Ela tem apenas 18 anos, mas já conquistou e mostrou que tem o seu lugar no mundo das artes. Bia Soares, cearense com muito orgulho, como ela gosta de dizer, vem despertando o interesse de muita gente pelo seu trabalho com as artes visuais. Atualmente, morando na Espanha, ela não deixa de produzir e se especializar no que ama.

Conversamos com a artista sobre o seu processo de criação, o curso de Design de Moda, motivo pelo qual passa temporada no exterior, suas habilidades e inspirações. Herdando a arte dos pais, Bia já foi convidada para participar de diversos eventos, entre eles, a CowParade em Fortaleza. Vale a pena conferir essa conversa:

Bia chama atenção por seus desenhos exclusivos e conceituais nas estampas

Você possui um portfólio com peças de roupas pintadas à mão, telas e criação de estampas. Como se aproximou da arte? Alguém da sua família te incentivou?

Desde pequena demonstrei interesse por pintura, desenho e cores. A minha família notou e passou a incentivar e a estimular a minha criatividade. Meus pais, principalmente, sempre me mostraram a importância do contato com diferentes formas de expressão, como a fotografia, literatura, dança, música, pintura… Assim, visitas a museus, galerias, ver determinados filmes, escutar e discutir sobre música, história e filosofia, fizeram e fazem parte da minha vida. Então, falar do meu caminho na arte, do que consigo me recordar, é falar do meu caminho na vida. Destaco também o convívio com a minha avó materna. Ela tem uma habilidade, um bom gosto e uma estética de vida inspiradores. Com tudo isso foi natural perceber desde muito nova que trabalhar com arte era o que eu gostaria de fazer.

Você ingressou no curso de Design de Moda na UFC, como pretende seguir a carreira, após sua formação? Quer atuar no segmento da moda?

Embora eu tenha optado por Design-Moda na universidade, tenho me dedicado mais do que imaginei as artes plásticas. Ou seja, tenho pintado bem mais do que elaborado peças de roupa. Mas considero que há um diálogo constante entre estes mundos e transitar entre eles é um processo natural pra mim. Acredito que seja importante me desafiar em diferentes áreas artísticas, pois elas se interrelacionam. Acho que não conseguimos deter plenamente todas as linguagens. Então acaba que a fotografia é importante para a pintura, assim como, a música, o teatro, a dança, a escultura. Isso tudo influencia o processo criativo e estimula habilidades. Gosto de combinar e ressaltar cores, assimetrias e acessórios diversos. A representação da minha personalidade ou do meu estado num dado momento é o que acaba influenciando minhas roupas e minhas pinturas. Gosto de me desafiar e me proporcionar momentos de criatividade, que se refletem no vestir, na minha estética e claro, na minha arte. Expressar meus pensamentos e emoções não saem de moda pra mim.

A artista visual conta que pretende se aperfeiçoar em sua temporada fora

Você está passando uma temporada fora do Brasil, pode me contar mais detalhes?

O ano de 2019 tornou-se especial, de muito aprendizado e experiências novas, há muito sonhadas por mim. Tive a oportunidade de fazer, através da UFC, mobilidade acadêmica, onde estou iniciando um semestre na Faculdade de Bellas Artes de Granada. Estar aqui na Espanha, onde morei por um ano quando criança, é uma oportunidade incrível de estudo e imersão artística. Há aspectos da técnica da arte que são importantes aprender, mas há muito mais. A Espanha, assim como outros países na Europa, valorizam bastante a arte, que compõe uma parte significativa da cultura por aqui. Esta valorização, que se traduz em excelentes universidades, museus, galerias, acaba atraindo artistas do mundo inteiro. Atrai turistas também né?! A arte encanta e atrai as pessoas. Traz mais beleza pra qualquer viagem. Traz mais beleza pra vida né?!

Quem são suas principais referências no segmento da arte? A moda é uma inspiração também na hora de criar suas telas?

Busco retratar nos meus quadros mulheres que me inspiram e figuras criadas por mim com personalidade e com traços fortes. Figuras nas quais eu busco me espelhar. As primeiras mulheres que retratei eram inspiradas naquelas que admirava e amava, como minha mãe e minha avó. Percebo e crio uma imagem de mulher forte e livre, ou seja, a mulher contemporânea, empoderada, pra usar um termo do momento. As cores fortes e vibrantes são uma referência do meu trabalho. Adoro o impacto que as cores provocam. Inspira-me conhecer obras e mulheres a frente do tempo, como Frida Kahlo, Iris Apfel, Judy Chicago, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Yayoi Kusama, entre outras. Todas possuem traços únicos, mas em comum, são fortes e destemidas. Então gosto de manter essa ideia viva no meu trabalho.

Yayoi Kusana e Frida Kahlo são inspirações para a artista

Você é natural de Fortaleza, o Ceará te inspira?

Sim, e com orgulho. Me inspiro muito na cultura e arte do nosso Estado, que é muito rica e única. Merece ser valorizada, reconhecida e respeitada. Ano passado, tive a feliz oportunidade de participar da CowParade Fortaleza. Criei a XiloCow, inspirada na arte nordestina, literatura de cordel e xilogravura. Além de pintar uma das vaquinhas que estiveram espalhadas em Fortaleza, também tornou-se uma chance de conhecer artistas locais e ver como tem gente boa e talentosa na nossa cidade. Senti-me agraciada por esse convívio e a forma como fui acolhida! Um projeto que pra mim é também bastante relevante é o de conhecer mais o interior do nosso estado, pois há muita riqueza artística no Ceará! O processo da XiloCow, despertou em mim um desejo de conhecer mais sobre a arte nordestina.

Como as pessoas que têm interesse em adquirir seu trabalho podem entrar em contato com você? Você faz trabalhos personalizados, de acordo com o perfil do cliente?

No momento, a melhor forma de contatar-me seria através do Instagram ( @beatrizsoares__ ) ou pela plataforma de contato do meu website (https://www.biasoares.com.br ). Como estou em temporada de estudos e aprimoramento de técnicas no exterior, não estou realizando trabalhos personalizados por enquanto.