Um passeio por imagens inéditas da Revista GALERIA 7.

Moda é, definitivamente, um dos grandes potenciais do Ceará. No âmbito industrial, o Estado é o primeiro, no País, em produção de denim e fios, e o quinto na produção têxtil, segundo o Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral do Estado do Ceará (Sinditêxtil – CE). No polo da criação, sobram nomes que se destacam, nacional e internacionalmente, seja desenvolvendo novos conceitos nas passarelas das melhores semanas de moda ou fazendo de seus ateliês pequenos laboratórios de tendências.

Moda praia, peças com tipologias artesanais, tecidos naturais, referências urbanas misturadas a traços marítimos, alta costura, jeans, bordados – a variedade de assinaturas da moda cearense é imensa, e continua se renovando diariamente. E, diferente do que se pode pensar, não são apenas os tradicionais produtores e criadores que permanecem girando o motor fashion no Estado, por isso, decidimos fazer um recorte que desse conta de ilustrar quais são as marcas e ideias consideradas as grandes promessas do segmento. Em uma tarde de experiências compartilhadas, reunimos as caps da Lisblu, Les Alis, Gabriela Fiuza e Alix Brand no rooftop da Desconexo Design para saber delas o que cada uma diz a respeito da moda feita no Ceará.

Amanda Viana, Karina Jalles e Natália Viana

Antes de definirem, há quatros anos, a identidade que a Lisblu tem hoje – voltada para vestidos de festa e de noivas, prontos ou sob medida – as sócias Amanda Viana, Karina Jalles e Natália Viana já trabalhavam com moda, mas em segmentos distintos. Hoje, Karina e Natália se revezam e se complementam na criação dos modelos, enquanto Amanda se concentra na parte administrativa da marca, que pode ser considerada o traço contemporâneo das produções de festas dentro da moda cearense. “A gente tenta ter uma versatilidade na nossa criação, trazendo o que existe na atualidade para roupas de festas, mas sem deixar de ter nossa assinatura. Antes, para encontrar um vestido de festa aqui, era preciso ir em lojas comuns ou para os ateliês, que eram muito tradicionais”, declara Karina. Além dos vestidos de noiva e festa sob medida, a Lisblu tem modelos exclusivos, também criados por Karina e Natália, já prontos para aluguel. “Muita coisa acontece no processo de prova dos vestidos, e o que torna eles únicos é isso. Às vezes desenhamos uma coisa, mas o tecido permite outra, a cliente tem uma nova ideia, e assim vai se construindo”, detalha Karina.

Gabriela Fiuza

A designer de moda Gabriela Fiuza não imaginava que os movimentos de agulha fazendo croché, tão presentes na infância, durante as viagens para Jijoca e em trabalhos manuais desenvolvidos na escola, iriam se transformar na base da marca que ela tem hoje. “Não era uma coisa que me atraia porque era muito rococó, e não era muito meu estilo, mesmo quando criança eu sabia disso. Já na escola, eu fazia croché e gostava, mas ficou nisso”, lembra. Na faculdade de Design de Moda, ela retornou a tipologia na disciplina que trabalhava o slow fashion, e acabou tendo a ideia de transformar o croché em Trabalho de Conclusão de Curso, que acabou virando, também, a primeira coleção de sua marca homônima, lançada em 2016. “O croché é meu carro chefe, mas trabalho também com fibras naturais, que são seda pura, linho e viscose. São duas coleções anuais que desenvolvo, e as pecas são produzidas por uma cooperativa de artesãs no interior do Estado”, detalha Gabriela. Em 2018, os planos da designer incluem abrir sua primeira loja de rua, com pecas para pronta entrega, e continuar também com atendimento sob medida.

Deborah Bandeira e Ticiana Machado

Uma roupa casual chic despretensiosa. De pronto, é assim que Deborah Bandeira, uma das caps da Les Alis, define o perfil da marca. Na verdade, é mais do que isso: é ter peças produzidas e pensadas no Ceará, mas que estejam conectadas com as tendências lançadas a todo instante, ao redor do mundo. “Antigamente as pessoas tinham uma noção de que a moda cearense era algo usado só aqui ou que era aquela coisa muito artesanal ou regionalizada”, lembra Deborah, salientando que a Les Alis atende, hoje, também, ao mercado do Sudeste, apesar de foco no consumo local. Ela e a sócia Ticiana Machado comandam a marca desde 2011, com perfil de atacado, e investiram recentemente no formato de varejo, com a abertura de uma pop-up no Iguatemi. “Abrimos a loja no intuito de ter um posicionamento para a marca, permitir que as clientes tenham a experiência da Les Alis, que entrem nesse mundo. E queremos também nos comunicar com o nosso consumidor final, até para entender melhor o que eles buscam, explica Deborah.

Alix Pinho

Linearidades e padrões nunca foram o ponto forte da estilista Alix Pinho, que aos 17 anos, após ser expulsa da escola, decidiu investir na fabricação de roupas e vender para as amigas. O percurso até a consolidação da Alix Brand, marca que ela comanda hoje, incluiu diversas etapas: participações em desfiles autorais, temporada de residência nos Estados Unidos e na Inglaterra, criações de modelos de venda no atacado e até uma pausa na relação com a moda para que ela se dedicasse à pintura. “Isso começou quando eu tinha 17 anos, e hoje, com 28, eu vejo que minha marca ainda tem muitos estilos diferentes, eu não sou de fazer uma coisa só”, assume Alix, que revela não se intimidar com o novo e as possibilidades de mudança. “Desde criança, sou muito diferente, e o ponto principal da minha marca é também ser diferente. É o contemporâneo sem mais do mesmo, vanguarda”, atesta a estilista, que revela receber clientes das mais variadas idades e estilos em busca de expressar diferentes imagens por meio do vestir.