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Entrevista: Cafira Foz destaca liderança feminina no Grupo Fitó

13 mar 2026 | Poder

Por Redação

Chef e fundadora fala sobre a presença de mulheres em cargos-chave e como
o projeto gastronômico se transformou em uma plataforma cultural em São Paulo
Cafira é cearense e chef e proprietária do grupo Fitó (Foto: Divulgação)

Mais do que um restaurante autoral em São Paulo, o Grupo Fitó se consolidou como uma plataforma gastronômica e cultural marcada pela liderança feminina. À frente do projeto está a chef Cafira Foz, que construiu um modelo de gestão baseado na colaboração entre mulheres.

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O negócio, que hoje também ocupa espaços da Pinacoteca de São Paulo, nasceu a partir de uma visão pessoal da chef sobre trabalho e liderança. Desde o início, a presença feminina foi pensada como parte essencial da identidade do grupo. “Eu cresci em uma família majoritariamente feminina, cercada por mulheres fortes como minha avó, minha mãe… E isso moldou muito a forma como eu entendo trabalho, cuidado e liderança. Quando comecei o restaurante, era muito natural que ele fosse construído ao lado de mulheres”, disse ela, em entrevista ao site.

“Com o tempo, isso deixou de ser apenas uma característica do time e virou parte da cultura do grupo. Hoje buscamos criar um ambiente onde mulheres possam crescer, assumir posições de liderança e desenvolver autonomia dentro da cozinha e da gestão. Mais do que uma escolha simbólica, é uma prática cotidiana: formar equipes, capacitar pessoas e abrir caminhos para que outras mulheres também ocupem esses espaços”.

Lideranças femininas no dia a dia do Fitó

Essa filosofia se reflete diretamente na estrutura do Fitó, que conta com mulheres em diferentes áreas da operação. Entre as lideranças estão profissionais responsáveis pela cozinha, hospitalidade, bar e gestão das casas.

“O Fittó é resultado de um trabalho muito coletivo. Ao longo dos anos, formamos um time de mulheres que atuam em diferentes frentes, indo desde a cozinha, o salão, a hospitalidade, o bar até a operação das casas. Como a Morena Caymmi, nossa coordenadora de Hospitalidade e Comunicação, a Renata Adoración, chef de bar e a Amilke Lima, gestora de cozinha”.

Cafira descreve o grupo como “uma cozinha brasileira aberta ao diálogo e construída de forma colaborativa”. “Muitas delas começaram em posições operacionais e foram crescendo dentro da casa, assumindo responsabilidades cada vez maiores. Isso é algo que me orgulha muito, porque mostra que o restaurante também é um espaço de formação e de trajetória profissional”.

Influência do Nordeste na cozinha

A trajetória pessoal de Cafira também influencia diretamente a proposta gastronômica do grupo. Nascida no Ceará e criada no Piauí, ela leva para a cozinha memórias e referências do Nordeste, combinando essas raízes com outras experiências acumuladas ao longo da carreira.

“Carrego comigo sabores, ingredientes e histórias que fazem parte dessa vivência. O Nordeste está presente não só nos pratos, mas na forma de cozinhar e no respeito aos ingredientes No Fitó, essa base nordestina conversa com outras influências, com a cidade de São Paulo e com as experiências que fui acumulando ao longo da vida. Gosto de pensar na cozinha como um lugar de encontros: entre regiões, culturas e trajetórias. No fundo, é uma forma de contar a minha própria história através da comida”.

Desafios de estruturar um negócio liderado por mulheres

Embora o protagonismo feminino seja cada vez mais discutido no setor gastronômico, Cafira destaca que transformar esse discurso em estrutura real de negócio exigiu dedicação e adaptação ao longo do tempo. “Falar sobre protagonismo feminino é importante, mas estruturar um negócio que realmente ofereça espaço para isso exige muito trabalho, organização e escuta”.

Ela explicou que um grande desafio inclui a própria profissionalização. “Quando a gente parte de um mercado gastronômico cujo histórico é dominado pelos homens, ao procurar profissionais, a gente treinou muitas do zero. Isso é o significado de ter um negócio inclusivo na prática, não só no discurso. Demanda tempo, dedicação e é um aprendizado constante”.

“Ao mesmo tempo, acredito que liderar ao lado de outras mulheres traz uma força muito grande para o projeto. Existe um senso de colaboração e de cuidado coletivo que acaba se refletindo na cultura do grupo. Hoje, olhando para trás, vejo que o maior aprendizado foi entender que construir esse caminho é um processo contínuo e que cada mulher que cresce dentro do Fitó ajuda a ampliar ainda mais essa rede”.

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