DFB 2013 | Equipe MT e um papo com Giovanni Frasson

Por Lucas Magno

Uma pausa e uma entrevista

Ele é diretor de moda de uma das revistas mais importantes do cenário nacional, a Vogue, é stylist de marcas reconhecidas em todo o Brasil, além de ser professor de alguns cursos referentes à indústria fashion, Giovanni Frasson é figura carimbada nas primeiras filas das fashion weeks e tem um olhar apuradíssimo pra tudo que envolve arte e roupa.

Nessa edição do Dragão Pensando Moda, Giovanni deu uma palestra sobre os 25 anos de história da revista Vogue no Brasil, e bem no finalzinho desse bate papo, a Equipe MT correu pra entrevistar o cara que transforma roupa em fantasia na publicação. Giovanni falou de estilo, semanas de moda, identidade fashion e claro, a Vogue Brasil. Olha só.

Como você avalia eventos como o Dragão Fashion Brasil pro cenário de moda nacional?

Bom, primeiro eu acho importantíssimo o estágio em que o Dragão se encontra. Ele cresceu, hoje tem qualidade de evento muito importante e a gente não pode ficar cego ao que ele vem fazendo há 15 anos. É importante mostrar ao Brasil e ao mundo as riquezas locais, a criatividade local e mostrar essa diversidade e esse talento.

Como você enxerga, com seu olhar experiente, a maneira com que as pessoas se vestem aqui? Tanto no street, quanto na passarela? Como é vista por você a imagem de moda cearense?

O mundo das pessoas reais, que é voltado para o que a TV dita e vende, que nesse aspecto como conceito, pensamento e técnica de moda é zero, por ser comercial. E tem o mundo das pessoas que tentam ter um estilo, é interessante porque normalmente procuram um estilo europeu, não o estilo próprio. Não que esse não possa ter estilo próprio, se a pessoa gosta de uma banda de música europeia é normal que ela tente se vestir como eles. Mas eu acho válida a forma de manifestação individual, não importa de onde é originário. O que não curto muito é pessoa sendo Xerox, que é o que a massificação da televisão faz, todo mundo tem que tá meio igual, padronizado e a moda não cresce nisso.

De uma maneira geral eu gosto de como as pessoas se vestem, óbvio que não 100%, mas dá vontade de ter um estilo por mais que pareça estranho, a forma que a pessoa quer expressar, eu acho válida. Daí vai da educação à cultura, toda essa história dá um embasamento para a pessoa dentro daquele estilo X, bem vestida ou não.

A Vogue de Abril

Quando você vai em uma semana de moda, até mesmo aqui no DFB, o que você leva para vogue?

Eu pinço essa grande bagagem criativa, às vezes em um desfile, uma cor, uma silhueta, um cenário da cidade, ou a história pode me inspirar para um editorial. Ontem eu fui jantar no Le Marché, que é na frente do Mercado dos Pinhões, eu fiquei basbacado. Primeiro com aquele mercado inacreditável e com o restaurante, um serviço franco cearense maravilhoso, uma comida impecável, e isso fica na sua memória, então você tem que juntar todas essas informações que você coleta, então você setoriza para onde o seu desejo quer, ou que você precisa mostrar.

O que você vê de mais diferente nesses 25 de Vogue Brasil? E comparando a Vogue Brasil com as internacionais, o que você acha que fica de identidade brasileira?

Todo dia a gente mata um leão, né? Principalmente trabalhando em um país onde a moda é recente, o desejo de moda é algo novo, de criação de moda principalmente, mas o que é interessante é a evolução e a qualidade como um todo. Nos editoriais o que a gente busca fazer é tentar falar com o leitor, trazer o que tem de mais novo, mais bacana, mais luxuoso, sem necessariamente ser o mais caro, mas o que tem de mais bacana no mundo inteiro. Eu acho que isso a gente vem conseguindo fazer com bastante propriedade.

Por Lucas Magno + Carol Pinto + Mari Albuquerque

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