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Zé Testinha: como surgiu a quadrilha mais tradicional do Ceará

22 jun 2021 | Notícias

Por Cintia Martins

Em entrevista ao Site MT, Reginaldo Rogério, marcador oficial da quadrilha Zé Testinha, fala sobre a herança cultural junina e do segundo ano sem festas. (Foto: Reprodução/Instagram) 

Um dos grupos mais tradicionais do Ceará e que já soma 45 anos de história, a Quadrilha Zé Testinha se diferencia dos demais por manter um estilo próprio de homenagem ao sertão e ao cangaço, além de não utilizar inovações tecnológicas nas tradicionais apresentações. A brincadeira, que começou com os avós de Reginaldo Rogério, 59 – marcador oficial da quadrilha, conhecido carinhosamente como “Zé Testinha” -, reúne hoje dezenas de famílias e brincantes em arraiás ao som de baião, xote e xaxado.

O grupo junino, nome certo em festivais regionais e nacionais, enfrenta o segundo ano sem o tradicional São João, mas não desanima na hora de contar a história do sertão e disseminar a cultura do povo nordestino através do cangaço.

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“A Zé Testinha é uma das raízes da ‘Sua Estrela Junina’. Meus avós já gostavam de fazer festa, mas não como hoje, que dura o mês todo. Naquela época, as festas aconteciam na véspera do grande dia do nascimento de João Batista [24 de junho], em Quixadá e Itapajé. Quando meus pais vieram para Fortaleza, se conheceram, se casaram e tiveram essa relação de amor. Os filhos já nasceram com a quadrilha em mente, foi natural quando a professora de educação artística começou a nos ensinar junino e fazia quadrilha em sala de aula, aos 13 anos, em 1976″, lembra Reginaldo Rogério, ou Zé Testinha.

Antes da pandemia, o grupo reunia dezenas de membros e arrastava uma multidão para vê-los. (Foto: Reprodução/Instagram) 

No Bairro Vila Velha, em Fortaleza, o grupo realizou as primeiras apresentações. Na lavanderia da casa do adolescente Rogério, o grupo de amigos do colégio afastava as máquinas e ensaiava dia após dia. “Com o tempo, criamos seriedade com o social dentro do bairro, e assim surgiu a Zé Testinha. Herdamos a antiga quadrilha do bairro e seguimos os passos“, destaca.

Após as experiências locais, a quadrilha passou a participar de festivais em outras cidades cearenses e, em seguida, representar o Ceará em outras regiões do País. Dentre as premiações mais importantes conquistadas pelo grupo está o título de Melhor Quadrilha do Nordeste, Festival da Rede Globo, Troféu São João, concedido pela Federação de Quadrilhas Juninas do Estado do Ceará, e a Caveira de Ouro. 

“Temos o reconhecimento de grandes instituições pelo nosso trabalho cultural, isso é mais importante do que ganhar qualquer festival para nós. O nosso maior prêmio é ser celebrado e aplaudido nos festivais que vamos. Mais importante do que o brilho dos troféus, é o brilho no olhar daqueles que nos acompanham. Primeiro estamos felizes em fazermos o que gostamos”, atesta o marcador da dança. 

Foto: Reprodução/ Instagram

De acordo com Reginald Rogério, antes da pandemia, a quadrilha reunia pessoas de toda Fortaleza e também do interior do Estado. “Houve um crescimento muito grande das pessoas que estão fazendo a quadrilha, temos até quadrilha infantil, mexe com muita gente, em torno de 150 pessoas estão envolvidas diretamente, mas que acompanham são bem mais”, revela. 

Valorização do cangaço 

Logo que a Quadrilha Zé Testinha foi criada, os grupos do mesmo tipo não se organizavam por temas. A influência, pontua Reginaldo, veio de outros estados a partir dos anos 2000. “O tema ano a ano, na verdade, é o São João do cangaceiro. Aqui, festejamos o junino, dançamos o São João e alimentamos a riqueza cultural através do que mostramos independente de poder aquisitivo, em cima desses grandes eventos, que, no fim, descaracterizam a raiz, a história”.

“Temos a preocupação de passar a cultura da nossa gente, não podemos esquecer essa responsabilidade, bem como a importância de mostrar o Nordeste e a brincadeira, que traz a jocosidade matuta, o deboche, as festas do milho, enfim, a brincadeira sadia gostosa”, ressalta Zé Testinha.

Sem perder as origens, ele também ajuda a alimentar o imaginário popular cultural sobre a figura de Lampião, cangaceiro mais conhecido do Brasil. “Ele não é um mito à toa, na realidade, cada nordestino tinha dentro de si o cangaceiro e a vontade de derrubar as injustiças sociais. Ele era mito ou herói? Não sei dizer, mas sei que é a nossa cultura, e isso é muito forte. Hoje, o símbolo do Nordeste do Brasil é o chapéu de cangaceiro”, atesta.

O cangaço é a grande herança da Zé Testinha. (Foto: Reprodução/Instagram) 

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Segundo ano sem festa

O segundo ano sem a celebração do São João, segundo dados divulgados pelo Ministério do Turismo, gera prejuízo de R$ 1,5 milhão para o Brasil. Apenas o Nordeste deixará de arrecadar R$ 950 milhões sem as tradicionais festas. Segundo o brincante, o prejuízo também é sentido localmente.

“Acreditávamos que a pandemia era algo passageiro, que acontecia do outro lado do mundo. Por isso, é importante saber que alimentamos toda uma cadeia produtiva que vai desde o vendedor da barraquinha até a costureira que produz indumentária tanto masculina quanto feminina, é uma imensa cadeia que gera uma grande movimentação financeira. Em uma temporada, deixamos de ganhar e de movimentar em torno de  R$ 80 mil a R$ 90 mil, mas temos ciência que outros grupos deixaram de movimentar mais”, avalia. 

O grupo junino acumula prêmios regionais e nacionais. (Foto: Reprodução/Instagram) 

“Tivemos que dar uma parada nos festejos, evitar aglomerações, voltar a sentir confiança em sair de casa com segurança, e apenas realizar lives. Em 2021, estaremos na mesma. Mas acreditamos no recomeço, acreditamos em quem gosta da gente, pessoas que perderam amigos, parentes, muitas quadrilhas ainda estão em luto, e muitos não vão brincar. É uma mudança em muitos aspectos para quem faz quadrilha”, afirma. De acordo Zé Testinha, mesmo em meio à pandemia, as comemorações não podem parar, pois o São João “é a celebração do nascimento de São João Batista e da vida”.

Diante do avanço da vacinação no Estado, o grupo junino, informa Reginaldo, manteve o controle dos membros vacinados. Atualmente são 18 pessoas, incluindo o próprio organizador, que já recebeu a primeira dose. “Quanto mais rápido todos formos vacinados, mais rápido voltaremos à vida normal. Temos esperança que em 2022 será diferente, o ano vem para muita gente celebrar a vida, é o mais importante, é a glória”, projeta. 

Homenagem

No Instagram, a Plataforma MT publicou um vídeo com direção de Fernando e Talita Travessoni em homenagem à Quadrilha Zé Testinha, com dois dançarinos do grupo. Confira!

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