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Cândido Pinheiro desvenda genealogia do homem nordestino em livros

22 jul 2021 | Lifestyle

Por Redação

Cândido Pinheiro escreveu coleção de livros que desvenda a genealogia do homem nordestino. O projeto iniciou há 25 anos (Foto: Divulgação)

O empresário Cândido Pinheiro Koren de Lima é o fundador da rede Hapvida. O que talvez não se saiba sobre o médico oncologista é que ele é autor de uma coleção de livros que desvenda a genealogia do homem nordestino no período colonial (1530-1815), assunto que ele aborda nesta entrevista ao Site MT. Cândido Pinheiro revela ainda o cuidado com os laços familiares e enorme entusiasmo na pesquisa a respeito da origem do povo cearense, em uma história que se confunde com a sua própria.

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Quem está em busca da cidadania portuguesa pela via sefardita conhece bem o trabalho do médico. Os livros dele, como “Branca Dias”, “Albuquerque: a herança de Jerônimo, o Totro”, e O legado do rabino Abrahan Senior”, inclusive, são considerados provas pela Comunidade Israelita de Lisboa (CIL). Durante conversa com o Site MT, Cândido contou que iniciou esse trabalho de pesquisa há 25 anos, quando ouviu rumores que haviam ancestrais judeus na família do pai dele. “Resolvi investigar isso, porque eu tenho insônia, sabe? Eu precisava ocupar esse meu tempo. Chegavam os relatórios do Hapvida por volta de meia-noite, e depois eu não conseguia mais dormir, acho que ficava excitado com os relatórios. Então consegui um livro com todas as matizes e origens do Brasil na Torre do Tombo. Na Biblioteca Nacional de Lisboa e de Madri encontrei processos de inquisição, livros sobre o tribunal do Santo Ofício, e aí vai… Comecei a fazer essa pesquisa e achei essa origem judaica”, conta.

Um dos trabalhos de Cândido Pinheiro, “Branca Dias”, que conta com três volumes, trata sobre a judia de quem o empresário é descendente. Ela foi prisioneira da Inquisição de Lisboa e após ser solta veio morar no Brasil. Grande parte dos nordestinos são descendentes da judia, que morou e faleceu em Pernambuco. 

“Encontrei essa origem tríplice (negra, judia e índia). Achei tão interessante e pensei em replicar isso e entender como aconteceu no Nordeste. E se acontecia com todos, se não era só comigo. Peguei o livro escrito por Borges da Fonseca [Nobiliarquia Pernambucana], governador do Ceará, pernambucano… Ele recebe uma solicitação de escrever uma genealogia das famílias nobres de Pernambuco colonial. Eu esparramei em cima de uma mesa tudo aquilo que ele escreveu sobre as famílias, e tentei fazer com que se derramasse sobre aquele tablado essa coisa que estávamos identificando como troncos, troncos ibéricos, brasileiros… E aquilo ficou uma coisa linda”.

“Eu comecei a entender essa origem judia, que deve ser repetir no Brasil na totalidade. Eu consegui entender a origem do Nordeste porque Pernambuco é pai e mãe do Nordeste. Especificamente no Ceará usamos a obra do Padre Sadoc. Nós encontramos coisas no Crato, em outros estados brasileiros e até no Sul. O brasileiro é um povo que tem todas as etnias no mundo. É uma coisa maravilhosa”. 

O livro de Cândido sobre Branca, por exemplo, reúne duas mil páginas. “São duas mil páginas de descendentes”, reforça ele. Borges da Fonseca quando fala da judia em seu livro, traz uma ironia: “O casamento de Branca Dias com Diogo Fernandes só foi feliz por não haver sucessão dele”. Segundo Cândido, isso aconteceu de forma proposital, já que o próprio Borges da Fonseca era familiarmente ligado a ela e a conhecia bem. “Branca teve 11 filhos. No Ceará documentado, ou seja, aquilo que passou pelo cartório, no Nordeste, o percentual de descendentes de judeus, índios e  muçulmanos, é 95% da população”, alerta o empresário.

Ele ainda pontua que Branca tem uma história extraordinária. Ao chegar no Brasil, após ser presa em Portugal, ela passou a praticar o judaísmo em casa e teve a primeira sinagoga familiar do Brasil. A judia também montou uma escola na casa dela para ensinar moças a se portar e cozer. “Boa parte dessas meninas foram denunciantes dela, quando o Santo Ofício chegou em Pernambuco, em 1593. Ela já havia morrido quando o Santo Ofício chegou aqui, mas foi a pessoa mais denunciada, todas as denúncias por judaísmo”.

Sucesso inesperado

Sobre o sucesso dos livros, ele confessa que não esperava. As publicações foram escritas antes da lei de Portugal, de 2015, que concede cidadania portuguesa aos descendentes de judeus sefarditas. “A Fundação Gilberto Freyre também não imaginava que isso pudesse acontecer. Começaram a procurar os livros, e o sucesso foi tão grande que tem alguns deles que eu não possuo nem o exemplar mais”.

Sobre escrever outros livros, Cândido não tem planos, já que “a insônia acabou”. “Me separei e casei de novo. Minha mulher hoje tem 38 anos, a mulher não deixa nem eu dormir, nem escrever uma linha. Eu me aposentei. Ou deixo a mulher, ou deixo os livros. Preferi deixar os livros”, disse, bem-humorado.

Mas revelou ainda que tem alguns prontos, um deles é o “As cinco judias”. “É sobre cinco judias que foram usadas pelo poder para procriar, umas por pura paixão e outras por necessidade. Mas isso originou uma descendência tão grande na península ibérica, que chega até ao Brasil”. O novo projeto é dedicado às netas. “Dedico esse livro as minhas netas, que são cinco. Esperando que elas nunca precisem ceder para sobreviver”.

As publicações estão à venda pela Fundação Gilberto Freyre, por meio do e-mail loja@fgf.org.br.

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