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Michel Temer defende entrosamento dos três Poderes para combater a pandemia e aprovar reformas estruturais

Por Redação
Michel Temer defende entrosamento dos três Poderes para combater a pandemia e aprovar reformas estruturais
A desarmonia entre os três Poderes, explicou, pode ocasionar uma crise institucional, acarretando em manifestações antidemocráticas. (Foto: Agência Brasil)

O ex-presidente da República, Michel Temer, participou, nesta quinta-feira (16), de uma videoconferência do Grupo de Líderes Empresariais (Lide) do Estado do Ceará, para fazer uma análise político-econômica do Brasil. Na ocasião, ele defendeu a importância da união entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para combater a pandemia, bem como traçar metas para a retomada econômica do país, como as reformas tributária e administrativa, para atrair investidores. A desarmonia entre os três Poderes, explicou, pode ocasionar uma crise institucional, acarretando em manifestações antidemocráticas.

Neste momento, avalia Michel Temer, o Congresso Nacional tem que conversar e “ajustar os ponteiros” para fazer a reforma tributária, que, pontua, interessa muito aos empresários, uma vez que promoverá a desburocratização dos processos e dará segurança jurídica aos investidores. Esse caminho, defende, vai atrair empresas nacionais e internacionais ao país, essencial para que o Brasil saia da crise econômica potencializada pela pandemia do novo coronavírus.

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“Considero a reforma administrativa difícil, porque as instituições têm muito poder. Vão ao Congresso Nacional e influenciam senadores e deputados federais. Ou seja, não é fácil. Sempre proponho que se faça silenciosamente uma reformatação. No meu tempo, por exemplo, nós eliminamos milhares de cargos comissionados sem fazer reforma administrativa. Desativamos agências do Banco do Brasil sem causar nenhum prejuízo à instituição e, naturalmente, reduzimos os custos“, destaca.

A presidente estadual do Lide, Emília Buarque, conduziu a videoconferência, que teve a participação da imprensa e convidados. (Foto: Reprodução/Zoom)

Harmonia

Defensor de um bom diálogo entre as partes, ele interpreta que, para traçar metas de combate à pandemia, bem como o planejamento para o pós-crise, o Governo Federal deve falar com empresários, sindicatos, Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal e partidos políticos, inclusive da oposição, mantendo uma harmonia entre todos, promovendo uma unidade de ação, de propósitos, não apenas de desejos. “Nós temos uma crise sanitária, econômica e política, mas não temos ainda uma crise institucional, que é perigosa, pois é um embate entre as instituições que cria uma desarmonia de Estado que pode resultar em uma manifestação antidemocrática“.

Para Michel Temer, devido a uma visão de concentração de poder histórica, muitas pessoas pensam que o presidente “manda em tudo”. No entanto, ressalta, “o presidente é o que menos tem poder, porque quem tem direito é o povo, e quem vocaliza as leis é o Legislativo, de acordo com a Constituição Federal”. O Executivo, salienta, precisa ter consciência que tem que atuar junto com o Legislativo, uma vez que o fundamento da democracia é de que o poder não é soberano de uma instituição.

Eleições municipais

Segundo o ex-presidente, em boa parte dos municípios, os anseios locais definem a eleição. Questionado sobre a atual fase do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Fortaleza, o ex-presidente afirmou que, embora esteja um pouco afastado redes políticas e partidárias, sabe que a legenda tem o ex-senador Eunício Oliveira como representante no Ceará, que tem expressividade para ecoar o nome da sigla na região. “Tenho impressão que ele continua atuando para verificar como levar adiante uma eventual candidatura em Fortaleza e nos municípios do estado. Ele sempre teve e continua tendo grande presença, e poderá colaborar localmente com o MBD nacional”, disse Michel Temer.

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