18 mar 2026 | Poder

A brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, passou a integrar a prestigiada lista de bilionários da Forbes, tornando-se a mulher mais jovem do mundo a alcançar esse patamar com recursos próprios. Cofundadora da plataforma de previsões Kalshi, ela acumula uma fortuna estimada em US$ 1,3 bilhão (R$ 6,7 bilhões).
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O reconhecimento marca também uma mudança no ranking global: Luana assume o posto que era ocupado por Lucy Guo, da Scale AI, que tem 31 anos. O crescimento acelerado da Kalshi foi determinante para esse salto. Em 2025, a empresa multiplicou seu valor de mercado em mais de cinco vezes, chegando a US$ 11 bilhões (R$ 57,91 bilhões). Tanto Luana quanto seu sócio, Tarek Mansour, detêm cerca de 12% do negócio e agora figuram entre os bilionários.
Natural de Belo Horizonte e criada em Niterói, Luana teve uma formação que mistura artes e exatas. Antes de migrar para a tecnologia, estudou balé na Escola do Teatro Bolshoi, em Joinville, e também se dedicou à área técnica. Filha de engenheiro e professora de matemática, ela credita à família o interesse pelas ciências. “Está nos genes”, disse em entrevista à Forbes Brasil.
Após ser aceita em universidades como Harvard, Yale e Stanford, optou pelo MIT, onde cursou ciência da computação com bolsa. Foi durante esse período que conheceu Mansour, com quem dividiria a criação da Kalshi. A ideia surgiu da observação do comportamento de investidores. “Como traders, víamos pessoas tomando posições com base no que achavam que aconteceria com o Brexit ou a eleição do Trump. E se pudessem negociar diretamente os resultados desses eventos, como fazem com ações?”.
A proposta se transformou em um modelo de negócios inovador. “É como o mercado financeiro, mas aplicado a eventos do mundo real, como eleições, premiações, clima, esportes e muito mais.” Na prática, usuários compram contratos baseados na probabilidade de acontecimentos. Se acertarem, recebem retorno financeiro; caso contrário, não há ganho.
A trajetória da empresa, no entanto, não foi isenta de desafios. A Kalshi precisou de mais de três anos para obter autorização da agência reguladora dos Estados Unidos. Mesmo após o aval, enfrentou restrições, especialmente em contratos ligados a eleições, considerados polêmicos. Decisões judiciais posteriores permitiram a retomada dessas operações, impulsionando o crescimento da plataforma.
Hoje, com cerca de cem funcionários, Luana atua como COO e lidera as operações da companhia, que já movimenta mais de US$ 1 bilhão por semana. A maior parte das negociações envolve eventos esportivos, área que também desperta críticas por possíveis impactos regulatórios.
Antes do sucesso no mundo dos negócios, Luana teve uma carreira dedicada à dança, incluindo uma temporada profissional na Áustria. A rotina intensa do balé, segundo ela, foi essencial para desenvolver disciplina e resiliência. “Sabia que não era para sempre; queria fazer algo de grande impacto.”
Ao deixar definitivamente a dança ainda no fim da adolescência, ela traçou um novo objetivo de vida: alcançar relevância no universo da tecnologia. “Quero ver até onde posso ir e o quanto posso conquistar”, diz. Luana também espera ser inspiração para os empreendedores brasileiros. “Nada é ‘loucura demais’. Você não vai querer olhar para trás e pensar que desperdiçou seu potencial”.