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Liana e Renato Thomaz falam sobre a estreia de ‘Quarenta Verões’ e o futuro da Água de Coco

14 set 2026 | Poder

Por Julia Valentim

À frente da marca cearense, mãe e filho contam os bastidores de documentário e
de nova etapa da empresa em entrevista exclusiva à Plataforma MT
Renato e Liana Thomaz (Foto: Divulgação)

“É uma forma de agradecer ao Ceará e a todos que caminharam com a gente durante esses 40 anos”, afirmou Liana Thomaz, fundadora da Água de Coco. Completando 40 anos de mercado, a empresa segue promovendo celebrações à altura de sua história longeva – desta vez, em solo cearense, para o lançamento do documentário “Quarenta Verões”, na próxima terça-feira (15), no Cineteatro São Luiz.

LEIA MAIS >> ÁGUA DE COCO lança documentário que resgata 40 anos de moda e legado cearense

 Água de Coco comemora 40 anos com noite histórica em São Paulo

Em entrevista exclusiva à Plataforma MT, Liana e o filho, Renato, vice-presidente da Água de Coco, relembram o início de tudo, os marcos da trajetória e o futuro da marca que colocou definitivamente a moda praia cearense no mapa.

Liana Thomaz (Foto: Divulgação)

Plataforma MT [PMT]: Liana, “Quarenta Verões” nasce do encontro entre a história do biquíni e os 40 anos da Água de Coco. Quando fundou a marca, em 1985, você imaginava que um dia contaria essa trajetória em um documentário?

Liana Thomaz [LT]: Não, de jeito nenhum! Quando comecei a Água de Coco, eu estava muito mais focada em aproveitar uma oportunidade para criar uma marca de moda praia, algo que não tinha no Ceará. Queria fazer algo diferente do que eu costumava ver no mercado, sabe? […] Eu nunca trabalhei pensando em quanto tempo a marca iria durar, mas sempre no que eu poderia fazer de melhor naquele momento. Jamais imaginei que hoje, 40 anos depois, essa história pudesse se transformar em um documentário e muito menos que a marca teria um legado tão forte para fazer parte da história da moda praia brasileira e isso ser reconhecido até fora do País. São 40 anos de muito trabalho, aprendizado, desafios, coragem, conquistas e, principalmente, de muitas pessoas que se dedicaram muito e ajudaram a construir essa história com a gente. É um motivo de muito orgulho para mim.

PMT: Você trouxe o Ceará para o centro de uma conversa que, até então, era dominada pelo eixo Rio-São Paulo. Para você, o que foi essencial nesse processo de romper barreiras? Qual o trunfo da Água de Coco em reposicionar o Ceará como terra de moda praia e lifestyle?

LT: Eu sempre acreditei muito na força do lugar de onde viemos. O Ceará tem uma riqueza enorme, nas paisagens, nas cores, na cultura, no artesanato e, principalmente, na maneira como as pessoas vivem e enxergam o mundo. Desde o começo, isso tudo sempre foi a minha principal inspiração e eu quis que estivesse presente nas coleções da Água de Coco. O nosso principal diferencial foi justamente não tentar reproduzir o que já existia em outros lugares. Nós trouxemos o olhar cearense para a moda praia e fomos construindo uma identidade muito nossa, mostrando que era possível fazer um produto sofisticado, com qualidade e excelência, sem abrir mão das nossas raízes.

PMT: O filme reúne nomes como Lilian Pacce, Erika Palomino e Paulo Borges falando sobre esse universo. Qual o sentimento de ver a história da marca e, por extensão, a sua própria história costuradas a tantas referências da moda brasileira?

LT: É muito emocionante e gratificante. Ao longo desses 40 anos, eu tive a oportunidade de conviver e aprender com muitas pessoas que ajudaram a construir a moda brasileira, então ver essas referências falando sobre a nossa história tem um significado muito especial porque é o reconhecimento de que todo o trabalho que foi feito até aqui está no caminho certo. Mas eu acho que o mais bonito é perceber que a história da Água de Coco não é uma história só minha. Ela é construída por muitas mãos. Por mim, pelo Célio, pelo Renato, pela nossa família, pelos nossos colaboradores, pelos parceiros, pelos profissionais que passaram pela marca e por tantas outras pessoas que acreditaram no nosso trabalho ao longo desses anos. E o filme acaba sendo também um registro dessa história coletiva.

