Contar a história da Edisca é contar a história de três irmãos – Cláudia, Dora e Gilano Andrade – que romperam barreiras sociais, econômicas e políticas pelo compromisso de oferecer oportunidade a quem mais precisa. Durante o ensaio geral do novo espetáculo de dança da organização, “Estrelário”, terça (12), o que pudemos perceber é que a Edisca, muito além de oportunidade, oferece a crianças e jovens de comunidades carentes a esperança de um futuro melhor.

Antes de apresentar os 17 bailarinos que performaram no palco do Teatro Edisca um embate dançante entre o céu e a terra, entre o humano e as entidades do divino na natureza, Dora Andrade conversou com a imprensa. “É um trabalho bastante desafiador. Eu sinto hoje uma alegria imensa de estar apresentando para vocês a décima geração de bailarinos formados por essa organização. É possível dizer que a missão da Edisca nunca foi e jamais será formar bailarinos, mas como nosso trabalho em dança é bastante consequente, esse reconhecimento vem”, revela.

“Estrelário”

Para Gilardo Andrade, responsável pela coreografia do espetáculo junto com as irmãs Dora e Cláudia Andrade, pensar o Estrelário é pensar a história de luta da Edisca, que desde 1991 mantém projetos sociais voltados para as áreas artística e pedagógica. “Estou na Edisca desde o começo. Tudo começou no quintal da casa, com a nossa primeira academia. Em determinado momento, a gente teve a oportunidade de convidar crianças de uma favela para participar das nossas aulas. Aquilo foi um choque muito grande. Essas crianças tinham um potencial muito forte“, conta.

Ao posar para as fotos, Gilardo Andrade fez questão de incluir os alunos da Edisca no registro

Segundo ele, formar a décima geração de bailarinos é um reflexo do empenho da Edisca em romper as barreiras dos estereótipos. “A gente abre uma ruptura nisso e mostra que é possível sim, que essa criança ou adolescente da periferia é talentoso, é inteligente, gosta de estudar, gosta de conhecimento, gosta de coisas de qualidade sim e, o mais importante, tem direito a isso”, completa.

TRANSFORMANDO VIDAS

“Foi a melhor sensação da minha vida até hoje”, é assim que a bailarina e professora de Balé Darliane Sabino, de 23 anos, define o dia em que descobriu ter passado no teste de seleção da turma de balé da Edisca, há 16 anos.

Darliane Sabino no aquecimento antes de entrar no palco

Uma das estrelas do espetáculo “Estrelário”, Darliane chegou à organização quando morava na comunidade do Alvorada, localizada próximo ao bairro Edson Queiroz. Em uma família de três filhos e uma mãe solteira, sem perspectivas, ela encontrou na Edisca a chance de mudar sua vida para sempre.

“Desde quando eu entrei, surgiram várias oportunidades, porque a Edisca nos proporciona isso. A gente tem a oportunidade de ir para outros lugares, conhecer outras nações, ter contato com outros tipos de dança… agrega muito a você”, destaca.

Ansiosa para entrar no palco, Darliane nos conta que o “Estrelário” é muito mais que um espetáculo. “Você não carrega só o peso de ser uma coisa bonita para mostrar as pessoas, é um peso de mostrar para todo mundo que você é capaz, que crianças de dentro da favela conseguem fazer algo bonito e aquilo afeta não somente o senso estético mas o pensamento das outras pessoas”, diz.

ASSISTA

O espetáculo “Estrelário” tem duração de 40 minutos e será apresentado ao público nos dias 14, 15 e 16 de março, no Teatro Edisca (R. Des. Feliciano de Ataíde, 2309 – Parque Manibura). O ingresso vale uma lata de leite e será disponibilizado para troca nos dias das apresentações, na portaria do Teatro, mediante apresentação de documento de identidade.

Veja fotos da performance, por Alex Campelo: