10 out 2024 | Moda

Na última quarta-feira (9), o aguardado tema do Met Gala 2025 foi revelado, despertando grande expectativa no universo fashion. Pela primeira vez desde 2003, o evento será voltado à moda masculina, com um enfoque especial na construção da identidade diaspórica negra. Para explorar as perspectivas dessa temática, a equipe da Plataforma MT conversou com o pesquisador de moda Felipe Vasconcelos, que compartilhou insights sobre o que podemos esperar dessa edição histórica.
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“Superfine: Tailoring Black Style“, ou “Impecável: Moldando o Estilo Negro”, em tradução livre, é o tema do Met Gala 2025. O evento será a abertura da tradicional exposição de moda do Metropolitan Museum of Art que, nesta nova edição, é inspirada no livro “Escravos da Moda: o Dandismo Negro e o Styling da Identidade Diaspórica Negra” (2009), da professora norte-americana Monica Miller. A mostra promete explorar a importância estética e política da moda masculina na comunidade afro-americana.
Ao lado do curador-chefe do Costume Institute, Andrew Bolton, Miller será a co-curadora da mostra, que ficará em cartaz na instituição entre os dias 10 de maio e 26 de outubro de 2025.
O famoso Met Gala, com o tapete vermelho que inaugura a exibição e contribui para a angariação de fundos do Metropolitan Museum of Art, acontecerá no dia 5 de maio de 2025.
Pharrell Williams, Colman Domingo, Lewis Hamilton e A$AP Rocky serão os co-anfitriões do Met Gala 2025. A estrela do basquete Lebron James será co-anfitirão honorário. Tudo indica que o time foi uma boa escolha, já que essas personalidades são conhecidas por romper com as convenções tradicionais da moda masculina nos red carpets. “Eles usam kilts, cores vibrantes como pink e mostarda, além de materiais como a renda, tirando essas produções da sisudez usualmente associada ao look masculino nessas ocasiões”, comenta Felipe.

O pesquisador também destaca que Pharrell Williams e Lewis Hamilton possuem uma presença sólida no mundo da moda. Pharrell, atualmente diretor criativo da divisão masculina da Louis Vuitton, tem colaborações de sucesso com marcas como Chanel, enquanto Lewis apoia projetos de estilistas e marcas de moda negras emergentes, além de se destacar com looks cheios de identidade nos paddocks das corridas de Fórmula 1.
Felipe acredita que o Met Gala 2025 trará looks inspirados em figuras icônicas como Andre Leon Talley, lendário editor da Vogue, cujo estilo reflete muito do dandismo negro dos anos 90, e Dapper Dan, um dos maiores nomes da moda negra e membro importante do movimento “Harlem Renaissance“.

“Minha expectativa é que a edição 2025 do Met Gala traga coleções da divisão masculina da Louis Vuitton ou versões exclusivas das coleções assinadas pelo Pharrell que flertam com a ideia da diáspora África/Europa/EUA”, explica o pesquisador. Ele também menciona a importância do legado de Virgil Abloh, idealizador da marca Off-White e o primeiro homem negro a assumir a linha masculina da Louis Vuitton. “Abloh mesclava alfaiataria clássica dos anos 80 e 90 com o sportswear contemporâneo, na pós-virada do milênio, influenciado pela arte urbana e a cultura hip-hop, algo que certamente veremos refletido no evento”.

Felipe também ressalta a importância de tratar o tema com sensibilidade. “Por ser uma temática com um recorte racial muito específico, esse tema precisa ser lido com cuidado tanto pelos designers, quanto pelos convidados, para não cair em estereótipos e interpretações equivocadas do que é uma expressão cultural tão rica e diversa”, adverte. O movimento adequado, segundo ele, será equilibrar as referências históricas com a criatividade contemporânea, sem perder o respeito pela herança cultural afro-americana.
Segundo o pesquisador, LaQuan Smith, Christopher John Rogers e Thebe Magugu são estilistas que podem se destacar no tapete vermelho. “Esses designers têm a capacidade de reinventar a alfaiataria masculina trazendo influências do dandismo africano, mas também adaptando essa estética para a mulher contemporânea, com o uso de materiais como o tafetá, o tule, o couro e o chiffon, além de cores ousadas”, comenta. Para ele, esses elementos reforçam a ideia de elegância, poder e força, misturando tradição e modernidade.

O foco principal da exposição no Metropolitan Museum of Art girará em torno da discussão sobre a essência do dandismo preto: mais do que a construção de uma identidade, é um conceito que atravessou gerações escravizadas e segregadas culturalmente. Ao todo, serão 12 seções no museu dedicadas a cada uma das características do dandismo preto descritas no ensaio de 1934 de Zora Neale Hurston, “The Characteristics of Negro Expression“. Além de roupas e acessórios, pinturas, fotografias e trechos de filmes também farão parte da mostra.
Ainda na equipe de “Superfine: Tailoring Black Style“, o fotógrafo Iké Udé servirá como consultor especial e o artista Torkwase Dyson é o responsável pelo design conceitual da exposição. Tanda Francis, famosa pelo trabalho com máscaras africanas maximalistas, é quem assina as cabeças dos manequins produzidas exclusivamente para a exibição, enquanto Tyler Mitchell fará as fotos para o catálogo.