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O significado da sigla LGBTQIA+ e a importância do orgulhar-se

Por Redação
O significado da sigla LGBTQIA+ e a importância do orgulhar-se
A bandeira LGBTQIA+ representa a diversidade humana pelo significado das cores: vermelho (luz), laranja (cura), amarelo (sol), verde (calma), azul (arte) e lilás (espírito) (Foto: iStock)

Nascido sob a sigla GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), o movimento político e social de inclusão de pessoas de diversas orientações sexuais e identidades de gênero cresceu e mudou ao longos dos anos, abraçando cada vez mais outras formas de expressão. No Dia do Orgulho LGBTQIA+, celebrado neste domingo (28), saiba o significado de cada letrinha da sigla “repaginada” e conheça a origem da data comemorativa. Dediane Souza, Coordenadora executiva da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual da SDHDS da Prefeitura Municipal de Fortaleza, explica que o “Dia do Orgulho” lembra as manifestações que ocorreram em 28 de junho de 1969, nos Estados Unidos.

“Ele vem da perspectiva do levante Stonewall. A população LGBT daquele período se socializava no bar Stonewall Inn (NY) e sofria muita repressão policial. Em 28 de junho de 1969, essas pessoas fizeram uma manifestação contra os policiais que durou vários dias e deu origem às várias paradas espalhadas pelo mundo”, diz Dediane, que se identifica como travesti. Ela lembra que Fortaleza, em 2020, seria palco da 21º Parada pela Diversidade Sexual do Ceará, que foi cancelada por conta da pandemia.

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“A luta do movimento LGBTQIA+ é pelo direito da diferença e o arco-íris vai simbolizar esse movimento”, afirma Dediane. Agora que você entendeu como surgiu a data, saiba quais lutas estão agregadas à cada letra da sigla:

L de Lésbica

Lésbicas são mulheres que sentem atração afetivo/sexual pelo mesmo gênero. No Brasil, país com índices alarmantes de violência contra a mulher e contra a população LGBTQIA+, a constante invisibilização da mulher lésbica ainda ocorre, violentando e, muitas vezes, matando. Entre 2014 e 2017, o número de registros de assassinatos de mulheres lésbicas aumentou em 150%. Os dados são do Dossiê Sobre Lesbocídio, projeto da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), divulgado em 2018.

Casamento de casal lésbico (Foto: Willer José)

Enquanto o feminicídio é caracterizado, em sua maioria, por casos de violência doméstica, 83% dos casos de lesbocídio são cometidos fora da esfera familiar, por homens com algum tipo de aversão à mulheres lésbicas. A exemplo do assassinato de Andréia dos Santos, lésbica e deficiente auditiva, espancada até a morte por três homens no seu ambiente de trabalho, em 2015.

G de Gay

Gays são homens que sentem atração afetivo/sexual pelo mesmo gênero. Embora, algumas vezes, a palavra “gay” seja utilizada para denominar homens e mulheres homossexuais e bissexuais, tal uso tem sido constantemente rejeitado por implicar na invisibilidade de lésbicas e bissexuais. Da mesma forma, algumas pessoas atribuem a palavra à travestis ou transexuais, atribuição que não reconhece a distinção entre sexualidade e gênero.

Cena da série “Hollywood”, da Netflix (Foto: Divulgação)

Orientação sexual: o termo está relacionado com as diferentes formas de atração afetiva e sexual de cada um. As pessoas não escolhem sua orientação, ou seja, elas desenvolvem sua sexualidade ao longo da vida. Neste contexto, ela pode buscar relacionamentos com pessoas do mesmo sexo (homossexual), sexo oposto (heterossexual) ou ambos (bissexual).


B de Bissexual

A bissexualidade é uma orientação sexual caracterizada pela capacidade de atração, seja sexual ou romântica, por mais de um sexo, não necessariamente ao mesmo tempo, da mesma maneira ou na mesma frequência. Pessoas que se identificam com essa orientação sexual muitas vezes sofrem do “apagamento bi” pelo julgamento errôneo de que não é possível se atrair por mais de um gênero ou desqualificação dessa sexualidade, encarando-a como um “período de transição” para uma homossexualidade ou heterossexualidade.

