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Óleos essenciais: aromaterapeuta orienta dicas sobre produto natural

Por Tainã Maciel
Óleos essenciais: aromaterapeuta orienta dicas sobre produto natural
A aromaterapeuta Ana Calvet orienta dicas e cuidados sobre o uso de óleos essenciais (Foto: Divulgação)

Poucas gotas são responsáveis pelo cheiro agradável que remete à natureza. Os óleos essenciais, líquidos altamente concentrados, extraídos das plantas, podem até ser lembrados pelo efeito aromatizador, mas engana-se quem só relaciona o uso a uma simples fragrância. Essas substâncias naturais podem ajudar na prevenção de doenças, exercer influência sobre as emoções e promover sensação de bem-estar. A aromaterapeuta Ana Calvet, fundadora da Folha de Arruda, orienta dicas e cuidados sobre o tema. Ela aponta a diferença entre óleos essenciais e essências.

“Os óleos essenciais são substâncias químicas que as plantas produzem em períodos específicos para fins também específicos, como proteger-se de pragas, atrair polinizadores e sobreviverem às mudanças do clima. Por isso, são substâncias de caráter medicinal, totalmente terapêuticas. Essências são substâncias sintéticas, criadas em laboratório, que imitam os aromas dos óleos essenciais, mas não possuem nenhuma atuação terapêutica/medicinal”, alerta.

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Óleos que estimulam o cérebro e amenizam sintomas da ansiedade tornaram-se os mais procurados, de acordo com a aromaterapeuta. “Lavanda combate a insônia. Laranja Doce pode aliviar crises de ansiedade. Alecrim tem sido muito procurado para estimular o foco mental e também para questões de estética, por sua atuação no couro cabeludo. Sálvia Esclareia atua como antidepressiva. Tea Tree é procurada por sua ampla atuação antiviral, fungicida e bactericida”, diz.

Óleo essencial de lavanda (Foto: Divulgação)

Apesar dos vários benefícios, Ana Calvet reforça que o uso dessa terapia pede uma orientação adequada, principalmente em tratamentos prolongados. “Óleos essenciais são substâncias altamente concentradas. Dentro de um frasco pode ter cerca de 400 compostos químicos atuando simultaneamente. Existem óleos essenciais tóxicos, estimuladores epiléticos, hipertensivos, fotossensíveis e dermoabrasivos, que se usados de forma indevida, podem causar sérios transtornos. No Brasil, eles são registrados como cosméticos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), portanto, a prática de ingestão não é permitida”, diz.

“O óleo essencial precisa ser bem utilizado para não tornar-se um veneno”,

orienta Ana.

A qualidade do produto também influencia seus efeitos. Segundo Ana, a Anvisa tem regras estabelecidas quanto ao rótulo dos frascos que podem auxiliar na hora da compra. “Neles devem conter o nome científico da planta, país de origem, parte da planta extraída, método de extração, composição, data de envase e validade, nome e registro da empresa. Todas as informações acima devem ser explícitas para o cliente antes mesmo que ele faça a compra”, explica.

Do Oriente ao mundo

Não há registro exato da data em que a primeira civilização passou a beneficiar-se das substâncias aromáticas. Civilizações antigas como China, Índia e Egito registraram o uso de óleos aromáticos tanto para cuidados com a saúde como para a espiritualidade. Na Bíblia, citações de óleos como o olíbano e a mirra também podem ser encontradas.

Egípcios prensando flores para fabricar óleos medicinais e perfumes (Foto: Guia Completo de Aromaterapia)

“Aqui no Ocidente, temos registros apenas a partir do século XVI, em que os óleos foram utilizados para combater pragas. Mas só em 1920 que, na França, o químico Gattefossé passou a estudar e aplicar o uso dos óleos essenciais de forma amplamente terapêutica. De lá pra cá, vários médicos e terapeutas dedicaram-se a difundir essa terapia”, conta Ana.

Aromaterapeuta Ana Calvet (Foto: Arquivo Pessoal)

“As pessoas estão sentindo necessidade de cuidar-se por inteiro: mente, coração, corpo e espírito”,

reflete.

Hoje, a prática ganha cada vez mais adeptos que buscam alternativas naturais para cuidar da saúde. “As terapias holísticas estão ganhando espaço como alternativa aos sistemas de saúde especializados, não como concorrentes, mas como complementares“, pontua.

“Os óleos essenciais são potentes e podem auxiliar diversas questões, mas, devem ser respeitados como tal, considerando o impacto ambiental que causam, bem como o risco à saúde do usuário que não seja devidamente orientado”, lembra.

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