Célio, Renato e Liana Thomaz (Foto: Divulgação)

PMT: Após uma première lotada em São Paulo, a estreia acontece finalmente em Fortaleza, cidade natal da marca. O que esse retorno à origem representa para você? Qual o simbolismo de estrear o documentário no local onde tudo começou? E qual a diferença entre as estreias em São Paulo e aqui?

LT: São Paulo foi um evento muito bonito e emocionante. […] Foi a primeira vez que Célio e eu vimos o filme, ainda mais em uma tela de cinema – era o filme da nossa vida, passando diante dos nossos olhos e foi lindo poder reviver tudo aquilo. Temos muito carinho por São Paulo porque é uma cidade muito importante por ter projetado a Água de Coco para todo o Brasil e internacionalmente também. Participamos da SPFW, temos lojas, uma parte da nossa equipe também fica em São Paulo e ao longo da nossa trajetória, construímos relações importantes de amizade e de trabalho por lá.

Em Fortaleza, será uma celebração completamente diferente, em um lugar histórico e muito importante da nossa cidade. Foi aqui que a Água de Coco nasceu, demos os primeiros passos e começamos a levar o nosso olhar para o Brasil e para o mundo. […] Fazer essa estreia aqui, reunindo nossa família, amigos, nossos colaboradores e tantas pessoas que fazem parte da nossa trajetória, é quase como fechar um ciclo e, ao mesmo tempo, começar um novo capítulo. É uma forma de agradecer ao Ceará e a todos que caminharam com a gente durante esses 40 anos.

PMT: Hoje o Renato assume um protagonismo cada vez maior na Água de Coco. O que vem norteando essa passagem de bastão entre mãe e filho? Do que foi construído ao longo de 40 anos, o que você espera que ele carregue como legado?

LT: Acho que essa passagem acontece de uma maneira muito natural. Nunca foi uma sucessão planejada, porque eu e Celio ainda estamos ativos e trabalhamos diariamente, mas o Renato cresceu dentro da Água de Coco, acompanhando de perto a construção da marca e entendendo, desde muito cedo, tudo o que existe por trás do negócio e do propósito da marca. Ele foi muito importante para trazer novos caminhos para a Água de Coco, o posicionamento de imagem, a criação de novas linhas e toda essa parte de parcerias – que é algo tocado por ele 100% e muito bem-sucedido!

Para mim, passar o bastão não significa deixar para trás tudo o que construímos, mas permitir que uma nova geração dê continuidade a essa história à sua maneira. Quero que ele carregue os nossos valores, o respeito pelas pessoas, a paixão pelo que fazemos e, principalmente, a coragem de continuar acreditando no nosso caminho. E assim, a Água de Coco seguirá o seu caminho, se perpetuando por muitos e muitos anos através dos meus netos e das próximas gerações da família. Esse é o meu desejo!

Renato Thomaz (Foto: Divulgação)

Plataforma MT [PMT]: Renato, você cresceu junto da Água de Coco. Como foi assistir ao documentário e ver essa história, que também é a da sua família, contada por outras vozes?

Renato Thomaz [RT]: muito emocionante. Meus pais não haviam visto o documentário ainda e dividir essa noite com eles, esse reconhecimento de toda uma trajetória de tanta dedicação, mas também tão admirada e bem-sucedida, foi o maior presente que eu já pude dar a eles.

Eu cresci dentro da Água de Coco, meu quarto era o depósito de tecidos, eu brincava entre os espaços que a minha mãe estava trabalhando e essa história sempre fez parte da minha vida. Quando a gente vive o dia a dia de uma empresa, muitas vezes, não consegue dimensionar tudo o que foi construído ao longo de 40 anos. […] Mas assistir ao documentário e ouvir tantas pessoas diferentes falando sobre a marca e sobre a trajetória da minha mãe me fez enxergar essa história por uma perspectiva que eu nunca tinha tido antes, porque mostrou o quanto ela foi corajosa em encarar um mercado que não conhecia e furar uma bolha, vinda do Ceará, para entrar no eixo Rio-São Paulo. Ela foi muito pioneira e resiliente.

