Com mais de 20 anos de experiência em varejo e moda de luxo, a empresária Ana Isabel de Carvalho Pinto concedeu entrevista exclusiva ao site MT Galeria. Na conversa, a co-founder do e-commerce de moda premium Shop2gether defende que o perfil do consumidor de luxo mudou. “Hoje o consumidor de luxo compra mais no e-commerce, onde encontra rapidamente as tendências e novidades de moda”.

Confirmada no line-up do MaxiModa 2019, Ana Isabel vai falar sobre a evolução do e-commerce de moda durante o seminário. O evento ocorre no dia 9 de agosto, no Teatro RioMar Fortaleza.

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Confira:

Como a moda e o marketing surgiram na sua vida?

Sou formada em administração pela ESPM e tenho master em marketing pela IBMEC. Trabalho há 20 anos no mercado de varejo e moda de luxo e, há 7 anos, fundei o Shop2gether, que é hoje o maior e melhor e-shop de moda premium do Brasil. Desde 2017, estou à frente do conselho de moda do Icomm Group, holding composta pelo Shop2gether e pelo OQVestir.

Como você define o perfil do consumidor que está inserido no mercado de luxo? Ele consome da mesma forma na loja física e no e-commerce?

Acredito que o perfil do consumidor de luxo hoje está muito mais ligado ao lifestyle do que, propriamente, ao consumo de marcas específicas. São pessoas que estão muito mais interessadas e buscam ampliar seu repertório de moda, artes, beleza e bem-estar. São pessoas que inauguram tendências, gostam de viajar e viver experiências transformadoras. Por isso, hoje, o perfil do consumidor de luxo, especialmente quando olhamos para os nossos clientes do Shop2gether, compram não buscando ostentação, mas exigem produtos de qualidade, com matérias primas inovadoras e design original e criativo.

Além disso, é um consumidor que está cada vez mais conectado e atento às tendências que emergem das redes sociais. Por isso, hoje o consumidor de luxo está muito mais propenso a consumir mais no e-commerce, justamente por encontrar rapidamente as tendências e novidades de moda, por querer serviços ágeis e diferenciais, além da mobilidade de comprar e receber no conforto de casa sem precisar ir ao local. Afinal de contas, economizar tempo também é um ponto importante do novo luxo.

Como a tecnologia e as redes sociais auxiliam no relacionamento entre moda e consumidor?

O mundo hoje respira tecnologia. Segundo uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2019, existem 230 milhões de celulares ativos no país, além de 180 milhões de computadores, notebooks e tablets. O que nos mostra que a população está conectada e é adepta das facilidades que o digital traz. Quando falamos de relacionamento com cliente, essas duas ferramentas são primordiais, pois com elas podemos fazer o que chamamos de omnichannel (gestão unificada) que é uma gestão de canais 360°, que possibilita um atendimento mais efetivo e personalizado, criando uma conexão com o cliente. Essa nova forma de obter informação nos traz um novo modo de enxergar o consumidor, melhorando a experiência dele em todos os canais utilizados.

A moda está 100% implantada neste meio, pois também é encaixada nessa gestão unificada e na forma como comunicamos ela ao nosso consumidor, podendo entender o que ele está procurando no momento, quais as suas vontades e o conteúdo que deseja encontrar. Além de poder compartilhar os conteúdos que produzimos de forma muito mais ágil.

Recentemente, percebemos um movimento crescente de conscientização sobre a sustentabilidade na moda. Na sua opinião, como essa iniciativa se manifesta no meio digital?

O meio digital hoje é o modus operandi da divulgação e difusão sobre a conscientização de diversos assuntos, e o tema sustentabilidade não ficaria fora dele. Com a rapidez e agilidade em se produzir e divulgar conteúdo, tudo chega ao consumidor de forma expressa, clara e ilustrativa, e se espalha rapidamente. Por isso, nós, como uma plataforma digital, temos cada vez mais pensado na nossa responsabilidade socioambiental, seja dando visibilidade a marcas que trabalham com materiais sustentáveis, tem processos de produção com impactos ambientais reduzidos e também atuam junto com a sociedade, na capacitação de funcionários, por exemplo. Um dos papéis importantes do meio digital é justamente esse: dar voz e incentivo a esse movimento tão necessário.

Para você, qual a importância de eventos como MaxiModa, que buscam discutir business de moda no cenário atual?

É extremamente importante. Eventos como esse, que buscam discutir sobre o cenário atual com pessoas referências em suas áreas é essencial, pois traz uma bagagem de conhecimento muito maior, além de um compartilhamento de informação e conteúdo. Existe uma troca não só com quem está assistindo, mas também com quem está sentado aqui falando sobre o assunto, o que é uma troca rica.

Fotos: Divulgação