5 jun 2026 | Moda

Na próxima sexta-feira (11), Lindebergue Fernandes consolida, mais uma vez, a parceria de mais de duas décadas com o DFB Festival. Ao longo de 25 edições, o estilista imprimiu uma forte assinatura autoral nas passarelas do evento, optando por silhuetas em constante desconstrução, questionamentos sobre gênero, sentimentos de inadequação, irreverência, provocação e subversão de padrões.
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Lindebergue resgata seu olhar para o Divino e se inspira no vestuário dos padres, partindo dos shapes de uma batina, que serviu de modelagem para as peças. O conceito nasce de uma história ouvida pelo designer durante uma missa no Mosteiro de São Bento, em Messejana, sobre São José de Cupertino (1603–1663), frade italiano a quem são atribuídos muitos milagres de levitação e êxtase.
Retomando a coleção “Noviços & Rebeldes”, de 2017, na qual analisou a indumentária das freiras, Lindebergue traz para a passarela uma releitura das batinas, agora trabalhadas em renda, jeans, paetês e brocados. O estilista provoca questionamentos: como esse “vestido masculino” se tornou um código de gênero tão simbólico e facilmente identificável? Como as riquezas de um império místico celestial encontram espaço em um mundo terreno tão desigual?
Elementos do vestuário religioso, como o escapulário, agora compõem silhuetas andróginas. As longas vestes em crochê (de fio de papel) adotam um tom revelador, como se a própria noção de pecado fosse algo a ser desvelado e purgado. Tecidos planos resinados criam efeito de couro e verniz, remetendo aos sapatos lustrados dos sacerdotes. Há ainda bordados que brincam com as palavras “Pax” (“paz” em latim) e “Pix”, cutucando a ferida da exploração da fé.
A coleção também ecoa o já clássico “A cabeça do Santo”, da conterrânea Socorro Acioli, que vai virar filme e enredo de escola de samba em 2027. É nesse clima provocador que Lindebergue celebra 25 anos de DFB e “renova” seus votos de fé na criação autoral.