DFB 2013 | Equipe MT conversa com Martha Medeiros

Por Lucas Magno


Nos bastidores com Martha

Quem conhece Martha Medeiros sabe bem que ela é uma mulher inteligente, simpática e de pulso firme, então bater um papo com ela no intervalo da sua palestra no Dragão Pensando Moda foi uma experiência extremamente enriquecedora pra Equipe MT. No auditório lotado, Martha, que já está no mercado há mais de 25 anos, comentou sobre o luxuoso artesanato brasileiro que ela cria e divulga ao redor do mundo, já na nossa entrevista exclusiva, a designer e uma das rainhas das rendas comentou a importância de eventos como o Dragão Fashion Brasil, a relação do artesanato com a indústria criativa e a bendita Alta Costura nacional.  Confira os detalhes:

Na sua opinião, qual a importância de eventos regionais de moda, como o Dragão Fashion, para a moda nacional?

Eu acho que, como o Dragão… ele é único, né? Porque o Dragão, ele trabalha com estilistas daqui e que tem um trabalho extremamente autoral, é isso o que eu acho mais bacana.  Eu só acredito que permaneça  esse tipo de semana de moda, como o Dragão faz. É isso que eu acredito que vai crescer e permanecer cada vez mais.  Porque o que essas pessoas querem é isso, as pessoas não querem uma moda massificada, que não tem identidade. Você pode gostar ou não de determinado estilista, mas você tem que respeitar aquilo que é a identidade dele, o trabalho dele e isso é bacana.

Você falou que trabalha com Associações de Artesãs e nós sabemos que tem aquela “coisa” da Indústria Criativa. Na sua opinião, qual a relação da Indústria Criativa  com o artesanato?  Você acha que essas associações têm essa visão de Economia/Indústria Criativa, a visão de mercado?

Eu acho que tem que haver um meio termo, não é? Eu acho que, antes de tudo, criatividade é de graça, então vamos usá-la, certo? E não adianta achar que faz sucesso porque é artesanal, porque não faz. Estão aí as feirinhas de artesanato, as pessoas têm dificuldade de vender porque as pessoas (os consumidores) querem muito mais, as pessoas querem o artesanal com uma linguagem contemporânea. Não adianta você ter  o  artesanal, por ser artesanal…  vai comprar o paninho de botar em cima  da garrafa d’água, porque achou bonitinho e vai levar um pra avó, tá entendendo? E não é isso, isso não faz ninguém sobreviver, isso não faz ninguém crescer. Então, o artesanal sobrevive, cresce na hora em que ele vira um objeto de desejo. E pra isso, precisa muito mais. Precisa de informação, precisa de criatividade, precisa de uma série de coisas.

E você conhece o artesanato cearense? Você acha que ele tem potencial  para a moda, para trabalhar com esse tipo de comunicação, com esse mercado de moda?

O primeiro lugar em que eu fui buscar para trabalhar o artesanato foi aqui, só que eu não conhecia as pessoas, eu não sabia como fazer. Eu me lembro que eu ainda fui ao Sebrae e tentei algumas coisas, mas pela dificuldade, pela distância, não deu certo. Eu acredito muito, não é pouco não, é muito. E eu acho que aqui é um celeiro de grandes criadores.

E falando um pouco sobre Alta Costura. Fala-se que no Brasil não existe Alta Costura. O que você pensa sobre a comparação de “Martha Medeiros” com o mercado/produção de alta costura?

Eu acho assim: comparado pode ser, mas não é alta costura. Alta costura você tem que ser sindicalizado à Fédération Française de la Couture  de Paris. O que nós fazemos é uma semi-couture. E porque eles comparam com a alta costura? Uma peça de Alta Costura tem que ser, pelo menos, 75% feita a mão, a nossa peça tem, em média, 95% de handmade. Por isso existe a comparação e eu fico muito feliz. Saiu até uma grande matéria comparando as grandes lojas de Alta Costura e foi constatando que nós demoramos mais em uma peça que uma peça de Alta Costura. Mas são coisas diferentes.

Por Lucas Magno + Carol Pinto + Mari Albuquerque

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