Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, o índice de crianças entre 6 e 12 anos diagnosticadas com depressão saltou de 4,5% para 8% na última década. Um dado alarmante que merece atenção, principalmente dos pais. Hoje, cerca de 400 milhões de pessoas lidam diariamente com um profundo e duradouro sentimento de tristeza e desesperança — isto é, o equivalente a 7% da população mundial, sendo que a maioria está concentrada em países em desenvolvimento. Para ampliar a discussão sobre o assunto e gerar interesse no conhecimento, conversamos com a psicóloga, especialista em Neuropsicologia e Psicomotricista relacional e diretora do NPC – Neuropsicocentro Clarissa Leão.

Clarissa Leão durante evento sobre a Conscientização do Autismo

ATENÇÃO NOS SINTOMAS

Muitas vezes, crianças depressivas acreditam que o desconforto e a tristeza são condições inevitáveis e naturais à sua existência. Dessa forma, não entendem essa situação como algo fora da normalidade, capaz de ser diagnosticado e resolvido. Isso faz com que os pequenos se escondam no próprio silêncio, se retraindo dos laços afetivos e inibindo uma das características mais importantes da infância: a surpresa da descoberta ao brincar. “Sintomas que podem ser presentes em casa e na escola. Existem uma diferença primordial. Quando se fala em depressão, a gente pensa logo no adulto, e existe uma marca que diferencia uma da outra. Irritabilidade e agressividade. Alteração de humor. Impaciência. É muito fácil confundir com o que se vê no cotidiano da infância”, garante Clarissa. Por isso a atenção deve ser redobrada dos pais e familiares.

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A PARTIR DE QUE IDADE SE PERCEBE UMA DEPRESSÃO INFANTIL?

Apesar de, geralmente, os sintomas serem diagnosticados em crianças entre 4 e 9 anos, a depressão infantil pode surgir também em bebês. Nesse caso, a cautela precisa ser ainda maior. “A privação de afeto pode gerar um quadro de depressão em bebês. Um olhar vazio, parado, deve ser prestado atenção”, alerta a profissional. Os causadores da doença variam. Eles podem ser uma predisposição genética; traumas, como abuso sexual ou psicológico; convivência familiar, principalmente no que diz respeito à relação com a mãe; problemas durante a gestação e alguns traços próprios do temperamento.

TRATAMENTO

“Psicoterapia é o mais indicado. Primeiro uma investigação médica. Na criança, a gente sempre precisa excluir causas médicas. No caso da depressão, um acompanhamento de um psicólogo e um psiquiatra é o ideal”, comenta, assertiva, a psicóloga. Como é recorrente em quase todos os distúrbios psíquicos, o diálogo ainda é a melhor maneira para entender e diagnosticar a doença. “Converse com seus filhos, mantenha a comunicação constante e o afeto. O bom relacionamento dentro de casa pode evitar, de maneira efetiva, quadros de doenças mentais”, finaliza.

SOBRE O NPC E O NPC LIFE

Clarissa Leão e Silviane Andrade são as diretoras do NPC e do NPC Life

Referências no Ceará e no Brasil em tratamentos multidisciplinares para os mais diversos transtornos do neurodesenvolvimento, o NPC e o NPC Life são o primeiro Centro de Reabilitação do país a oferecer tratamento para pacientes com TDAH, Autismo e outros tratamentos com o Parque Multissensorial 6D, e pioneiros em Fortaleza na abordagem transdisciplinar, o que permite uma maior interação entre os profissionais e, com isso, uma maior evolução no tratamento.

SAÚDE MENTAL