Carlos Ferreirinha é o terceiro palestrante dessa edição do MaxiModa. O empresário é presidente da MCF Consultoria, líder brasileira em gestão de luxo (com clientes como Gucci, Burberry, M.A.C, Swarovski, Tiffany e Pandora) e ex-CEO do Grupo Louis Vuitton no Brasil. Ninguém melhor que ele pra falar sobre gestão de luxo no País.

O empresário, que dialoga há 20 anos com o Nordeste, esclarece: “Estamos diante da maior crise dos últimos 20 anos”, e acaba com o mito de que o mercado de luxo ganha com isso, já que todos os custos básicos de vida também aumentaram.

Apesar de tudo, seria ingenuidade ignorar o avanço do mercado brasileiro e não reconhecer nossas conquistas, segundo ele. Sobretudo do Nordeste, que há muito não é mais sinônimo de pobreza e miséria. Segundo ele, o momento no qual estamos no Brasil é o resultado do crescente desenvolvimento das outras regiões. A era do Brasil-São Paulo já chegou ao fim.

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Nesse momento, o Brasil inteiro deixou de ser simplório, para Carlos. Como um desafio, ele lança uma pergunta à plateia: qual era a fragrância número um vendida no Brasil há vinte anos? Muitos arriscaram: Gabriela Sabatini, 212, algum perfume Avon…

Ele garante: éramos tão mais simples que, naquela época, o Leite de Rosas era o preferido da nação. Com isso, ele deixa a reflexão: “As mudanças significativas acontecem após um ciclo de amadurecimento de 20 anos”.

As visões precisam ser tão amplas quanto esse tempo. As novas ideias precisam ser interessantes para o mercado, o produto tem de ser bom e atingir relevância contemporânea. “Nem todas as marcas podem ou devem ser de luxo, mas todas as marcas podem aprender com a inteligência desse tipo de gestão”, ele completa.

E é assim que até o não essencial passa a ser desejado, consumido, interessante para os consumidores. Com propriedade ímpar de quem tem toda essa experiência, Carlos Ferreirinha garante: todo empresário precisa ter em mente que, mesmo em tempos de crise, o paladar brasileiro não retrocede.

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Por Clara de Castro