A palestrante do MaxiModa 2019 e curadora do WeAr, Alexandra Farah, falará sobre o tema “Moda e Tecnologias Vestíveis“, no palco do Teatro RioMar Fortaleza, no dia 9 de agosto. Enquanto o grande dia não chega, ela nos concedeu entrevista exclusiva para falar sobre carreira, a influência da tecnologia para o futuro da moda e mais.

Farah é jornalista graduada pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais e também possui formação em moda pelo Fashion Institute of Technology (FIT) e cinema na Parsons, em Nova York. A moda está presente na vida da jornalista desde criança, por influência da família. Os avós árabes mantinham uma loja de tecidos no interior, já a tia possuía uma loja de acessórios.

Ela, que cresceu neste meio, naturalmente se apaixonou pela área, foi colunista da Vogue Brasil e editora do site Chic, e hoje é mestranda na USP e curadora do WeAr, festival que busca construir a moda através da tecnologia de maneira sustentável e inclusiva.

Confira:

Como a moda iniciou na sua vida?

“Sou jornalista formada em Belo Horizonte. Quando passei um um concurso da Editora Abril, vim para São Paulo e conheci os acervos de moda, os produtores e os editoriais. Vi como a coisa era grande. Eu trabalhei 3 anos na revista Cláudia, ganhei prêmio de Política e de Esportes, mas eu ficava de olho mesmo na moda. E passei a escrever as legendas dos editoriais. Depois fui para NY e estudei moda e cinema, voltei e trabalhei seis anos com a Glória Kalil como editora do site Chic e, desde 2004, faço coisas para a Vogue e agora mais recentemente para a GQ, que é minha favorita, porque comecei a achar moda masculina muito mais legal. Também fui colunista do Brasil Econômico, e tive por quatro anos um programa na Bandnews que foi campeão de audiência e se chamava Moda e Negócios.”

Você é diretora do Festival WeAr. Compartilha com a gente um pouco da experiência que é organizar esse evento e quais os seus aprendizados a cada edição

“Quando estava na TV Bandnews, decidi que deveria ter um seminário. Foi quando lançaram o Apple Watch, o wearable (dispositivos tecnológicos que podem ser utilizados pelos usuários como peças do vestuário) mais vendido até hoje. Decidi que o tema seria esse: tecnologia vestível. O mais urgente agora é usarmos a tecnologia para salvar a indústria da moda e ajudar a brecar o aquecimento global“.

Como você avalia o atual cenário de jornalismo de moda no Brasil?

“A mídia oficial perdeu espaço pois é muito em cima do muro, chuta para todos os lados e não tem um foco. Os veículos fecharam e os jornalistas não se renovaram. No Brasil e no mundo é igual. Hoje, os indivíduos são os maiores veículos. Ficamos o dia inteiro com o telefone na mão. Papel não faz sentido mais para a nova geração.”

Como a tecnologia e as redes sociais auxiliam no relacionamento entre moda e consumidor?

“Hoje as marcas sabem o que nós queremos antes de nós mesmos. Eles espiam e analisam tudo que a gente faz, se a gente ficou olhando por mais tempo o vestido branco do que a foto do vestido preto. É inteligência artificial, análise de dados. As marcas se orientam pelo que o consumidor quer, tem pouco espaço para o sensacional o extraordinário. É a ditadura da maioria, a ditadura do consumo que tomou conta. Mas por outro lado, é pelas redes sociais que as pessoas se mobilizam para o consumo consciente, para uma mudança de paradigma.”

Na era digital, como a tecnologia pode tornar a moda mais inclusiva?

“O progresso sempre foi ligado ao novo. Hoje, o novo é coisa do passado. Quem gosta de coisa nova o tempo inteiro é vitima da moda, é quem não tem autoconhecimento, é quem se afirma através da roupa, é quem acha que ter é ser e nada é mais fora de moda que isso. E o mercado sente, a moda está estagnada, o único segmento que realmente cresce é o vintage. A sociedade tem que ser mais inclusiva, a moda ajuda, mas ela não precisa ter o papel de salvar o mundo – se a moda não atrapalhar, já ajuda.”

Para você, qual a importância de eventos como MaxiModa, que buscam discutir a moda enquanto business no País?

“Essa é a grande importância: criar uma consciência mais crítica sobre a indústria. Para sabermos que a revolução já chegou, o mundo é outro, que os valores dos anos 1990 ficaram lá atrás e que a gente precisa estudar, se aprofundar, pesquisar, investir em pesquisa para fazer a revolução.  A ordem de extrair do mundo, produzir e jogar no lixo já foi um modelo de progresso. Hoje, produzir cada vez mais é atraso. Tempos de revolução são difíceis, mas são mais difíceis ainda para quem finge que nada está acontecendo.”

Quer assistir à palestra de Alexandra Farah no MaxiModa 2019? Adquira já o seu ingresso através do site Uhuu ou na bilheteria do Teatro RioMar Fortaleza. Saiba mais em https://marciatravessoni.com.br/maximoda2019/.

Fotos: Reprodução/Divulgação