Com uma carreira consolidada no Ceará, a trajetória de Suzane Farias como designer de joias nasceu por acaso. Por gostar muito de pedras, decidiu se aprofundar no assunto em 2004, quando lançou a primeira coleção, que ganhou o nome de “Natureza“. Confira entrevista na íntegra com ela: 

Como surgiu seu interesse pelo segmento das joias? Teve influência de alguém?

Comecei o trabalho como designer de joias por acaso. No início, criava apenas para mim. A paixão pelas joias e pelas pedras me levaram a conhecer e estudar o assunto e em 2004 decidi lançar a primeira coleção. De lá para cá são mais de dez coleções e muitas alegrias.

Você faz parte da associação Mujeres Brillantes. Como a associação funciona?

A Associação Internacional Mujeres Brillantes (Mubris) está presente no mundo todo, incluindo no Brasil, no qual sou membro desde 2017. Ela funciona de acordo com as regras de cada País. Fazemos varias ações educativas , networking e eventos regionais e internacionais. No último ano o encontro mundial foi na cidade de Madri , mas já estivemos em Vicenza- Itália e Cidade do Panamá – Panamá, que aliás é o país onde tudo começou em 2016 . Nosso principal objetivo é contribuir para a visibilidade e o desenvolvimento da mulher joalheira, além de aproximar o consumidor final à arte da joalheira. À nível mundial já somos quase mil membros.

Você vai expor suas peças em Madri, correto?  Em uma Galeria chamada Kosmina e no Museu de Arte Decorativa de Madri… Como surgiram os convites? Como se sente em expor suas peças em outro país?

Sim, vou participar do time de designers da Galeria Kosmima de forma permanente e da III Muestra de Orfebrería y Joyería Contemporáneas, que vai de 31 de janeiro a 07 de abril.  O convite para entrar para a Kosmima veio após a participação no encontro anual das Mubris durante a Madrid Joyas, em setembro do amo passado, onde as donas da galeria conheceram meu trabalho. Desde então ficamos em contato e fechamos a parceria, que iniciou com um coquetel de abertura no dia 24 de janeiro. Já na Mostra do Museu, a participação se deu por convocação e seleção de trabalhos apresentados. No meu caso, apresentei 5 trabalhos que foram selecionados e estarão expostos durante as 10 semanas.

Você está trabalhando em uma nova coleção? Se sim, pode contar algum detalhe? Ou trabalha com joias sob encomenda? Como funciona?

Meu trabalho de criação é constante. Eu não paro! No momento, estou desenvolvendo peças da coleção “Calçadas”, que veio após a “Azulejos”, numa sequência muito interessante. Ideia lançada por uma amiga e que eu simplesmente adorei! Ja divulguei algumas peças, mas ainda vem muita coisa bacana por ai! Embora esteja em pleno desenvolvimento de uma coleção, nunca deixo de criar peças que me vêm à cabeça, mesmo que fora do tema, bem como de criar algo que me seja solicitado por encomenda, como, por exemplo, peças para noivas.

Quem são suas principais inspirações e referências na hora de criar joias?

Minha inspiração vem de varias fontes. Sempre trabalho com uma soma de coisas, de pequenos estímulos. Livros, filmes, uma folha de uma árvore ou a roupa de alguém, uma escultura, um objeto qualquer… Tudo pode me trazer uma ideia. Meu olhar e minha emoção naquele momentofazem com que aquilo se torne importante e inspirador… E partir daí surgem os desenhos que se transformarão em aneis, brincos, pulseiras e o que mais minha imaginação criar!

Quais seus planos para 2019?

Inicio o ano já concretizando alguns, com a minha participação na Galeria Kosmima em Madri. Pretendo expandir essa participação no exterior e creio que seja esse o meu principal plano para 2019 e para os próximos anos também! Estou também com outro projeto, que iniciei em 2018, mas esse ano pretendo dar especial atenção. São “joias para casa”. Pequenos objetos como caixinhas, bancos, mesinhas, sempre com alguma forma ou material que uso nas minhas peças. As joias crescerão de tamanho, mas continuarão sendo joias.

Gostaria de acrescentar alguma informação que eu não perguntei?

Minha frase: “criar uma joia é ir além do objeto em si, é preciso despertar emoções, prazer e provocar o desejo nas pessoas”. 

Veja a matéria do Diário do Nordeste, veiculada no dia 27 de janeiro de 2019: