No Dia do Fotógrafo, conheça seis mulheres cearenses que trabalham com a imagem

Por Rosi Melo
No Dia do Fotógrafo, conheça seis mulheres cearenses que trabalham com a imagem

Fotografia é um retrato sensível e mágico da realidade. Nesta quarta (8), dia em que se celebra o trabalho de quem desempenha esse ofício, o Site MT apresenta seis renomadas fotógrafas cearenses que encantam pela sensibilidade no olhar e o compromisso artístico.

Muito mais que capturar um momento, elas registram sentimento. Todas integram o coletivo cearense Sol Para Mulheres, projeto idealizado por Patrícia Veloso, da Imagem Brasil Galeria, e que busca fortalecer a produção feminina no cenário artístico local e nacional.

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Entre o fim de novembro e o início de dezembro de 2019, o grupo participou da Feira Oriente de Artes Visuais, no Rio, com uma mostra exclusiva. No próximo dia 18 de janeiro, uma nova exposição será apresentada em Fortaleza.

Conheça as artistas:

Delfina Rocha

A carreira de Delfina Rocha iniciou na década de 1980, época em que atuou como assistente do fotógrafo Chico Albuquerque. Logo depois, se dividiu entre Rio e São Paulo trabalhando com foto publicitária e fotografia de cena em mais de 11 produções audiovisuais, incluindo programas de Renato Aragão e Xuxa.

O estúdio fotográfico em Fortaleza foi inaugurado em 1995, com foco nas áreas de moda e publicidade. Com a publicação do livro fotográfico Sabores e Saberes do Ceará, em 2003, Delfina foi premiada com o certificado de
qualidade gráfica no Printing Industries of América (PIA), no ano seguinte.

Nos últimos anos, Delfina tem se dedicado à fotografia autoral, participando de cursos de formação em São Paulo e Fortaleza. Entre suas obras, se destaca o ensaio Entremeio (2017), um retrato sensível das festas populares do Cariri. O trabalho foi selecionado na Convocatória dos Festivais de Fotografia Qxas e Verbo Ver/Ce (2018) e pré selecionado para o Festival Paraty em Foco, no Rio (2019).

Já o ensaio Pérolas aos Porcos é uma tentativa de romper com a estética asséptica que Delfina imprimiu para a publicidade. A artista volta sua atenção para a figura animalesca em uma estética não-idealizada, disforme e corrompida.

Lia de Paula

Formada em Cinema, Lia de Paula morou parte da infância e adolescência na Inglaterra, onde começou a fotografar e cursou ‘Media Studies’ no Westminster College. Em Fortaleza, atuou como fotógrafa no jornal O Povo e na prefeitura da cidade e também participou da produção de livros e de exposições.

Logo após, se mudou para Brasília, onde trabalhou na Agência Senado e nos Ministérios, atuando também na fotografia de família. Nesta época, se destacou com a cobertura politica na capital do País, com o ensaio PoliticaMENTE. No mesmo período, acompanhada do ministro da cultura Juca Ferreira, visitou a aldeia do Povo da Floresta, Ashaninka, no Acre. Os registros renderam um ensaio afetivo sobre a população.

De volta à capital cearense, Lia integrou a coordenação do Festival Verbo Ver, e hoje é coordenadora do Educativo do Museu da Fotografia. Imageticamente, tem se dedicado à fotografia autoral e à pesquisa sobre parentalidade por meio do ensaio “Todo filho é filho da
mãe”
, focado em mães solo.

Camila de Oliveira

Estudante de jornalismo, Camila de Oliveira também é faixa amarela no sistema Moy Fah de Kung Fu, onde atua como designer e integrante do coletivo Mulheres da Imagem CE. Artista visual e ilustradora, encontrou na fotografia a forma mais poderosa para se expressar. Hoje, atua como fotógrafa no projeto Filho de Manicure, do Porto Iracema das Artes, e no projeto O Confronto de Agnes, ganhador de edital da Secultfor.

No plano das imagens, Camila busca retratar em seus trabalhos temáticas do feminismo e as diversas maneiras como o feminino se manifesta. Na primeira foto reproduzida abaixo, a artista denuncia o local no qual as mulheres foram postas dentro da história da arte, a partir de uma leitura da performance “A Mulher sem Rosto”, de Rogeane Oliveira.

Na próxima foto, um retrato da performance “Guerreiras”, de Aspásia Mariana, mostra a força da mulher lutadora. Pensamento que também é reproduzido na cobertura do protesto das mulheres no 8 de março de 2019, expondo a potência de mulheres reunidas.

A última imagem, de Nossa Senhora Aparecida, que compõe o fotolivro Ontologias (Volume II), manifesta o feminino abordando o racismo e as violências raciais.

Tatiana Tavares

Tatiana Tavares é professora de Artes, com pesquisas voltadas para o campo da história da arte e fotografia. Formada em Artes Visuais, cursa atualmente especialização em História da Arte. Seu olhar fotográfico flerta com a fotoperformance. Inclusive, as imagens selecionadas para a exposição coletiva Sol para Mulheres são fruto de duas fotoperformances: Rotina e Campos de Morango.

Enquanto Rotina aborda as ansiedades no cotidiano da artista, Campos de Morango explora a relação entre a mulher e a sexualidade. Ambos os ensaios são bastante intimistas.

Natália Rocha

Formada em Comunicação Social pela Universidade de Fortaleza (Unifor), Natália Rocha trocou o jornalismo pelo cinema em 2009, quando participou do longa “Area Q”. Logo após, fez seu primeiro curso de Direção de Fotografia de Cinema em São Paulo, com o fotógrafo cinematográfico Alziro Barbosa.

Após atuar na direção de fotografia de alguns curtametragens, voltou-se aos poucos para a fotografia. Na capital cearense, foi professora da Rede Cuca, e deu aulas no projeto ECOA, em Sobral, onde participou de duas exposições, com trabalhos fotográficos e de videoarte.

Nos dias atuais, se dedica a fotografia de casamentos com a marca “Laranjeira Azul” e é fotógrafa da Ordem dos Advogados do Brasil. Recentemente, tem investido em trabalhos autorais. Seu DNA fotográfico mistura imagens em sobreposições e traz um olhar crítico sobre a relação do ser humano com a natureza.

Entre os destaques, está a série Pequeno Ensaio sobre Luz e Amor, que participou da exposição Foto Sobral, em 2015. Segundo Natália, ele registra “corpos sutis num trabalho de sobreposição de afetos”. Já “Rastros” (nome provisório) é o trabalho mais recente da artista, que integrou a exposição Sol Para Mulheres na Feira Oriente.

Denise Marçal


A jornalista e fotógrafa cearense Denise Marçal sempre dedicou um olhar sensível à infância e ao ser feminino. Sua carreira iniciou a partir da fotografia de partos e hoje é focada em ensaios femininos que trazem um novo olhar sobre autoestima por meio da imagem.

Nos últimos anos, se dedicou a desenvolver um projeto de fotografia documental, inspirada na experiência de retratar imigrantes acolhidos pela Pastoral do Imigrante e crianças da comunidade do Titanzinho, em Fortaleza. Disto, resultou a imagem “Bons Ventos”, que integrou a exposição Sol para Mulheres, no Rio.

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