Aniversariante desta quinta-feira (19), Costanza Pascolato pode dizer que foi testemunha dos momentos mais icônicos da moda mundial. Nascida na Itália durante a 2ª Guerra Mundial, acompanhou durante seus 80 anos a reconstrução do Ocidente, o avanço da Pop Art, o nascimento do prêt-à-porter e a sofisticação da alta-costura. Hoje colunista da Vogue Brasil, editora, consultora e ícone fashion, ela, que já foi palestrante do MaxiModa em 2011, é conhecida pela personalidade irreverente e o estilo antenado.

Márcia Travessoni recebeu Costanza Pascolato, na foto ao lado de Renata Jereissati, como convidada da edição 2011 do MaxiModa

Filha de empresários da tecelagem, Costanza convive com o universo da moda desde pequena. Na escola, ficava de castigo por vestir o uniforme de forma diferente, com a barra da saia elevada e o casaquinho ao contrário. Nessa época, já insistia em ser inovadora. Seu guarda-roupa, então, era familiarizado com grifes como Christian Dior, Pierre Cardin e Balenciaga.

Em 1971, teve a oportunidade de trabalhar na Editora Abril, com as Revistas Cláudia e Cláudia Moda, sua porta de entrada para o mercado de moda. Costanza estava no lugar certo na hora certa, visto que nessa época surgiram as primeiras marcas prêt-à-porter no Brasil. Durante o período em que foi casada com o banqueiro americano Robert Hefley Blocker, frequentou Nova York no auge da Pop Art, movimento artístico que influenciou sua visão de moda e estilo.

“Vivíamos em um cenário excitante, glamouroso como o do seriado Mad Men. Industriais, artistas, publicitários, protagonistas de uma cultura que questionava costumes e gêneros, como Andy Warhol e Truman Capote, eram as pessoas que encontrávamos nos eventos”, diz ela. “E eu já usava as minissaias curtas como as de Mary Quant, que chocavam ambientes mais conservadores”, relata em seu site oficial.

Na década de 80, passa a escrever sobre moda para a Folha de São Paulo, assume um cargo na empresa da família, Santaconstancia, e funda sua consultoria de moda, responsável por consagrá-la no mercado da moda. Nos anos 90, ultrapassa um período dramático em sua vida, em que sofre a perda de seu grande amor, o italiano Giulio Cattaneo, e é diagnosticada com depressão e câncer de mama. Mesmo nos momentos mais difíceis, é com leveza e serenidade que vence as intempéries. 

A Elegância do Agora

De tão marcante, a trajetória de Costanza merece ser eternizada. Tão magnânima responsabilidade foi assumida pela própria Costanza, ao escrever o livro “A Elegância do Agora”. A obra lançada em setembro, em São Paulo, é uma espécie de biografia envolvente. Nos escritos, Costanza discorre sobre a vida pessoal e sua relação com moda e estilo, que sempre foram pautados nos princípios da verdade e da ética. É um retrato intimista do que viveu dentro e fora do trabalho, envolvendo questões filosóficas e assuntos como sororidade, feminismo e a importância de observar a sociedade.

A publicação, que conta com fotos de Bob Wolfenson e ilustrações de Brunna Mancusi, é uma desculpa também para Costanza dá sua opinião sobre o momento atual da moda. Segundo ela, as tendências de comportamento giram em torno doageless, geração que se livrou da tirania da idade, e dos perennials, termo derivado de “millennials”, para descrever um estilo de vida longe dos estereótipos e com constante vontade de criar.

Falando em tirania da idade, Costanza parece estar lidando bem com seus 80 anos. Adepta da meditação transcendental ou mindfulness, ela também pratica pilates e não dispensa uma boa caminhada. Durante as semanas de moda, chega a caminhar até 7 km sem reclamar. Realmente an icon living!

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Fotos: Arquivo/Reprodução