir ou agir. Acredito muito na educação pelo exemplo”, contou Maria, em entrevista ao site.

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O Patas Juntas possui um grupo no WhatsApp onde pessoas que desejam ajudar mensalmente podem contribuir com a causa com valores a partir de R$ 10. “Existem pessoas que doam valores maiores que esse, mas temos muita dificuldade de conseguir doações, pois, às vezes, os custos de tratamento com um animal é maior que R$ 1.000. Acreditamos que a união faz a força. Recebemos doação de remédios, ração, potinhos, etc. Hoje o maior investimento sai de nós mesmos que resgatamos e cuidamos”, relata ainda a psicóloga.

Cora, cachorrinha adotada por Maria Eugênia Ventura em São Paulo

Maria Eugênia ainda explica que sente falta de ajuda das próprias clínicas veterinárias e do Governo do Estado. “O ideal seria uma política de estímulo do governo, de planejamento para a área, com centros de investimento e de tratamento para os animais, bem como castração e ajuda aos grupos de resgate e organizações não governamentais. O aumento dos animais nas ruas e o abandono que ocorre cresce muito a cada dia e isso precisa ser visto e cuidado de forma estratégica. Um trabalho de educação feito com a população sobre o o cuidado com os animais e ambiente também é uma obrigação do governo. A falta de informação traz grandes prejuízos e pouca ajuda. Estamos no caminho e acredito que um dia chegaremos lá. A Luisa Mell trouxe, graças a Deus, muita visibilidade para essa causa, mas o percurso é longo e a luta é diária”. 

Como os resgates acontecem

Maria Eugênia Ventura relata que os resgates dos animais acontecem de maneira inesperada. Os pedidos chegam através de mensagem no WhatsApp, direct no Instagram e até mesmo quando eles mesmo se deparam com os animais na rua. Ela ainda explica que o resgate não é fácil, porque os bichos geralmente estão assustados e com medo, já devido aos maus tratos que sofreram. “Na maioria das vezes são resgate de cães e gatos, mas já tivemos resgate de cavalo, passarinhos e eu uma vez resgatei uma iguana que havia sido atacada por um cão”.

Uma das maiores necessidades dos protetores de animais, de acordo com a psicóloga, são os lares temporários. Geralmente são pessoas que aceitam abrigar os bichinhos enquanto uma família ainda não os adotou. 

A história de Maria Eugênia com a adoção não nasceu por acaso. Ano passado, em São Paulo, ela adotou sua cachorrinha, que ganhou o nome de Cora. “Ela havia sido jogada no lixo junto com seus irmãos, e uma protetora, que não tem muitos recursos para viver, tirou eles da rua e cuidou da melhor forma. Ela é uma pessoa incrível, que até hoje tenho contato. A partir do meu encontro com a Cora mudei o meu ‘eu’… Posso dizer que me tornei menos egoísta, que entendi que o pouco traz muita felicidade. Ela me ensinou que acordar todos os dias e ver quem ama ao lado é uma alegria imensurável. Seu amor não busca nada em troca, é puro”.

Maria e o marido, Mário Montenegro

Adotar é incrível. Os animais adotados são extremamente inteligentes, espertos, tem uma saúde de ferro e são muito gratos a quem lhe tem como família. Todos os dias a Cora me surpreende, me mostra algo novo e como um filho, não sabemos que surpresas ela trará, e isso é o mais legal. Dizem que ela tem minha personalidade. De fato temos jeitos parecidos, somos independentes e agitadas. Ela conquistou o coração de todo mundo lá em casa, até mesmo os que tinham alguma resistência”.

Versão empreendedora

Maria Eugênia atua como psicóloga clínica e divide seu tempo com a Cora Mobiarte. Na empresa, ela tem mais dois sócios, o marido e uma amiga. “A Cora Mobiarte traz para o mercado de eventos inovação, cor, conforto e estilo em cadeiras Tiffany. Atualmente temos 6 opções de cores, além de assentos coloridos. Até então não se tinha essa opção de cor em cadeiras e chegamos com essa proposta ousada. Já estamos trabalhando para ampliação do nosso portfólio de produtos, como mesas e toalhas, seguindo o mesmo padrão de qualidade e beleza das cadeiras”, conta.

A Cora Mobiarte é um projeto de Maria, o marido e uma amiga dela

Os planos para 2019 são muitos. “No âmbito profissional quero crescer de forma sólida e eficaz ainda mais a Cora Mobiarte e concluir minha pós-graduação em Psicanálise. Sobre o Patas Juntas, construir formas de alavancar ainda mais o projeto e agregar parceiros para conseguirmos ajudar ainda mais esses seres tão necessitados e que tanto amo. Na vida pessoal, concluir meu apartamento, para, enfim, eu e meu marido termos nosso tão sonhado lar. Quero me engajar ainda mais nas causas que acredito e no meu autoconhecimento. É necessário encontrar tempo para a espiritualidade e isso é algo que quero ter como essencial nesse novo ano, me desenvolvendo ainda mais como ser humano, valorizando o que de fato vale a pena e tentar dar um melhor peso e medida para as coisas. Acredito que ao mudar minhas atitudes, o olhar sobre o outro e sobre o mundo também se transformam. Posso ser sonhadora, mas espero que em 2019 possamos juntos reconstruir relações melhores, ter mais educação e respeito pelo outro”.

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