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Conheça a cearense que criou a canga usada por Juliette

3 fev 2022 | Notícias

Por Redação

A artista visual Terezadequinta, 34, criou a canga “Mulher Nordestina”, usada pela vencedora do BBB 21

Por Stéphanie Sousa e Tainã Maciel*

Terezadequinta presenteou Juliette com a peça (Foto: Reprodução/Instagram)

Desde a participação no BBB 21, a paraibana Juliette Freire tornou-se um fenômeno — dentro e fora das redes sociais — e quase tudo que a vencedora do reality “toca” vira ouro. Em dezembro de 2021, a fama da ex-BBB alcançou a artista visual Terezadequinta, 34, isso porque Juliette compartilhou alguns stories usando a canga “Mulher Nordestina”, disponível na loja virtual da cearense. “Em menos de 15 minutos, todas as unidades que eu tinha em casa esgotaram. Tive que configurar o site na mesma hora para abrir unidades e fazer mais”, revela.

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“Foi bem legal a repercussão quando ela postou no dia 31 de dezembro. Eu estava com a minha família em Amontada para passar o Réveillon e sem acesso à internet direito. Quando ela postou foi incrível! Muitas pessoas entraram no meu perfil para conhecer o trabalho e mandaram mensagem”,

afirma Tereza.
Canga “Mulher Nordestina” (Foto: Divulgação)

Sobre o processo de criação da canga “Mulher Nordestina“, Tereza comenta que o desenho a representa de forma pessoal, mas que se inspirou em Juliette para dar os toques finais e decidiu presenteá-la com a peça. “Fiz dentro de uma ilustração que eu já tinha, mas coloquei um chapéu de cangaceiro para ficar mais representativo. O engraçado é que eu tinha feito essa ilustração bem antes da Juliette entrar no BBB e quando ela entrou já virei fã. Acompanhei o BBB por causa dela, torci e quando ela estava no reality tive a ideia de juntar esses elementos e de fato fazer a canga. Essa é a terceira remessa que eu faço”, comenta.

Terezadequinta e Robézio Marques integram o coletivo Acidum Project (Foto: Divulgação)

Atuante há mais de dez anos no cenário da arte de rua e ramificações, Terezadequinta não limita a potência da criatividade. Conhecida por colorir — além de tecidos — prédios, paredes, papel e pele, Tereza estampa arte em Fortaleza e fora dela. Formada em Artes Visuais pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), ela integra o Acidum Project, coletivo criado pelo companheiro de trabalho e de vida dela, Robézio Marques. Inclusive, Tereza acaba de lançar uma nova estampa de canga em parceria com Robézio e a Acidum. “Acabamos de lançar a nossa primeira canga que é uma homenagem ao Dia de Iemanjá”, comenta.

Nova estampa de Terezadequinta é inspirada em Iemanjá (Foto: Divulgação)

Dos tecidos aos muros

Antes mesmo de integrar o coletivo, Tereza já realizava trabalhos com a assinatura do Acidum e atuou no Museu de Arte Contemporânea do Ceará, do Dragão do Mar. É verdade dizer que ela tem certa representatividade no que diz respeito à presença feminina neste meio, mas a artista faz questão de ressaltar que outras mulheres exerceram esse papel anteriormente. “Quando eu comecei, já havia várias meninas trabalhando. Não posso dizer que sou pioneira no movimento. A Téia, que faleceu bem jovem, em 2015, foi uma grafiteira pioneira em Fortaleza. Ela começou bem antes de mim”, elucida.

Mural “Eva” em Fortaleza (Foto: Divulgação)

De todas as expressões de arte que domina, Tereza aponta a pintura como preferida, seguida da tatuagem, por usar um tipo de superfície diferente das demais. “Ver o desenho na pele das pessoas, saber que elas escolheram marcar o corpo para sempre com uma produção minha, isso me surpreende”, confessa a artista.

Tereza aponta a pintura como a expressão artística preferida, seguida da tatuagem (Foto: Reprodução/Instagram)

O processo criativo varia de acordo com a pedida e com o momento. Para criar pinturas em telas, Tereza costuma fazer um trabalho de pesquisa: desenhos variados, imersão em filmes e literatura em busca de referências. No momento de colocar em prática, gosta de acordar cedo, definir um ritmo de trabalho, e aí, então, executa os projetos, geralmente organizados por séries com temas específicos. A música também tem papel fundamental e está presente na concepção de todas as formas em que ela se expressa.

Legado de cores

Em 15 anos de atuação, dentre os muitos trabalhos significativos que fez, especialmente no Acidum, Tereza destaca o Circuito Urbano de Arte (Cura), em Belo Horizonte. “Foi o maior mural que pintamos na vida, com 843m², feito em 12 dias, um desafio. E foi a primeira vez que chorei quando terminei um trabalho”, destaca. Outro grande feito foi participar do Mural Festival, no Canadá, reconhecido como um dos maiores festivais de arte urbana do planeta.

Ao lado de Robézio, além dos trabalhos que colorem os espaços da capital alencarina, como Dragão do Mar, Museu da Fotografia e Mercado Central, Tereza também deixou  marca na França, em Cabo Verde, nos Estados Unidos, dentre outros países.

Em julho de 2021, o casal embarcou em uma temporada pelo Oriente Médio, a convite da Embaixada Brasileira em Beirute junto ao Itamaraty, e em parceria com a agência libanesa e com artistas locais. “Fizemos um mural, uma empena num bairro de centro comercial. Também fizemos uma pintura em uma comunidade chamada Vale do Bekaa, onde há muitos brasileiros vivendo. Pintamos parte da biblioteca do Centro Cultural Brasil-Líbano, a convite da própria embaixada brasileira. Também atuamos no Cairo, capital do Egito”, relembra.

Acidum Project no Oriente Médio (Foto: Reprodução/Instagram)

Por conta da pandemia do Covid-19, alguns países precisaram ficar de fora do circuito, mas Tereza garante: está nos planos para 2022 retomar a jornada de viagens e continuar levando as cores de Fortaleza para o mundo.

*Este conteúdo foi originalmente publicado na Revista Márcia Travessoni ed. 18.

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