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Jomara Cid conta como iniciou na chapelaria e lista trabalhos marcantes

Por Tainã Maciel
Jomara Cid conta como iniciou na chapelaria e lista trabalhos marcantes
Natural de Hidrolândia, no interior do Estado, Jomara Cid faz questão de expressar o orgulho de ser cearense nas peças e explorar referências elegantes e coloridas. (Foto: Eri Nunes)

Você já se encantou com a elegância dos chapéus usados por atrizes em filmes de época? Ou não abre mão da praticidade de ter um boné para os dias ensolarados? A união quase improvável da atmosfera parisiense de Coco Chanel com a cultura nordestina é inspiração para Jomara Cid, designer cearense que tornou-se referência ao resgatar o requinte da chapelaria sem esquecer das raízes.

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A milliner – nome dado à profissional dedicada à criação manual de chapéus, grinaldas e ornamentos para cabeça – é apaixonada pelo mundo da moda desde a infância e hoje assina peças como a que foi usada pela primeira-dama de Fortaleza, Natália Herculano, no dia da posse de Sarto Nogueira na prefeitura da Capital.

“Fazia muitas roupas para minhas bonecas e adorava mexer nas revistas manequim da mainha. Eu só não sabia que existia faculdade para isso, que pra mim era pura diversão. Sempre ouvi minha mãe falar que eu ia fazer Medicina e comprei esse discurso até ver uma menina com uma blusa escrita ‘Estilismo e Moda UFC’. Na mesma hora mudei as minhas específicas e comecei a fazer simulado sem minha mãe saber (risos)”, lembra.

Ao ingressar no curso, Jomara sabia que a sua vocação estava ligada aos acessórios mais do que às roupas, o que foi confirmado após a realização de um projeto universitário. “Em uma cadeira da faculdade, sorteei o segmento de chapelaria para fazer um trabalho. Me apaixonei tanto por esse universo que segui esse caminho”.

A modelo usa tiara assinada por Jomara Cid (Foto: Reprodução/Instagram)

Foi a partir dessa primeira experiência que a marca autoral da designer nasceu e tomou forma. “Ainda na faculdade, comecei a vender peças para as amigas e professoras. Quando me formei, resolvi montar meu ateliê em agosto de 2011. No início eu só trabalhava com adornos: headband, tiaras e flores. Mas quando percebi que as coisas estavam dando certo, fui atrás de me especializar em chapelaria”, conta.

Técnica e criatividade

Para tornar-se expert na área  em que estava começando a trabalhar, Jomara fez cursos no Rio de Janeiro e em Paris. (Foto: Eri Nunes)

Para tornar-se expert na área em que estava começando a trabalhar, Jomara fez dois cursos no Rio de Janeiro e, após quatro anos aperfeiçoando o ateliê, partiu para França e se dedicou aos estudos, em Paris. Com todo esse conhecimento e criatividade, modelos exclusivos surgem nas mãos da cearense, com a prática do Bespoke – feito sob medida. Entre as principais referências na profissão, a designer elege o irlandês Philip Treacy, considerado o maior chapeleiro da atualidade, e Denis Linhares, seu ex-professor de chapelaria.

“Um dos momentos mais especiais pra mim é a troca com cliente. Me sinto extremamente honrada em ser escolhida para momentos tão especiais, como casamentos. No processo de construção da grinalda ou de qualquer outra peça sob medida, analisar o formato do rosto, cabelo, largura dos ombros é importante, porém mais importante que isso é o ouvir e entender como é o estilo dessa cliente. Só depois de traçar esse perfil é que desenho a peça. Acredito muito que cada pessoa é única”, afirma Jomara Cid.

Jomara Cid assinou a grinalda de Nicole Pinheiro, que se casou com Netinho Bayde, em 2019 (Foto: Reprodução/Instagram)

Já sobre os materiais utilizados no ateliê destacam-se diferentes opções: da palha natural à fibra sintética, do crinol ao veludo, dos cristais às pedras naturais.

“Todos os nossos produtos são feitos com técnicas de chapelaria. Nossos chapéus, em sua maioria, ainda são feitos artesanalmente em blocos de madeira. Nossas tiaras e grinaldas também são construídas em cima desses blocos para que assim eu consiga um design ergonômico. É tanto que nossas tiaras tem fama de não apertarem e não machucarem”, explica.

Natural de Hidrolândia, no interior do Estado, Jomara faz questão de expressar o orgulho de ser cearense nas peças. “A gente tem uma riqueza de material e técnicas que amo. A palha de buriti e carnaúba estão sempre presentes, seja nos chapéus ou nas tiaras. A renascença e o crochê também são elementos fortes na minha chapelaria, inclusive desenvolvemos um turbante lindo de crochê de palha de buriti para a Sasha Meneghel usar no desfile da Água de Coco”, comenta.

Sasha Meneguel usou acessório criado por Jomara, em 2019, quando desfilou para Água de Coco (Foto: Reprodução/Instagram)

Novos rumos

Durante a entrevista, Jomara Cid ainda elegeu os momentos de destaque na carreira. Entre eles, assinar a chapelaria dos desfiles do Ronaldo Fraga no São Paulo Fashion Week. “Assinar a chapelaria do Carnaval da Claudia Leitte também foi um marco e mais especial ainda, pois essa parceria se consolidou ao longo dos anos”, menciona.

A maioria dos chapéus do ateliê de Jomara ainda são feitos artesanalmente em blocos de madeira, assim como as tiaras e grinaldas. (Foto: Eri Nunes)

Hoje, a designer cearense foca em novas criações e públicos. A última coleção da milliner se inspira na harmonia das cores. “Sempre crio uma coleção em cima de algo que sinto ou vejo. Não sigo muito o cronograma rígido de coleção, prefiro criar de forma mais intuitiva, pois só assim consigo trazer mais verdade é alma para meu trabalho. As cores energizam e em tempos tão sombrios e de tantos desafios, resolvemos trazer cor para alegrar e brindar essa nova era”. Em 2021, Jomara ainda promete novas parcerias e projetos. “Estamos desenvolvendo uma coleção de noiva, diferente de tudo que já criamos até hoje. Vem coisa linda!”.

Confira mais fotos exclusivas de Jomara Cid para a Plataforma MT. Os cliques são de Eri Nunes:

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