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Conheça a Associação Lua Rosa, grupo que apoia mulheres com câncer de mama em Fortaleza

27 out 2022 | Living

Por Tainã Maciel

Fruto da união entre mulheres que venceram o câncer de mama, Karla Veruska, Tarcianne Patrício e Tereza Velma, a Associação Lua Rosa nasceu em 2020

Membros da Associação Lua Rosa (Foto: Reprodução/Instagram)

Não é de hoje que a campanha Outubro Rosa é celebrada anualmente com o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre o câncer de mama. Mas você já parou para refletir de forma concreta sobre o assunto? Em Fortaleza, a Associação Lua Rosa se destaca por ações de apoio a mulheres diagnosticadas com câncer de mama ou que já estão recuperadas. O grupo abraça cerca de 200 mulheres e suas vivências, como a história da professora Cyntia Tavares, 45, que, após sentir um simples incômodo, foi diagnosticada numa sexta-feira de Carnaval.

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“Eu estava me recuperando de uma cirurgia estética de mama, realizada em julho de 2019, quando senti um caroço na mama direita. Como eu tinha idas semanais ao cirurgião plástico, apresentei o incômodo, mas ele afirmou que era fibrose, muito comum no pós-operatório. Aceitei o que falava, mas, por insistência do meu marido, fui à minha ginecologista em outubro do mesmo ano. Fiz mamografia e US, mas os resultados também não apontaram o câncer. Em janeiro de 2020, decidi voltar à minha médica, que na ocasião não tinha agenda e, por isso, procurei uma nova, que desconhecia o meu histórico. Nossa consulta ocorreu em fevereiro, expliquei que tinha exames de uma pessoa saudável, mas que tinha o incômodo deste caroço que parecia estar crescendo. No exame clínico, ela o identificou e solicitou uma ressonância magnética. O resultado foi suspeito e, após rápida investigação, recebi o diagnóstico em 21 de fevereiro de 2020“, conta.

Cyntia Tavares é professora e coordenadora do curso de Design de Moda da UFC (Foto: Reprodução/Instagram)

Em entrevista à Plataforma MT, Cyntia relata ainda como recebeu a notícia que transformaria a sua vida. “Apesar do inesperado e de todo o estigma que a doença traz, lembro de ter me sentido tranquila. Não houve revolta, nem questionamentos. Eu entendi que aquilo fazia parte da minha passagem aqui na terra, e que eu buscaria me tornar uma pessoa melhor ao longo do tratamento. Busquei tirar coisas boas de uma situação ruim, porque essa é a forma como eu costumo encarar as situações adversas”, conta.

Os passos que sucederam o pós-diagnóstico de Cyntia cruzaram o período da chegada da pandemia de coronavírus no Brasil e ela realizou a cirurgia de retirada do câncer em 18 de fevereiro de 2020, dia do decreto de lockdown no Ceará. “No dia seguinte, me mudei com a família para a casa dos meus pais, onde permaneci durante todo o tratamento. Iniciei a quimioterapia em abril, com um protocolo de 16 sessões, que finalizou em agosto de 2020. Em setembro, iniciei as sessões de radioterapia. Foram 25, finalizadas no final de outubro. Desde então, sigo em hormonioterapia, protocolo de segurança por mais 10 anos”, explica.

Primeiro contato

Cyntia Tavares, que é professora e coordenadora do curso de Design de Moda da Universidade Federal do Ceará (UFC), conheceu a Associação Lua Rosa ainda durante o tratamento. “Quando estava finalizando as quimios, uma amiga comentou que uma outra amiga em comum havia tido câncer de mama há um ano e que criara um perfil no Instagram para relatar o processo e falar da vida após o câncer. No dia seguinte, passei uma mensagem na própria plataforma, falando que eu tinha gostado muito do perfil e que estava me ajudando. Conversamos muito e, ao final, ela falou que estava com um projeto novo e que gostaria que eu fizesse parte. Esse projeto era a Associação Lua Rosa”, lembra.

Fruto da união entre três mulheres que venceram o câncer de mama, Karla Veruska, Tarcianne Patrício e Tereza Velma, a Associação Lua Rosa nasceu em 2020 em meio à rotina de tratamentos, grupos de apoio e encontros comuns das fundadoras nas salas de espera dos consultórios ou nos laboratórios onde são realizadas a quimioterapia ou radioterapia.

“A gente fazia parte do mesmo grupo de WhatsApp, tínhamos vontade de crescer e de levar informação para as mulheres. Em plena pandemia, começamos a nos reunir de forma online e criamos a associação na cara e na coragem. Queríamos um grupo que desse mais amparo para as mulheres, principalmente, para as mulheres jovens e mostrar que o câncer não tem idade“, conta Karla Veruska, co-fundadora e atual presidente da Associação Lua Rosa.

