O filósofo francês Gilles Lipovetsky esteve, nesta quinta-feira (17), em Fortaleza, onde participou do Mundo Unifor. Considerado a principal atração do evento, ele palestrou com o tema ‘A Sociedade da Sedução: emoção, mídias e economia’. Muita gente conhecida prestigiou o bate-papo realizado na Praça Central da Unifor.

No palco, o intelectual analisou o efeito do consumo na vida das pessoas. Suas argumentações possibilitaram que assuntos como a individualidade humana, a evolução tecnológica e a preocupação pela sustentabilidade entrassem em discussão. “O sistema político, educacional e econômico estão sendo reformulados pela operação da sedução. Todo o capitalismo do consumo, as mídias, a política estão sendo remodelados. Esses sites de namoro, por exemplo, você pode conhecer pessoas novas através do seu Smartphone, o que antes era muito limitado. Um outro exemplo é a maquiagem, que existe desde o Egito antigo, antes praticada somente nas altas classes da sociedade, hoje em dia é encontrada em todos os lugares, até meninas de dez anos de idade já começaram a passar batom. E claro, muitos filmes da TV buscam captar a atenção do público, nisso vemos um novo capitalismo, que eu chamo de capitalismo da sedução. O universo da sedução é muito maior do que era há um século”, disse.

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Autor de livros essenciais para entender questões contemporâneas, o pensador esteve em Fortaleza para o #MundoUnifor2019, onde palestrou para cerca de 2 mil pessoas. Na pauta da nossa conversa reveladora: o universo da sedução, tema do seu novo livro, e a busca incessante da sociedade hipermoderna pela felicidade. Confira na íntegra! @uniforcomunica @gilleslipovetsky #marciatravessoni #mtravessoni #gente #gentemarciatravessoni #gilleslipovetsky #lipovetsky #filosofia #consumo #oimperiodoefemero #unifor

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Para Lipovetsky, a sociedade hipermoderna, termo criado por ele, é marcada pelo individualismo e tem como foco o presente. A moda e o consumo ditam valores que ocasionam a busca pelo novo. “Precisamos combater o individualismo. Falamos muito que é cada um por si, as pessoas não tem mais valor, não se preocupam com os outros, mas é um caso para se discutir. Não concordo que isso começou de agora, mas as pessoas não são mais egoístas hoje em dia do que cem anos atrás, por exemplo. Tem muitas pessoas dispostas a ajudar os outros”, comentou.

Felipe Queiroz Rocha e Randal Pompeu
Fabiola Bezerra, Katherine Mihaliuc, Gina Pompeu, Monica Tassigny e Juliana Mamede

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A incessante busca pela felicidade também foi tema da conversa, que proporcionou um momento muito rico de reflexão: “Existe um mercado da felicidade, o desenvolvimento pessoal, os gurus, agora eu acho que é tudo uma ilusão. Não existe o segredo. Quando você tinha 15 anos não é a mesma coisa do que te faz feliz hoje. Às vezes você tem tudo o que você precisa para ser feliz e mesmo assim não se sente. A vida está sempre em movimento, nós mudamos o tempo todo. Quanto mais eu reflito, mais eu acredito que nós não devemos nos perguntar o tempo todo se estamos felizes, acredito que devemos tentar fazer coisas que nós amamos e depois a gente vê se irá se sentir mais feliz ou não”, provocou.

Ao fim da palestra, o filósofo participou de uma sessão de autógrafos com o livro ‘A sociedade da sedução – Democracia e Narcisismo na Hipermodernidade Liberal’, pela editora Manole.

Nossa publisher com o livro do filósofo em mãos

Confira cliques de alguns dos nomes presentes na palestra por Saulo Roberto: