19 nov 2025 | MT Acontece

No Instituto de Música Jacques Klein (IMJK), a celebração do Dia da Consciência Negra vai além do calendário e se manifesta diariamente nas histórias, trajetórias e sonhos dos alunos. Em um território marcado por resistência, como o Passaré, onde a luta por moradia e dignidade atravessa gerações, o instituto desenvolve um trabalho em que o pertencimento é a principal força de transformação.
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Mensalmente, o IMJK beneficia indiretamente cerca de 2.200 famílias, atendendo mais de 500 crianças e adolescentes nos programas PEDH (Programa Envolver de Desenvolvimento Humano) e PMJK (Programa de Música Jacques Klein). Ao todo, 98% dos alunos estudam na rede pública, 87% são jovens pretos e pardos, 53% são do gênero feminino e 40% não têm acesso ao saneamento básico, vivendo em condições que tornam temas como igualdade racial menos acessíveis, seja pela urgência da sobrevivência, seja pela falta de letramento racial.
A organização atua no entorno do bairro Passaré, onde aproximadamente 52% da população vive abaixo da linha da pobreza, com renda per capita inferior a R$ 700 mensais, segundo dados do IBGE. No território, a taxa de desemprego chega a 22%, número superior à média de Fortaleza, que foi de 12% em 2023. Assim, iniciativas como as desenvolvidas pelo IMJK se tornam fundamentais para a transformação de toda a comunidade.
Para o instituto, comemorar o Dia da Consciência Negra é reconhecer a luta, a resistência e a potência da população negra e, também, celebrar novas possibilidades de futuro. Nesse cenário, três jovens músicos representam a força transformadora da arte e da representatividade: Guilherme Benvindo, Yasmin Lima e Sara Martins.

Aos 20 anos, Guilherme Benvindo, contrabaixista da Orquestra Jacques Klein e estudante de Licenciatura em Música (UECE), iniciou sua trajetória no instituto em 2014, aos 9 anos. Primeiro universitário da família, ele entende o 20 de novembro como um marco de luta e destaca que artistas negros abriram caminhos que hoje permitem sua presença na música erudita. Para Guilherme, cada conquista vem acompanhada de responsabilidade, expressa em seu compromisso de sempre dar o melhor.

Yasmin Lima, 14 anos, violinista da Orquestra Juvenil, conheceu a música clássica apenas ao chegar ao IMJK e se encantou de imediato. Sonha em tocar pelo mundo e conquistar uma bolsa de estudos no exterior. Para ela, o Dia da Consciência Negra reforça a importância de lembrar a luta por liberdade e valorizar a cultura afro-brasileira. Yasmin representa o talento jovem que floresce quando encontra oportunidades reais.

Sara Martins, 23 anos, violoncelista da Orquestra Jacques Klein, transformou desafios em impulso para seguir na música. Apaixonou-se pelo violoncelo ainda adolescente e, anos depois, realizou uma vaquinha para comprar seu próprio instrumento. Em 2022, alcançou o sonho de integrar a orquestra. Hoje, Sara reflete sobre a desigualdade racial ainda presente no país e no meio musical, lembrando que pessoas negras muitas vezes precisam provar o dobro para ocupar espaços. Sua trajetória é um exemplo de resistência, afirmação e orgulho.
No IMJK, cada estudante tem a oportunidade de aprender música e a possibilidade de se reconhecer, se orgulhar e pertencer. Neste 20 de novembro, o instituto celebra a negritude que pulsa nas mãos, nos sonhos e nas vozes de seus alunos, com um passado de luta, um presente de conquistas e um futuro promissor construído pelos jovens.