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Bianca Misino e Cadeh Juaçaba fazem arte sobre fotos históricas de Fortaleza

Por Jéssica Colaço
Bianca Misino e Cadeh Juaçaba fazem arte sobre fotos históricas de Fortaleza

A memória de Fortaleza é sempre assunto de debates entre estudiosos e entusiastas da história da Capital: com quase três séculos de fundação, a nossa cidade costuma ser definida como desmemoriada, apesar de esforços em restaurar o patrimônio.

No dia em que a cidade da luz completa 294 anos, o Site MT decidiu contribuir na formação desse registro histórico e construir novas lembranças para a terra de Iracema, aproveitando a onda de renovação de esperança que o mundo se esforça em alimentar devido à pandemia.

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Convidamos Cadeh Juaçaba e Bianca Misino, dois jovens artistas visuais cujo trabalho toca na história de Fortaleza, e lançamos a eles o desafio de fazer intervenções sobre seis fotos antigas da cidade. As imagens foram gentilmente cedidas por Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez, que mantem um rico acervo fotográfico de Fortaleza.

Processo criativo

“Meu pai [Carlos Juaçaba] tem um acervo muito grande de imagens e já trabalho com isso há uns cinco anos, mas não diretamente, como fiz dessa vez”, descreve o artista visual Cadeh Juaçaba, 31, que costuma usar imagens de fachadas e outros elementos da cidade, como placas de estacionamento e pedaços de anúncios no próprio trabalho.

Cadeh Juaçaba

Para o Site MT, ele trabalhou três imagens: o antigo Farol do Mucuripe; o Palácio da Luz, no Centro de Fortaleza; e o desfile dos Pracinhas durante a 2ª Guerra Mundial.

“Na imagem do Palácio usei um trecho de uma fotografia de um dos leões da Praça dos Leões. Na foto do Farol, sobrepus com espaços vazios que não são mais vazios, fazendo referência à série do Zé Tarcísio, com estacas e loteamentos de dunas. Não costumo usar figuração, usei poucas vezes na minha carreira, mas na foto dos Pracinhas me chamou atenção esses dois meninos correndo como se os militares estivessem correndo atrás deles”, descreve Cadeh Juaçaba.

As intervenções nas fotografias foram feitas com imagens do próprio arquivo de Cadeh e, segundo ele, geram uma reflexão sobre a memória e o presente.

ANTES: Desfile dos Pracinhas para 2ª Guerra Mundial. (Foto: Arquivo Nirez)
DEPOIS: intervenção “Major”, por Cadeh Juaçaba

Novos significados

Já a também artista visual Bianca Misino, 31, se inspirou no contexto de dificuldades trazido pela pandemia de Covid-19 para dar novo significado a imagens de momentos históricos do passado fortalezense. “Vi que, além de serem momentos históricos da Cidade, são momentos que trazem um fundo de violência, foram momentos de conflito armado, com essa natureza bélica”, relata.

Bianca Misino

As imagens trabalhadas por Bianca foram: Quebra-quebra de 1942, movimento ocorrido em represália ao afundamento de navios mercantes brasileiros; deposição do governador Clarindo de Queiroz, em 1892; e a Igreja do Rosário.

“Eu quis fazer com que essas dificuldades do passado, sendo revisitadas agora no presente, tivessem uma outra natureza, não de conflitos violentos, mas tivessem uma mensagem de paz, das pessoas chegarem junto, estarem solidárias, trouxessem esse alento ao coração. Que esse aniversário seja celebrado nesse sentimento, de trazer do passado as lições que precisamos aprender, mas que a gente construa também algo novo e que esse momento pede, da colaboração verdadeira, da empatia, da união entre as pessoas, dos fortalezenses principalmente”, propõe Bianca Misino.

Nas imagens, ela acrescentou trechos do poema “Geometria dos Ventos”, de Rachel de Queiroz, que aborda a relação entre força e delicadeza.

ANTES: Deposição do governador Clarindo de Queiroz, em 1892. (Foto: Arquivo Nirez)

DEPOIS: intervenção por Bianca Misino

Veja abaixo a galeria completa com antes e depois das fotos trabalhadas por Cadeh Juaçaba e Bianca Misino:

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