Por Silviane Andrade
.Psicóloga
.Diretora do Neuropcicocentro
.Esp. em Neuropsicologia
.Mestre em Neurociências – UNIFESP
.Esp. em Terapia Cognitivo-Comportamental

Silviane durante palestra em evento no Shopping Iguatemi

No mundo atual, com tantas demandas e exigências, a prevalência de transtornos como depressão e ansiedade têm aumentado vertiginosamente. Para tanto, faz-se necessário ferramentas de enfrentamento para tais demandas. Vamos falar então de inteligência emocional.

A inteligência emocional consiste em um conjunto de ferramentas onde se pode enfrentar os problemas de forma a resolvê-los, e não, aumentá-los. É muito comum que a nossa mente crie ou aumente os problemas que vivemos. A nossa mente muitas vezes é o nosso próprio algoz. Por vezes precisamos identificar se aquele problema é real ou uma criação da nossa mente. Essa já é uma das ferramentas de identificação do problema, que faz parte das características da inteligência emocional. Sempre instigo meus pacientes a identificar seus problemas com perguntas do tipo: esse problema é real ou imaginário? De zero a dez, qual o tamanho desse problema? Considerando que 10 é a morte, não se tem mais nada a fazer. E o engraçado é que, mesmo sofrendo com tal problema, os pacientes conseguem refletir e avaliar que o problema não é tão grande como pensavam. Outra questão é sobre o tamanho da energia e da emoção que você está dando para esse problema. Em 99% dos casos, o paciente dá uma nota muito alta. Por exemplo, um adolescente ansioso, extremamente preocupado com seu desempenho escolar e com suas notas. Em certa sessão, um paciente trouxe como problema o medo de realizar uma prova de matemática. Refletimos sobre o problema “prova”. Ele pontuou que tinha um tamanho 2, mas que a emoção e a preocupação que ele estava sentindo era 9, ou seja, diante de um problema que tinha solução, que era pequeno diante do todo da vida, ele estava sentindo como se estivesse quase perdendo uma pessoa. Isso revela uma enorme desregulação emocional.

Para problemas pequenos devemos dispensar emoções pequenas. Do contrário, gastamos tanta energia com coisas pequenas do dia a dia que, ficamos vulneráveis e, diante de problemas maiores, adoecemos, entramos em crises depressivas e/ou ansiosas. E aí o ciclo vicioso: quanto mais vulneráveis emocionalmente, menos vamos ter inteligência emocional. Em síntese, para uma boa inteligência emocional devemos identificar o tamanho do problema, o tamanho da emoção que dispensamos a ele e, em seguida, estratégias de comportamento que levem a resolução do mesmo.

A falta de capacidade de buscarmos resolução dos problemas, muitas vezes nos aprisiona ou mesmo nos conduz a culminação de ideação suicida. Tive um paciente que a capacidade dele era tão baixa de resolução que tudo culminava no desejo de não existir mais. Na cabeça dele era mais “fácil morrer do que ter que enfrentar os problemas”, revelando assim, uma enorme fragilidade e vulnerabilidade emocional. Atualmente, os pais com maiores dificuldades de dizer “não” aos filhos, estão levando-os a uma enorme dificuldade de lidar com frustrações e, consequentemente, baixa capacidade de resolução de problemas.  Portanto, é grande o número de crianças e adolescentes com ansiedade e depressão, assim como tentativas de suicídio. Diante disso, é urgente que ensinemos nossas crianças a enfrentar problemas.

Dicas básicas para adquirir inteligência emocional

1. Identificar se o problema é real ou imaginário (Ex: existem medos que são reais e outros que são imaginários e cursam com as fobias).

2. Identificar o tamanho do problema de 0 a 10 0. Identificar o tamanho da emoção (de 0 a 10) dispensada ao problema.

3. Buscar um comportamento adequado que resolva o problema. Contudo, é importantíssimo uma primeira infância estruturada, que proteja e dê afeto à criança para que ela consiga ser assertiva o suficiente para conseguir desenvolver sua inteligência emocional.

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