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Conheça Todos os Poemas, marca cearense que evidencia o bordado manual

Por Cintia Martins
Conheça Todos os Poemas, marca cearense que evidencia o bordado manual
Daniella Milério, Joana de Paula e Angélica Freitas conduzem a Todos os Poemas. (Foto: Marília Camelo)

Comandada pelas designers Angélica Freitas, Joana de Paula e Daniella Milério, a Todos os Poemas tem o nome inspirado no livro de mesmo nome do escritor Paul Auster e surgiu em 2017, com a proposta de trabalhar o artesanato cearense a partir da junção do tradicional com o contemporâneo. O resultado são peças atemporais que denotam delicadeza e cuidado com o planeta e com a cultura popular.

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“Nossa proposta é, a cada nova coleção, continuar buscando formas para traduzir nosso desejo de transmitir emoções e de sermos atemporais, sem tendência, sem inverno, nem verão, sem ano e sem categorias. Mas com propósito e desejo de aprender junto, de encorajar, de mudar vidas. Acreditando, perseverando, compartilhando e repartindo para sermos ponte, isso nos orgulha”, diz Angélica Freitas.

A marca, pontua Angélica, é comprometida com a tradição e acredita na junção do design com o artesanato, por meio da simplicidade e sofisticação das peças bordadas à mão. O resultado são edições limitadas a cada coleção. “Trabalhamos com um grupo de artesãs bordadeiras do interior do Ceará, que fazem uma produção pequena, em tempo humano e compartilhando histórias, saberes e fazeres”. 

Para a produção das peças, as designers utilizam principalmente fibras naturais como o linho, a seda e o algodão, que estão de acordo com os anseios sustentáveis da marca. “Optamos por usarmos sempre tecidos de fibras naturais por uma questão de qualidade e durabilidade, já que não fazemos peças por estação, e por uma questão de sustentabilidade também”, defende a sócia.

A sustentabilidade é uma pauta importante para a Todos os Poemas, exemplo disto, é que a brand erradicou o compartilhamento de sacolas de papel, optando por ecobags de pano reutilizáveis, que se transformam em acessórios para as clientes. 

Cultura popular 

O processo criativo da marca, segundo Angélica Freitas, é muito orgânico e envolve as três sócias mais um grupo de artesãs cearenses, que também opinam e ajudam durante o trabalho, o que torna tudo mais dinâmico. Elas usam como guia alguns parâmetros que reforçam a identidade da brand e o compromisso de preservação da cultura popular.

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“Nosso guia inicial é o bordado feito com mão de obra artesanal. O uso de produtos de fibras naturais também fazem parte desse processo. E, por último, o guia cultura local, o que tem no Ceará, o que tem em Fortaleza, no Nordeste, que ainda não abordamos, um tema interessante, uma festa interessante, uma cidade interessante, que a gente não viu ou as pessoas ainda não olharam com um olhar mais atento, que procuramos ter e mostrar nas peças”, destaca. A cultura popular esteve presente na coleção ‘Reisado‘, de 2019, que remete à tradicional festa do calendário do Cariri cearense e Cariri pernambucano

“Acreditamos no trabalho coletivo e no artesanato como uma poderosa ferramenta de descolonização. Também acreditamos na beleza da cultura popular. Numa força estética que vem de onde menos esperamos”, defende ela.  

O dragão, o peixe e o mar

A próxima coleção da brand cearense, ‘O dragão, o peixe e o mar’, será lançada no dia 9 de outubro e reúne elementos mágicos em cenários cotidianos. A coleção que traz cor, abundância e muita alegria foi inspirada na escola criada por Chico da Silva, pintor e morador do Pirambu, bairro da periferia de Fortaleza. “Ele imaginou um mundo fantástico onde a criatividade era ferramenta para vencer o desafio da sobrevivência e da exclusão social”, diz Angélica. 

Peça da coleção ‘O dragão, o peixe e o mar’. (Foto: Divulgação)
Peça da coleção ‘O dragão, o peixe e o mar’. (Foto: Divulgação)

“Continuamos seguindo o fluxo coração-mão, respeitando o tempo do lugar, do fazer, do ser, usando o linho e a seda, bordado à mão em tempo humano, na parceria linda com mulheres montanhas que tanto nos ensinam e nos acolhem. Hoje, em meio a um cenário que beira a distopia, o realismo mágico nos dá a possibilidade de trazer a arte, a magia e a fantasia para dentro das nossas vidas. Para encantar, para consolar, para acalentar, para nos dar a impressão de que algo maravilhoso pode acontecer a qualquer momento”, finaliza.

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