PMT: Você tem falado sobre esse momento de transição dentro da marca. Como você descreveria a mudança na Água de Coco com a sua entrada à frente do negócio?

RT: Acho que é uma evolução muito natural de uma empresa que chega aos 40 anos. Com a maturidade, minha participação na operação da empresa foi aumentando gradualmente até me tornar sócio e formar um conselho diretivo com os meus pais. Isso não acontece para romper com o que foi construído, traçar novas diretrizes de gestão, mas para dar continuidade a esse trabalho, trazendo também um olhar de uma nova geração e caminhos potenciais que poderíamos seguir, para ampliar a presença da marca no mercado.

Eu vivo a Água de Coco desde muito cedo, então conheço profundamente a nossa história, os nossos valores e tudo o que nos trouxe até aqui. Ao mesmo tempo, tenho uma visão diferente sobre alguns caminhos que podemos explorar daqui para frente. Acho que esse encontro entre experiência e renovação tem sido um bom contraponto com os meus pais para sempre alinharmos expectativas e definirmos os próximos passos da marca.

PMT: Há um equilíbrio delicado entre preservar a trajetória da sua mãe e imprimir a sua própria visão, certo? Em quais pontos sente que deve manter a tradição e onde já sente confiança para inovar?

RT: Sem dúvida! A essência é algo que jamais poderá ser perdida. A relação com o Ceará, a brasilidade, a qualidade do produto, o cuidado com os detalhes e a nossa maneira de enxergar a moda praia são valores que fazem parte do DNA da Água de Coco e que seguirão presentes.

Ao mesmo tempo, existe espaço para buscar novas linguagens, novos públicos, novas experiências e novas formas de se relacionar com o consumidor. Acho que meu papel é justamente entender o que precisa permanecer e o que pode evoluir. Foi assim com a criação das novas linhas de produto, levando a marca do beachwear para o lifestyle, e em desenvolver parcerias com marcas globais como Disney, Netflix, etc.

E a minha mãe sempre teve muita coragem para fazer diferente. Então, para mim, inovar também é uma forma de respeitar esse legado.

Célio e Liana Thomaz, CEOs da Água de Coco (Foto: Divulgação)

PMT: A estreia em Fortaleza também celebra as raízes cearenses da marca. Qual o peso de lançar o documentário em casa, especialmente nesse momento de transição?

RT: É uma grande celebração e algo que nos orgulha muito. Poder viver esse momento em casa será muito especial e temos nos planejado há algum tempo para esse momento ser memorável para todos que estiverem conosco. Essa é a comemoração oficial dos 40 anos da marca onde tudo começou, junto à nossa família, amigos, parceiros… e, para um momento tão especial, escolhemos um lugar tão especial quanto, um dos símbolos da cidade para receber nossos convidados: o Cineteatro São Luiz, um lugar emblemático e muito representativo da nossa cultura.

E acho que isso ganha ainda mais significado nesse momento em que estou assumindo um protagonismo maior dentro da empresa ao lado dos meus pais. Existe uma responsabilidade muito grande em dar continuidade a esse legado construído por eles ao longo de quatro décadas, mas também existe muito orgulho e vontade de seguir em frente, construindo novos caminhos também.

PMT: Se você pudesse resumir, em uma frase, o que aprendeu com a Liana e o que pretende carregar ao longo dos próximos 40 anos da Água de Coco, como resumiria?

RT: “A coragem me trouxe até aqui!”. Foi isso que aprendi com a minha mãe e o que desejo levar [adiante] para construir o futuro da Água de Coco, sempre com muita honestidade –outro valor essencial dos meus pais. É essencial seguirmos em frente, escrevendo os próximos capítulos dessa história sem nunca perder as nossas raízes e esse orgulho em ser cearense.

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