A empresária, atriz e ex-modelo Betty Prado falou em entrevista exclusiva ao MT Galeria sobre sua carreira, vida pessoal, moda e seu novo empreendimento, a BemGlô. Para ela, a indústria da moda precisa se reinventar para diminuir o impacto ao meio ambiente.

“A moda precisa se reinventar para diminuir os danos à natureza. É preciso repensar toda a cadeia produtiva até o consumidor final”, ressalta. Betty Prado é uma das palestrantes do MaxiModa 2019.  No evento, ela falará sobre como criou a BemGlô, rede de moda sustentável online e offline, e os desafios para fazer a “rede do bem“.

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 O MaxiModa ocorre no dia 9 de agosto, no Theatro RioMar Fortaleza, na Capital cearense. O evento abordará o desenvolvimento de negócios nos tempos atuais, com foco principalmente na internet. 

Betty foi a primeira brasileira a participar do Supermodel of the World, em 1982. Na época, ela chegou a ficar entre as quatro finalistas da competição. Há cinco anos, ela fundou a BemGlô (uma rede do bem) junto com a atriz Glória Pires, sua amiga de décadas, e Orlando de Morais. Confira a entrevista completa com Betty Prado.

Betty, você já foi atriz, modelo e agora atua como sócia da BemGlô. Como foi essa transição das passarelas e da TV para o escritório? 

Vejo minha vida como uma grande colcha de retalhos. Cada experiência vivida me ajudou a chegar até aqui, fazendo o que acredito, com verdade e coração. 

Como foi a sua chegada à BemGlô? 

Na verdade, a Bemglô nasceu da amizade que tenho há mais de 30 anos com a Glória e Orlando. Tivemos a ideia de criar uma plataforma para compartilhar práticas e convicções que acreditamos, e que sempre fizeram parte de nossas vidas. Daí fizemos um e-commerce com conteúdo. Mostramos, na prática, que é possível ter um consumo sustentável. Constamos as histórias de quem faz e mostramos toda cadeia de produção [da roupa] até chegar às mãos do consumidor. Tem sido um trabalho de mudança de paradigmas. Tentamos reeducar as pessoas para a valorização do que é feito à mão, para que o consumo seja cada vez mais consciente. 

Presente há quase cinco anos no meio digital, a BemGlô recentemente inaugurou seu espaço físico, em São Paulo. Como tem sido essa experiência? 

Tem sido maravilhosa! Estamos no coração da rua mais fashion do Brasil. Acho que a BemGlô tem sido uma experiência muito boa para todos que nela entram. É uma reflexão sobre muitas coisas que gostamos de falar, como mudança de hábitos, consumo consciente, a cultura através do artesanato brasileiro, economia circular, feito à mão, entre outros. 

Antigamente, muitas marcas iniciavam no offline e depois investiam em um site, um e-commerce, por exemplo. Como você avalia o movimento contrário da BemGlô, que surgiu no digital e agora chegou no offline? 

Sempre fui apaixonada por inovação e novas tecnologias. A ideia do e-commerce foi justamente por entender que poderíamos disseminar mais facilmente o conceito da marca e nossos propósitos. Através do digital, chegaríamos a mais pessoas. A experiência física da marca seria uma consequência natural para ‘tangibilizar’ a experiência digital. 

Como tem sido a recepção dos consumidores da BemGlô? 

Muito positiva. Os consumidores que já se preocupam com o consumo consciente, ficam encantadas com a proposta da BemGlô, de unir multi marcas e seus produtos em torno de um mesmo propósito. Para aqueles consumidores que estão sendo impactados pela primeira vez, é uma chave que muda. Parece que eles passam a perceber o mundo a partir de uma nova ótica. Entrar na BemGlô é uma experiência que começa com a ruptura do urbano da cidade. É como adentrar um portal, onde passarinhos entoam as vozes da natureza e as pessoas sentem essa conexão. O story telling de cada produto é contado por nossa equipe, e isso embasa os propósitos da marca.

Hoje em dia, é possível perceber um movimento da moda em prol da sustentabilidade, seja na economia de água, seja no uso de materiais menos prejudiciais à natureza. De que maneira a BemGlô e você contribui para esse movimento? 

Trabalhamos apenas com marcas que estão alinhadas a esse movimento. Marcas que de alguma forma se preocupam com a sustentabilidade em sua cadeia produtiva, criam uma moda atemporal, que não se preocupam com tendências, que usam matérias primas orgânicas ou resíduos da indústria têxtil, fazem uso do tingimento natural, gerando menos impacto no meio ambiente. Eu há anos consumo muito pouco, quando compro algo. Procuro comprar em brechós ou de marcas que sei a procedência. Minha primeira pergunta é ‘quem fez?’ 

Na sua opinião, como é possível inovar na moda atualmente? 

A moda precisa se reinventar!  O impacto que a moda gera no meio ambiente é gigante. É preciso repensar toda a cadeia produtiva até o consumidor final para diminuir os danos à natureza. Hoje em dia, já é possível perceber um movimento da moda em prol da sustentabilidade, o movimento Fashion Revolution, o uso de materiais menos prejudiciais à natureza, a economia de água. Temos um longo caminho pela frente. 

Para você, qual a importância de eventos como MaxiModa, que se lançam no desafio de discutir o business da moda no País? 

Todo esforço em torno da discussão de novos caminhos para o negócio da moda e sua cadeia produtiva é bem-vinda! Acho muito importante um evento como o MaxiModa. Me sinto honrada em ter sido convida e fazer parte dessa discussão.

Fotos: Divulgação