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Angela Gutiérrez é a primeira mulher a assumir o posto de presidente da Academia Cearense de Letras; confira entrevista

Por Lucas Magno
Angela Gutiérrez é a primeira mulher a assumir o posto de presidente da Academia Cearense de Letras; confira entrevista

Nesta quarta-feira (30) Angela Gutiérrez assume a presidência da Academia Cearense de Letras (ACL) com solenidade no auditório do Palácio da Luz. A escritora será a primeira mulher a assumir no posto na ACL, fundada em 1894 e considerada a academia do gênero mais antiga do Brasil. 

“Embora há algum tempo meu nome fosse cogitado para a presidência da ACL, minha eleição para o cargo vem causando certo frisson, para além das portas do Palácio da Luz. Certamente não fui eleita por ser mulher, mas por já ter demonstrado dedicação à instituição em cargos de diretoria e em coordenação de projetos da instituição. No entanto, acredito que cada porta que se abre, pela primeira vez, para uma mulher, representa uma nova perspectiva para as mulheres. Em qualquer área de atuação humana, a diversidade de pensamento e sensibilidade, de gênero e etnia, de cultura e religião, tende a enriquecer a sociedade, enquanto a imposição do pensamento único a empobrece”, disse Angela, em entrevista ao site.

“Lembremos que a Academia é uma construção cultural que se fez ao longo do tempo, desde sua criação, em 1894. Para edificá-la, seus fundadores, sob a presidência do intelectual Dr. Thomaz Pompeu, conceberam um projeto de instituição com forte cunho de interesse na cultura cearense. Cada gestão deixou um legado à consolidação e à atualização da ACL. A nossa tem, pois, a responsabilidade de dar continuidade a esse perene work in progress, com projetos que atentem para as circunstâncias históricas, sociais, culturais em que vivemos”, completa ela.

“Acredito que cada porta que se abre, pela primeira vez, para uma mulher, representa uma nova perspectiva para as mulheres”, destaca Angela. Fotos: Roni Vasconcelos

Para o biênio 2019-2020, Angela ainda ressaltou que pretende enfatizar projetos e ações especificamente culturais e literários, tendo a Literatura Cearense como ponto fulcral dessa programação. “Pensamos, também, em abrir a Academia para diferentes segmentos da sociedade, integrando-a fortemente à cultura pujante de nosso Estado e em intensificar a promoção de autores cearenses, em diferentes atividades e na pesquisa de acervo para nosso Memorial. Retomaremos o renomado Ciclo de Conferências, as visitas de estudantes ao Palácio e seus acervos e o apoio ao Fórum de Academias e Associações. Consideramos relevantes para o sucesso dessa programação, o aprimoramento de nosso site e a divulgação das atividades da ACL”.

Ainda na entrevista, a autora comentou sobre seu amor ao magistério. “Identifico-me com uma frase de Guimarães Rosa, em Grande Sertão: ‘Mestre é quem de repente aprende‘. Acho que está aí a explicação de meu amor extremado ao magistério – a conexão e simultaneidade entre ensinar e aprender. Considero o ensino como um modo de interagir com alunos e alunas, incentivando-os à visão crítica da literatura e do mundo, à reflexão sobre as questões literárias, à apreciação da literatura em suas relações com outras Artes, com a História, com a vida”. 

 

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