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Rainha de maracatu há 16 anos, Débora Sá compartilha fotos dos desfiles na Av. Domingos Olímpio

Por Cintia Martins
Rainha de maracatu há 16 anos, Débora Sá compartilha fotos dos desfiles na Av. Domingos Olímpio
A Rainha do Maracatu "Nação Fortaleza", Débora Sá, compartilhou com o Site MT, registros da infância e dos últimos carnavais como brincante na Av. Domingos Olímpio. (Foto: Arquivo Az de Ouro)

Manifestação cultural que representa a base étinico racial do povo cearense, o maracatu é uma das mais importantes e tradicionais manifestações culturais carnavalescas do estado. Desde a criação dos maracatus “Az de Ouro”, “Az de Espada” e “Rei de Paus”, na década de 1930 e 1940, os tradicionais desfiles estão resistindo ano a ano como o maior legado da cultura africana no carnaval do Ceará. A Rainha do Maracatu Nação Fortaleza, Débora Sá, compartilhou com o Site MT, registros da infância e dos últimos carnavais como brincante na Av. Domingos Olímpio. Débora é também uma das entrevistadas no segundo episódio da série especial de podcasts sobre o Carnaval de Fortaleza

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Há 28 anos, Débora Sá começou a brincar maracatu ainda criança, aos seis anos de idade, levada pela família. Nessa época, ela desfilava como dama da Rainha e princesa no cortejo do “Az de Ouro”, fundado em 1936, a agremiação é a mais antiga em atuação na capital cearense. “Minha família toda é de maracatu, as pessoas vão nascendo e entrando na festa”, conta. 

Débora de princesa no desfile do maracatu “Az de Ouro”. (Foto: Arquivo Az de Ouro) 
Débora de princesa no desfile do maracatu “Az de Ouro”. (Foto: Arquivo Az de Ouro) 

“Me lembro bem de ir com meus dois irmãos e minha mãe para a sede do ‘Az de Ouro’, o maracatu mais antigo de Fortaleza. Tenho a sorte de morar no bairro Jardim América, onde é a sede do maracatu, então, desde pequena frequento. Minha memória mais antiga é me preparar para entrar no desfile, é muito marcante para mim”, relembra. Além de ser princesa no cortejo, Débora também substituiu a rainha do “Az de Ouro”, ali começava a trajetória que percorre até hoje no maracatu “Nação Fortaleza”, fundado em 2004. Ela está há 16 anos como rainha da agremiação.

Débora sendo coroada rainha do maracatu por cacique pequena. (Foto: Jacques Antunes)

O que muita gente não sabe é que durante muito tempo apenas os homens poderiam desfilar, ocupando, inclusive, o posto da rainha do maracatu. Só em 1988, dona Eulina Moura fez história ao ser a primeira rainha de uma agremiação desse tipo, desfilando no maracatu Verdes Mares. A trajetória da rainha Eulina Moura abriu espaço para que Débora também pudesse ocupar o cargo de maior destaque no maracatu. 

Débora como rainha do maracatu “Nação Fortaleza”. (Foto: Arquivo pessoal)

De acordo com ela, a presença da mulher no maracatu reflete o avanço da sociedade, que cada vez mais conta com mulheres empoderadas em diversos espaços, inclusive, no carnaval. “Ocupei o meu lugar de direito, não existe nenhum lugar que diga que a mulher não pode ser rainha. Claro, que até hoje a gente sofre com comparações, mas ocupamos um lugar de direito. Eu sou mulher e posso ser rainha”, pontua. 

Websérie ‘Conta Comigo

Jacaré, o primeiro entrevistado da websérie, brinca maracatu há 53 anos

Com o avanço da pandemia no Ceará, bem como a não realização do carnaval em Fortaleza, em 2021, muitos brincantes e pessoas que sobrevivem da festa não tiveram acesso aos dias de folia.  A partir disso, a websérie “Conta Comigo”, gravada durante a pandemia, visa contar a história do maracatu cearense por meio das falas dos próprios brincantes, uma forma de não deixar a falta da festa passar despercebida. Lançado em janeiro, no Youtube, o projeto é fomentado pela Lei 14.017, conhecida como Lei Aldir Blanc, e tem direção de Débora Sá; roteiro de Kadu Lopes e Iara Fraga; assistência de produção de Felipe Santos e a produção audiovisual da Mattos Produções. 

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