Bandeira do movimento bissexual (Foto: Divulgação)

Em termos de saúde mental, a cobrança da sociedade pode gerar consequência graves e diversos estudos já apontaram que pessoas “bi” têm mais tendência a terem transtornos, como depressão e ansiedade, segundo o relatório “Invisible Majority” (Maioria Invisível) de 2016, elaborado pela MAP, entidade norte-americana.

T de Transexual, Travesti e Transgênero

Transexuais, travestis e transgêneros são pessoas que se identificam com outro gênero que não aquele atribuído no nascimento, inclusive dentro do espectro não-binário. Trata-se de um conceito relacionado a identidade de gênero e não pela orientação sexual/afetiva.

A série “Pose”, disponível na Netflix, tem o maior elenco trans da história da TV (Foto: Divulgação)

Identidade de gênero: experiência subjetiva de uma pessoa a respeito de si mesma. Não depende do sexo biológico da pessoa, mas de como ela se percebe no mundo. Essa identidade pode ser binária (homem ou mulher), mas também pode ir além dessas representações, sendo assim pessoas não-binárias (todos os outros gêneros).


Dados alarmantes mostram que o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais em todo o mundo. De acordo com dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), publicado em janeiro de 2020, 124 pessoas trans foram assassinadas no Brasil em 2019. O México, que está em segundo lugar no ranking global, reportou metade do número de homicídios.

A maioria das mortes em território brasileiro foi registrada na região Nordeste, onde 45 pessoas trans foram assassinadas. Em relação aos estados, São Paulo foi o que mais matou essa população no ano passado, com 21 assassinatos. O Ceará aparece logo em seguida, com 11 casos.

QI de Queer e Intersexo

Pessoas que se identificam como queer transitam entre os gêneros feminino e masculino ou entre outros gêneros nos quais o binarismo não se aplica. O termo faz referência à teoria queer, que afirma que orientação sexual e identidade de gênero são o resultado de uma construção social e não de uma funcionalidade biológica.

Artista da música, Miley Cyrus identifica-se como uma pessoa queer (Foto: Divulgação)

Já “Intersexo” representa pessoas cujo desenvolvimento sexual corporal – expressado em hormônios, genitais, cromossomos, e/ou outras características biológicas – não se encaixa na norma binária (homem/mulher).

A+ de Assexual e outras expressões

O termo assexual identifica pessoas que não sentem atração afetiva e/ou sexual por outras pessoas, independentemente do gênero. Já o símbolo “+” abriga todas as diversas possibilidades de orientação sexual e/ou de identidade de gênero que existam.

‘Por dias melhores’

A titular da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual da Prefeitura de Fortaleza, Dediane Souza, afirma que apesar da constante luta por direitos e visibilidade, a comunidade LGBTQIA+ avança e lista várias conquistas no decorrer da história.

“As bandeiras de luta do movimento vão se modificando. No ano de 1995, por exemplo, a pauta central era pelo casamento igualitário que hoje é uma realidade. Em 2011, a Suprema Corte Brasileira reconheceu a união estável homoafetiva e, em 2013, o Conselho Nacional de Justiça regulamentou esse casamento”, aponta.

Dediane Souza (Foto: Arquivo)

Dediane também citou a “conquista das pessoas trans e travestis”, em 2018, quando a Suprema Corte reconheceu os direitos às identidades de gênero e permitiu a retificação do nome e gênero sem a necessidade de laudo médico ou processo judicial. “Já em 2019, a gente avança quando a Suprema Corte reconhece a lgbtfobia como crime”.

“É importante dizer que mesmo com avanços, o Brasil ainda é um dos países que mais assassina a população LGBT no mundo. A disputa pela igualdade é permanente”, pondera Dediane Souza.

No Ceará, as políticas públicas para essa comunidade estão cada vez mais em pauta, a exemplo da Coordenadoria da Diversidade Sexual e o Conselho Municipal LGBT de Fortaleza. “O município terá ainda um equipamento de Direitos Humanos específico para tratar de violência ou violação dos direitos em decorrência da orientação sexual ou identidade de gênero”, diz Dediane.

“Discutimos o Orgulho LGBT na sua dimensão ampla do amor livre e do orgulho de ser quem somos dentro de um contexto onde muitas vezes fomos penalizados”, 

Dediane Souza, jornalista, travesti e ativista.

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