27 jul 2024 | Moda
Além da arte, diversidade e valorização do artesanato, entre os destaques da noite do terceiro dia de DFB Festival temos as coleções de Bruno Olly e Catarina Mina. A noite também trouxe para o público do evento as coleções de Melk Zda, BABA as últimas quatro apresentações de coleções do Concurso dos Novos.
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O estilista Bruno Olly trouxe para a sua coleção visuais futuristas e com elementos pós-apocalípticos buscando representar os sintomas relacionados à ansiedade. Já a marca Catarina Mina explorou tons terrosos e o uso de diversas técnicas artesanais, como a renda de bilro e o crochê, em uma celebração das rendas tradicionais cearenses.
Além da comemoração dos 25 anos do DFB Festival, um dos momentos memoráveis do terceiro dia do evento foi o brinde feito por Cláudio Silveira para celebrar os 18 anos da Galeria Mariana Furlani e sua participação no evento. A galeria conta com um espaço de exposição logo na entrada desta edição comemorativa do DFB. “É uma homenagem à riqueza cultural e artística do Ceará. É uma celebração da nossa diversidade e da criatividade que nos cerca”, destacou Cláudio.
A última noite do Concurso dos Novos trouxe os desfiles de alunos de quatro universidades apresentando o que o seu talento consegue criar mesmo com as adversidades. A UniAteneu realizou o desfile da coleção “Liberdade”, a Universidade de Fortaleza (Unifor), trouxe a coleção “Devorador de Mares”, o Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), apresentou a coleção “Lóng ài” e, por fim, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) finalizou o concurso com a coleção “Festa dos Jangadeiros”.









*Fotos por Leo Zingano
Trazendo para a passarela uma coleção futurista e com uma pegada pós-apocalíptica, o estilista Bruno Olly apresentou “Sufoco Sombrio”. Com uma paleta de cor contrastante, o uso de tecidos estruturados e fluidos e acessórios como máscaras de gás, a coleção buscou proporcionar uma reflexão sobre a ansiedade e os sentimentos que sufocam e oprimem ao promover o reconhecimento e a identificação do público com o que estava sendo retratado.
“Todos os meus projetos são baseados em experiências vividas por mim e eu gosto de sempre levar algum questionamento para passarela porque eu acredito muito que a passarela além de ser roupa é um local de discussão, um local de você se posicionar e mostrar para as outras pessoas o que são as experiências”, comentou o estilista.
Um dos toques especiais da coleção foram os crochês feitos por Dalva Belarmino, Nidias Santos e Maria do Carmo, que adicionaram um charme único com o seu trabalho manual.
Alguns dos parceiros que apoiaram a criação da coleção foram a Benatêxtil, no desenvolvimento das lavagens das peças, e a Collection Eyewear, fornecendo óculos que fizeram parte do styling da coleção.






*Fotos por Leo Zingano
O estilista pernambucano Melk Zda trouxe para o DFB a coleção “Disfarce”, com uma delicadeza ímpar, leveza, elegância e peças ricas em detalhes. Sua atual coleção é um desdobramento de outra que tinha a crisálida como tema.
Tendo como ponto de partida o mimetismo de algumas borboletas, a coleção buscou trazer para a passarela os elementos da anatomia das asas desses animais usando a modelagem das peças.
Um dos pontos altos da coleção experimental foi o uso de roll-tays, uma técnica desenvolvida no ateliê do artista de forma artesanal que foi utilizada para representar o formato e anatomia das borboletas.
Essa questão da imitação e camuflagem desses animais foi representada nas peças de várias maneiras, como nas modelagens estruturadas e leves, nas formas vazadas e orgânicas e no uso de técnicas e materiais com a intenção de confundir. O upcycling também apareceu na coleção “Disfarce”, que transformou embalagens de café em delicadas flores. As bolsas utilizadas na coleção foram feitas pela Associação Mulheres de Argila.






*Fotos por Leo Zingano
A Baba trouxe a coleção “Baba Beach Club”. A marca, criada por Gabriel Baquit e Roberto Albuquerque, é conhecida por trazer peças cheias de referências da cultura e do cenário de Fortaleza.
Para sua nova coleção, a primeira de beachwear, a marca se inspirou na Praia de Iracema e trouxe looks coloridos, dança e apresentações musicais durante o desfile. A trilha sonora na passarela foi feita pelos artistas Emocionar e Má Dame, que também se apresentaram como atração musical no evento.






*Fotos por Leo Zingano
Com a coleção “A Renda Bota o Peixe na Mesa”, a Catarina Mina celebrou a renda tradicional do Ceará em uma coleção com cores diversas, como preto e tons terrosos, e peças leves e com transparências. Durante todo o desfile, o som da voz das rendeiras trabalhando era a trilha sonora ouvida pelo público enquanto as modelos desfilavam as peças da coleção.
O nome da coleção veio de uma expressão popular relacionada às rendas que demonstra a importância desse tipo de trabalho manual para a autonomia e o empoderamento de quem mantém essas tradições vivas. Foi a partir da frase “Quando a rede não traz o peixe, a renda bota o peixe na mesa” que a coleção foi nomeada e desenvolvida.
Foram 21 looks de peças artesanais feitas por grupos de vários lugares do Ceará, com criações feitas com base em diferentes técnicas como o crochê, o uso de palha, renda de filé e renda de bilro. As roupas e acessórios da coleção contam um pouco da história e da cultura de cada uma dessas comunidades que contribuíram para a criação deste trabalho.






*Fotos por Leo Zingano