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‘Precisamos entender que existe uma história que foi silenciada’, diz Zelma Madeira sobre luta antirracista

Por Redação
‘Precisamos entender que existe uma história que foi silenciada’, diz Zelma Madeira sobre luta antirracista
A professora universitária Zelma Madeira participou de uma live com Márcia Travessoni nesta terça-feira (23)

Você sabe qual é o seu papel na luta antirracista? A professora universitária e titular da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Promoção da Igualidade Racial (CEPPIR) do Ceará, Zelma Madeira, participou de uma live, nesta terça-feira (23), com a publisher do Site MT, Márcia Travessoni. A transmissão ao vivo foi realizada no Instagram de Márcia Travessoni, com apoio do Hospital Gênesis, e abordou a origem do racismo no Brasil e as medidas que buscam transformar essa realidade. “Não podemos achar que é ‘mimimi’, precisamos entender que existe uma história que foi silenciada”, afirma Zelma.

A professora explica que o racismo no Brasil nasceu na época da escravidão e estruturou-se com uma “abolição inacabada”. “Precisamos fazer uma reflexão política e pública porque o racismo tem uma raiz histórica. Nós saímos lá atrás sem nenhuma política de reparação. A luta antirracista tem que trabalhar as oportunidades para as pessoas negras“.

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Segundo ela, dois fatores impediram a ascensão financeira das pessoas negras após a escravidão e contribuíram para o racismo estrutural que a sociedade enfrenta hoje. “Eles não tiveram o direito à escola e a inserção no mercado de trabalho. Não tínhamos o perfil do trabalhador exigido e ficamos desempregados. O motivo é colonial e se repete”.

“O racismo estrutural está em todas as instituições, inclusive nas famílias. Esse silenciamento e naturalização nos prejudica demais”, pondera Zelma Madeira.

Em 2018, Zelma foi capa da Revista Gente por Márcia Travessoni abordando sua luta, enquanto pesquisadora e gestora pública, contra o racismo no Ceará. Graduada em Serviço Social pela Universidade Federal do Piauí, com mestrado em Sociologia do Desenvolvimento e doutorado em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará, assumiu a CEPPIR em 2015. Atua em temas que envolvam família, gênero, relações étnico-raciais, políticas sociais, cultura e religião de matriz africana.

‘Momento de agir’

Na live, Zelma falou sobre o papel da sociedade no combate ao preconceito e comentou sobre os intensos protestos antirracistas que ocorrem há semanas no mundo, após a morte de George Floyd, homem negro assassinado por um policial branco nos Estados Unidos.

“Considero importante essa comoção onde todo mundo que fazer postagem, mas é preciso entender a profundidade e não ter apenas um discurso cosmético. Essa luta antirracista não é só nos Estados Unidos. As pessoas precisam dar ouvidos ao que estamos falando”.

“As empresas precisam deixar de ser monocromáticas. Precisamos defender os talentos e observar o que podemos fazer”, diz a professora.

Zelma luta para que a sociedade “valorize a riqueza da diversidade para chegarmos a igualdade” e acredita em uma “revolução microfísica”. “Você pode contribuir onde você está respeitando o movimento negro, saindo dessa postura autoritária e respeitando as expressões da juventude das periferias que está se movimentando. Eles são sempre identificados como marginália e querem oportunidades”.

Para a gestora pública, a educação é chave principal de uma mudança sólida.”O racismo é um tema central e pode ser mudado pela ação valorativa, pela educação. Ensinar a todas as pessoas que temos valor. As diferenças não precisam hierarquizar”, explica Zelma Madeira.

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