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Médica cearense dá à luz a filho no chão do banheiro de casa nos Estados Unidos

25 fev 2022 | Notícias

Por Jacqueline Nóbrega

A nutróloga Tayna Athayde deu à luz, na madrugada do dia 3 de fevereiro, ao baby Luan em um parto rápido e inesquecível para mãe e avó

Tayna Athayde com o marido e os filhos, dias antes do nascimento do baby Luan (Foto: Reprodução)

A médica nutróloga cearense Tayna Athayde viajou com a família, o marido e dois filhos, Luna, 4, e Thor, 2, além da mãe e a sogra, para Orlando, nos Estados Unidos, com o intuito de comprar o enxoval do terceiro filho, e até sabia da possibilidade do bebê nascer em solo americano. O que ela nunca imaginou é que daria à luz no chão do banheiro de casa, acompanhada somente da mãe, que é enfermeira. Tayna compartilhou o relato em quatro postagens no Instagram e recebeu mensagens de amigos e seguidores incrédulos com a situação. Mais de vinte dias depois do susto, ela conversou com o Site MT sobre o nascimento do baby Luan.

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“Viajamos com a intenção de fazer o enxoval, mas já tínhamos a expectativa de ter o filho aqui. Sempre desejamos ter os nossos outros filhos nos Estados Unidos, mas eu nunca tive coragem, para ser bem sincera. Aqui nos Estados Unidos é um pouco diferente, apesar de ser muito comum o parto vaginal, ele não é humanizado. A mulher não pode ter o filho do jeito que ela quer. O parto aqui é na cama, na posição ginecológica, e eu não concordo. Na minha opinião, é melhor as mulheres terem os bebês do jeito que elas desejarem, até porque é instintivo. Na hora do nascimento, assumimos uma postura mais confortável para mãe e para o bebê. É por isso que no nascimento dos meus filhos eu não tive que fazer episiotomia, não tive nenhuma laceração, mesmo aqui em casa, nos Estados Unidos. E o Luan nasceu com quase 4kg”, disse. 

Em busca do parto humanizado

Antes do fatídico dia, já nos Estados Unidos, Tayna visitou hospitais e maternidades, mas pelo fato deles não terem material para o parto humanizado, como bola e banqueta, ela pesquisou e encontrou um birth center, espécie de casa de parto, com estrutura que pudesse dar os primeiros suportes tanto para ela como para Luan. 

“O birth center era bem acolhedor, novinho e tinha aquele calor humano, sabe? Lá tinha a minha banheira que eu tanto gostava”, relatou. 

A nutróloga no chão do banheiro que teve o bebê (Foto: Arquivo pessoal)

No dia 31 de janeiro, com 39 semanas e 5 dias de gestação, a cearense teve uma consulta e relatou ao médico que estava tendo contrações, mas que não eram rítmicas. Ao fazer o exame de toque, ele constatou que ela estava com 7 centímetros de dilatação.  

“Me ofereceram algumas opções para acelerar o trabalho de parto. Romper a bolsa ou tentar um fitoterápico homeopático. Eu optei pelo fitoterápico. As contrações se tornaram mais intensas e foram ficando rítmicas. Perdi meu tampão mucoso”, lembra.

Após duas horas de contrações, elas foram ficando mais fracas e espaçadas. Tayna descansou e, ao acordar, quando foi examinada, continuava com os 7 centímetros de dilatação. 

“Tem certos momentos que é melhor ser leiga que médica. Minha cabeça começou a elaborar milhares de cenários e questionamentos. Tentei racionalizar: se não fosse o primeiro exame de toque feito na consulta, provavelmente eu estaria em casa. Para que estivesse em trabalho de parte minhas contrações precisariam ser rítmicas, dolorosas e só iria para a hospital/casa de parto quando estivessem a cada 5 minutos com duração de 1 minuto. Pensei que o único momento que isso aconteceu foi após ter tomado o fitoterápico. Para que eu tomei isso? Resolvi ir para casa morrendo de medo e incertezas”. 

Tayna foi para casa, mas passou o dia inteiro sentindo contrações. No dia seguinte, no entanto, acordou renovada. Foi almoçar fora com a família e não teve contrações o dia inteiro. Na madrugada do dia 3 de fevereiro, acordou novamente com contrações. 

“Estavam irregulares, mas duravam bastante tempo. Fui para a sala para não acordar as crianças que dormiam no meu quarto. Minha mãe, que veio do Brasil para acompanhar o parto, acordou com a movimentação na sala”.

A nutróloga pensou que o almoço não a tinha feito bem e resolveu ir ao banheiro. Foi quando ela percebeu que, na verdade, era Luan nascendo. “Saí do reservado sentindo a cabeça do Luan. Me joguei no chão do banheiro. Avisei ao meu marido e pedi para ele dizer que não conseguíamos ir ao birth center”. 

A hora do nascimento

“Tive uma contração forte e a cabeça saiu na mesma hora que a bolsa rompeu. Minha mãe, que é enfermeira e já trabalhou na obstetrícia por 2 anos, já estava posicionada. Mas a próxima contração estava demorando mais que o habitual. Após algum tempo, ela veio e com mais um puxo saiu o resto do bebê. Minha mãe pegou meu filho e imediatamente colocou sobre mim. Mas não consegui levá-lo ao meu seio, parecia que algo o prendia”. 

Foi quando as duas perceberam que Luan estava com uma volta do cordão umbilical no pescoço. “Tiramos e finalmente pude relaxar com meu filho perfeito e rosado ao seio. Apenas uma hora tinha passado entre eu acordar com contração e ele nascer. Em 10 minutos a equipe do birth center chegou. Só após a placenta sair, meus filhos, que dormiam no quarto ao lado, acordaram. A Luna foi quem cortou o cordão com a ajuda do pai. Se eu tivesse saído para a maternidade, meu filho nasceria no carro e meu marido com certeza batia”.

“E essa história de panos limpos, nada disso existiu, né? Pegamos o que estava em mãos, as toalhas que estavam de fácil acesso no banheiro jogamos no chão porque não deu realmente tempo para absolutamente nada. Foi extremamente rápido. Fiz duas forças e meu filho nasceu”. 

A médica com os três filhos fazendo cama compartilhada (Foto: Reprodução)

Mãe e filho estão bem, seguem nos Estados Unidos, e agora a cama compartilhada ganhou mais um integrante, como a própria Tayna mostrou o Instagram. “Eu fico me achando que todos os pimpolhos querem dormir com a mamãe. Se bem que penso o quanto era bom dormir uma noite toda, mas não trocaria por nada”. 

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