Dezembro Laranja: dermatologistas tiram dúvidas sobre câncer de pele

Por Rosi Melo
Dezembro Laranja: dermatologistas tiram dúvidas sobre câncer de pele

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para 2018 e 2019, o Brasil tem 600 mil novos casos de câncer por ano. Desse total, 30% são de pele. A incidência da doença, inclusive, é maior que os cânceres de mama e de próstata. Pesquisas mostram que o diagnóstico precoce leva à cura da maioria dos casos de câncer de pele. A prevenção, porém, ainda é a melhor estratégia de combate à doença.

Com a chegada do Dezembro Laranja, mês que marca a conscientização sobre o câncer de pele, o site MT conversou com as dermatologistas Priscila Távora e Lara Rosado, do Crisóstomo Hair & Skin Institute, para abordar os melhores e mais avançados métodos de prevenção e diagnóstico da enfermidade.

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Existem três tipos de câncer de pele: 

  • Carcinome basocelular: O tipo menos grave e o mais frequente, surgindo em 90% dos casos. Com aparência rósea, é comum em pessoas de pele clara. Grande chance de cura com diagnóstico precoce.
  • Carcinoma espinocelular: Segundo tipo mais comum, tem a forma de um nó que cresce ao longo do tempo e cria uma casca. Grande chance de cura com diagnóstico precoce.
  • Melanoma maligno: Tipo mais raro, presente em 5% dos casos. Aparência escura. Ao longo dos anos, pode se espalhar para outros órgãos e tornar-se fatal.
Priscila Távora e Lara Rosado

Quando o assunto é prevenção à doença, um consenso entre as médicas é de que o protetor solar ainda é o método mais indicado a longo prazo. A indicação é incrementar o uso dele desde a infância. “Mas existem várias outras formas de se proteger, seja por meio de vestimentas com fator de proteção solar, uso frequente de chapéus, viseiras e óculos escuros… O próprio vidro fumê dá uma proteção adicional. Há ainda fotoprotetores orais com antioxidantes. Cabe ao médico orientar o paciente de acordo com suas necessidades”, pondera Lara.

Lara Rosado

Uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes também é importante, mas não é capaz de prevenir a doença sozinha. Acima de tudo, o acompanhamento médico é essencial. Como explica Priscila: “A orientação é marcar uma consulta com um dermatologista uma vez por ano para fazer um check-up. Se você estiver incluso nos grupos de risco, esse acompanhamento precisa ser mais frequente: de três em três meses ou de seis em seis meses, dependendo do histórico”.

E como saber se você faz parte dos grupos de risco? “Durante a consulta, a gente faz essa avaliação. Existem pacientes que são mais propícios a desenvolver um câncer de pele, então precisamos ficar atentos aos critérios. São eles: histórico familiar de câncer de pele, principalmente do tipo melanoma; pele e cabelos muito claros; e grande incidência de pintinhas espalhadas pelo corpo”, detalha Priscila.

Priscila Távora

Diagnóstico

Descuidou na prevenção e já localizou uma manchinha estranha na pele? Conhecer intimamente o próprio corpo é de suma importância na hora de diagnosticar se o sinal se trata apenas de uma lesão comum ou uma lesão cancerígena. Conforme aponta Lara, é importante ficar atento a dois sintomas: “Feridas que não cicatrizam e pintas escuras que modificam o formato com bastante rapidez”. 

Priscila, por sua vez, propõe um método eficiente e simples para analisar a lesão, conhecida como a regra do ABCDE. São detalhes que indicam fatores de alerta, confira:

A é para Assimetria | Ao dividir a lesão em quatro partes, cada quadrante possui um formato diferente

B é para Borda | Irregularidade latente nas bordas

C é para Coloração | Uma lesão com colorações diferentes

D é para Diâmetro | Uma lesão acima de seis milímetros

E é para Evolução | Uma lesão que muda de aparência ao longo do tempo

Vale salientar que, apenas com a ajuda de um profissional dermatologista, é possível fazer o diagnóstico preciso.

“O ideal é que o diagnóstico seja feito precocemente porque a maioria dos casos têm cura. É um câncer de fácil tratamento. Os casos que são diagnosticados mais tardiamente têm mais riscos de evoluir para uma metástase e a repercussão é bem mais intensa para o organismo. Muitas vezes, quando se trata de melanoma, o tratamento é bem restrito e há poucas chances de cura”, enfatiza Lara.

Márcio e Manoela Crisóstomo

Crisóstomo Cast

Em solidariedade ao Dezembro Laranja, Márcio e Manoela Crisóstomo, gestores do Crisóstomo Skin & Hair Institute, promovem uma série de ações durante o mês. Na última quarta-feira (18), as dermatologistas Priscila Távora e Lara Rosado realizaram palestra sobre a prevenção do câncer de pele. O assunto também foi tema do primeiro episódio do Crisóstomo Cast, o podcast institucional do complexo.

Ouça:

Fotos: Alex Campêlo

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