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Quem é bell hooks? Conheça o legado da escritora e ativista que faleceu aos 69 anos

15 dez 2021 | Notícias

Por Redação

A aclamada autora feminista negra faleceu nesta quarta-feira (15)

bell hooks (Foto: Divulgação)

Uma das mais importantes intelectuais feministas da atualidade, a escritora e ativista bell hooks faleceu nesta quarta-feira (15), aos 69 anos. “A autora, professora, crítica e feminista fez sua transição cedo, de casa, rodeada de familiares e amigos”, escreveu a família dela em um comunicado. Ela estava rodeada de amigos e familiares quando morreu, de acordo com a sobrinha, Ebony Motley.

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Quem é bell hooks?

A escritora bell hooks nasceu em Kentucky, nos Estados Unidos, em 1952. Seu nome de batismo é Gloria Jean Watkins: o pseudônimo é uma homenagem a sua bisavó, Bell Blair Hooks, e a escolha de não usar letras maiúsculas é um posicionamento político que busca romper com as convenções linguísticas e acadêmicas, para que suas palavras falem por si mesmas e não por seu nome.

Na infância, estudou em escolas públicas para negros, pois nos Estados Unidos ainda havia escolas que praticavam segregação racial. Na adolescência, quando passou para uma escola integrada, viveu a discriminação de ser minoria numa instituição onde tanto os professores quanto os alunos eram majoritariamente brancos.

De família numerosa — cinco irmãs, um irmão —, pertencente ao que os norte-americanos chamam de classe trabalhadora, bell hooks usou a própria vida, a vizinhança e a escola como fontes dos seus primeiros estudos sobre raça, classe e gênero, sempre analisando nesses três elementos os fatores da perpetuação dos sistemas de opressão e dominação. Seja de brancos contra negros; de homens (mesmo negros) contra mulheres; de ricos contra pobres.

bell hooks foi premiada com um The American Book Award, um dos prêmios literários de maior prestígio dos Estados Unidos. Entre suas maiores influências, além de Martin Luther King, Malcom X e Eric Fromm, estão as teorias de educação defendidas pelo brasileiro Paulo Freire.

Primeiras obras

Foi durante a faculdade que bell hooks começou a escrever seu primeiro livro, Ain’t I A Woman [Eu não sou uma mulher], publicado em 1981. Onze anos depois, o site Publishers Weekly, especialista no ramo de publicação literária, avaliou Ain’t I A Woman como um dos vinte livros mais influentes escritos por mulheres nos vinte anos anteriores. Ela formou-se no bacharelado em inglês pela Stanford University, fez mestrado pela University of Wisconsin Madison e doutorado pela University of California Santa Cruz, onde escreveu sua dissertação sobre a escritora negra estadunidense Toni Morrison.

bell hooks na juventude (Foto: Divulgação)

Raça e gênero

Assim como outras mulheres negras, hooks apontou que o feminismo mainstream focava em um grupo seleto de mulheres brancas, com ensino superior, de classe média e alta, centradas em ideais românticos de liberdade e igualdade. Ela percebeu que as mulheres negras se encontravam em um dilema: apoiando o movimento feminista, precisavam abdicar das discussões raciais, e lutando pelos direitos civis estavam à mercê do patriarcado que o dominava.

A escritora sofreu uma série de críticas durante a sua carreira, sendo acusada inclusive por outras feministas de não ser “acadêmica o suficiente”. Isso porque hooks não se submetia aos padrões tradicionais da academia, na intenção de tornar o seu trabalho acessível para todos. Daí também seu grande interesse pela educação — sobretudo pela educação das pessoas negras, historicamente privadas da academia.

“Muitas vezes, as feministas brancas agem como se as mulheres negras não soubessem que houve opressão sexista até que elas expressassem o sentimento feminista. Eles acreditam que forneceram às mulheres negras ‘análise’ e ‘o’ programa de liberação”, escreveu bell hooks. “Eles não entendem, nem imaginam, que as mulheres negras, bem como outros grupos de mulheres que vivem diariamente em situações opressivas, muitas vezes se tornam conscientes da política patriarcal de sua experiência vivida à medida que desenvolvem estratégias de resistência — mesmo que isso não seja feito de forma sustentada ou organizada.”

hooks escreveu 40 livros publicados em 15 idiomas diferentes. Os temas tratados por ela passam pela masculinidade negra, a importância da comunidade, a crítica de produtos culturais, o feminismo interseccional, e tantos outros. A autora também escreveu sobre a importância da educação infantil, e afirmava que a habilidade de ler, escrever e pensar criticamente é a chave para construir comunidades onde as pessoas possam coexistir alegremente sem as barreiras estruturais de raça, gênero e classe. Em 2014, ela fundou o bell hooks Institute em Berea, Kentucky, para reunir fomentar a discussão sobre como podemos alcançar esses objetivos.

Dentre as suas principais obras literárias, estão:

Tudo sobre o amor: novas perspectivas

O que é o amor, afinal? Será esta uma pergunta tão subjetiva, tão opaca? Para bell hooks, quando pulverizamos seu significado, ficamos cada vez mais distantes de entendê-lo. Neste livro, primeiro volume de sua Trilogia do Amor, a autora procura elucidar o que é, de fato, o amor, seja nas relações familiares, românticas e de amizade ou na vivência religiosa. bell hooks defende que o amor é mais do que um sentimento — é uma ação capaz de transformar o niilismo, a ganância e a obsessão pelo poder que dominam nossa cultura.

Ensinando pensamento crítico: Sabedoria prática

O livro, que leva a citação do educador brasileiro Paulo Freire, faz parte de um debate elaborado pela autora estadunidense. O conjunto de livros sobre o tema completam a “Trilogia do Ensino” escrita por bell hooks entre os anos 1990 e 2000.

Olhares Negros: Raça e Representação

Em uma coletânea de ensaios críticos, hooks debate a narrativa e coloca em pauta as formas alternativas de compreender a negritude.

O feminismo é para todo mundo: Políticas arrebatadoras

A visão de uma das vozes mais importantes do feminismo negro. Neste livro, bell hooks explora a construção do conceito e amplia o alcance de entendimento para o público.

E eu não sou uma mulher?: Mulheres negras e feminismo

O primeiro livro da escritora se tornou um clássico do conceito feminista. O exemplar se tornou uma ferramenta de luta contra a opressão sexual e racial.

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