Karla Veruska é presidente da Associação Lua Rosa (Foto: Reprodução/Instagram)

Segundo Karla, o objetivo da associação é levar informações verídicas e falar daquilo que, muitas vezes, não é citado dentro do consultório médico. “Muitas mulheres sentem vergonha e têm dúvidas por não saberem o que vai acontecer no pós-câncer. Falamos sobre sexualidade, família, casamento, educação financeira, dúvidas acerca do tratamento, quem são os melhores profissionais de Fortaleza para cada caso e, assim, a gente vai construindo. Também queremos mostrar que com o diagnóstico precoce nós podemos, sim, ter uma chance de cura de quase 100%”.

Identificação

Uma das atividades promovidas pelo grupo é o projeto de canoagem e foi por meio dele que Cyntia começou a se engajar na associação de forma mais ativa, após participar de encontros virtuais. “Em maio de 2021, o projeto começou a acontecer e, em paralelo, eu tomei a primeira dose da vacina contra a Covid. Ela foi fundamental para que eu pudesse ter coragem de me inserir na equipe e sentir a energia de mulheres tão diferentes, mas com as quais eu me identificava pela doença”, relata.

Cyntia Tavares participa de atividades, como canoagem (Foto: Reprodução/Instagram)

A professora paulista, com alma cearense, afirma que participar da associação foi a realização do sonho de ser engajada em projeto sociais. “Tudo foi acontecendo de modo muito orgânico, acho que porque eu pertenço a esse grupo. Não sou alguém de fora querendo mudar uma realidade, mas alguém que sabe o que essa realidade é. Sempre me relacionei bem com as pessoas ao meu redor, mas nunca havia passado pela experiência de formar redes. Acho incrível essa possibilidade de ser ponte e unir diferentes potências para fazer algo grande, porque usar tudo o que somos, em toda a nossa grandeza, para ajudar o outro, é incrível”.

As fases da vida

O apoio mútuo e identificação é fonte para a Associação Lua Rosa que ganhou esse nome em referência às fases da lua – e da vida. “A lua tem várias fases, assim como uma mulher diagnosticada com câncer de mama. A gente começa pequena e minguante quando tem o diagnóstico e depois vai crescendo, crescendo e vendo que cada fase, que cada momento, é único e que tudo passa. É essa mensagem que a gente mostra, que o câncer é apenas uma fase da vida, não é o determinante, não é o fim e você vê que a lua sempre vai se renovando”, diz Karla Veruska.

Associação Lua Rosa (Foto: Reprodução/Instagram)

Hoje, o grupo tem vários projetos em diferentes eixos: o “Forma Lua”, que inclui assistência social, psicológica e jurídica, além de priorizar momentos de fé entre as associadas; o “Empodera Lua”, que além de grupos de estudo, orienta as associadas em seus empreendimentos; e o “Movimenta Lua”, que proporciona momentos de atividades esportivas, destinados a cada uma dessas mulheres, de acordo com suas necessidades. Golfe, canoagem, corrida e bike são algumas das atividades oferecidas.

Interessadas em participar da associação podem entrar em contato por meio do perfil no Instagram ou pelo WhatsApp (85) 9 81202006. A Associação Lua Rosa recebe doações de cestas básicas, de lenços, turbantes, perucas e valor monetário para a contribuição dos projetos. Além do Instagram, as doações podem ser realizadas via PIX: [email protected].

Previna-se

O câncer de mama é o mais incidente em mulheres no mundo, com aproximadamente 2,3 milhões de casos novos estimados em 2020, o que representa 24,5% dos casos novos por câncer em mulheres. É também a causa mais frequente de morte por câncer nessa população, com 684.996 óbitos estimados para esse ano (15,5% dos óbitos por câncer em mulheres), segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC).

Como medidas que podem contribuir para a prevenção primária da doença, estimula-se, portanto, praticar atividade física, adotar uma alimentação mais saudável e evitar ou reduzir o consumo de bebidas alcóolicas.

O sintoma do câncer de mama mais fácil de ser percebido pela mulher é um caroço no seio, acompanhado ou não de dor. A pele da mama pode ficar parecida com uma casca de laranja; também podem aparecer pequenos caroços embaixo do braço. Deve-se lembrar que nem todo caroço é um câncer de mama, por isso é importante consultar um profissional de saúde.

Toda mulher com 40 anos ou mais de idade deve procurar um ambulatório, centro ou posto de saúde para realizar o exame clínico das mamas anualmente, além disso, toda mulher, entre 50 e 69 anos deve fazer pelo menos uma mamografia a cada dois anos. O serviço de saúde deve ser procurado mesmo que não tenha sintomas.

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