Luiza Brasil tem uma agenda frenética. Aos 31 anos, a influencer e comunicadora divide o seu dia a dia entre palestras, presença nos mais conceituados eventos de moda, criação de conteúdo para sua plataforma de protagonismo negro Mequetrefismos, gravações de podcast, consultoria na área de pesquisa e inovação em moda, co-criação de coleções e muito mais…

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Queridinha de ícones da moda nacional, como Costanza Pascolato, ela também acumula premiações. Recebeu, em 2019, o Prêmio Geração Glamour – Women of the Year. Já no ano passado, foi contemplada na lista de “Influenciadores Sociais Contra o Racismo” (Influencers Against Racism), reconhecimento da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro.

Costanza Pascolato e Luiza Brasil (Foto: Reprodução)

Mas quem de fato é Luiza? Nascida em Niterói, a carioca sempre teve o sonho de estudar moda, muito antes de pensar em trabalhar com comunicação. “Até cheguei a cursar uma faculdade de moda. Mas eu vi que era uma área de criação e o meu lugar era mais no campo do pensamento, na escrita”, conta em entrevista exclusiva ao site MT. “Foi então que decidi migrar para o jornalismo, a melhor coisa que eu fiz. Entendi que jornalismo de moda era o caminho mais sensato para eu conseguir exercer o senso crítico, opiniões e a construção de pensamento”.

Formada em jornalismo pela PUC-Rio, Luiza faz parte da geração que teve o primeiro contato com a moda através da internet. “Sou de uma geração que começou a acompanhar moda pelo olhar de sites como os de Erika Palomino, Lilian Pacce, Glória Kallil…”. Naturalmente, o encanto pela moda virou trabalho. Sua primeira experiência na área foi em 2008, ao escrever para o RioETC, site de streetstyle do Rio. Em 2012, virou braço direito de Costanza Pascolato, em São Paulo, atuando em suas plataformas digitais. Até hoje, mantém contato com a papisa da moda, para quem oferece uma espécie de assessoria de contemporaneidades.

O encanto de Luiza Brasil pela moda virou trabalho (Foto: Reprodução)

Também já chegou a trabalhar com as jornalistas Lilian Pacce e Erika Palomino. Esta última a convidou recentemente para colaborar com sua nova marca, “Ida“. “Ajudei no posicionamento inicial, como consultora, liderando um GT de conteúdo”, revela Luiza.

Seu maior orgulho enquanto comunicadora, no entanto, é a plataforma de conteúdo Mequetrefismos. O site nasceu com o objetivo de impulsionar, a partir da informação, pessoas, projetos e trabalhos com foco no protagonismo negro, principalmente na indústria da moda, música e artes. Orgulhosa, ela adianta novidades: “Ano que vem, o site vai ganhar novos colunistas, novas narrativas, novos olhares”.

Ela também é criadora do podcast “Hora da Brasil”, disponível no Spotify. Com uma linguagem clara e didática, a jornalista recebe convidados para falar sobre temas como design thinking, saúde mental negra, marketing de influência e racismo e muito mais. Em novembro, a série deve ganhar novos episódios na plataforma de streaming.

Representatividade

Em meio às cobranças sociais cada vez mais crescentes sobre a diversidade na moda e na publicidade, Luiza diz atuar como uma “conectora”, estabelecendo pontes entre empresas e profissionais. “Para o meu trabalho acontecer, ele precisa de concessões e eu não posso mais ser o ícone da representatividade racial porque eu já tenho um produto com notoriedade, sou uma pessoa pública, com alcance na área de moda e de comunicação. O que eu consigo é trazer para esses bastidores pessoas que, de alguma forma, vão alavancar seus trabalhos; profissionais que, em algum momento, foram invisibilizados”.

Luiza Brasil (Foto: Reprodução)

Embora acredite que a representatividade negra é um conceito bem entendido pelas empresas, a comunicadora faz um alerta sobre proporcionalidade.

“Se nós somos 54,6% de população preta, por que nós somos minoria nas lideranças?”, questiona

“Por que estamos quase inexistentes dentro dos cargos de poder de decisão? A representatividade está muito bem pautada, mas ainda está nos cargos de entrada do mercado de trabalho. As pessoas estão pensando muito em colocar o preto na publicidade, mas pouco em colocá-los nos departamentos de marketing e de pensamento. Então, a gente precisa ter proporcionalidade para que essa pauta se naturalize e, na verdade, para que o assunto nem vire mais uma pauta”, defende.

Fotos: Reprodução