Quem é o novo consumidor de moda e o que ele quer consumir? A pergunta foi o norte do painel “Omnichannel e Customer Centricity: novas estratégias para um novo consumidor”, realizado dentro da programação do 2º dia da feira Ceará Fashion Trade, quarta (15), no Centro de Eventos do Ceará. Para falar sobre o assunto, foram convidados Gal Kury, consultora de marketing; Gabriela Dourado, jornalista e editora de moda e estilo de vida do Diário do Nordeste; e Zé Filho, fundador e diretor criativo da marca Ahazando (@ahazando).

Para Gal Kury, o novo consumidor de moda é uma pessoa que busca ser única e diferente em seu modo de vestir. Os clientes não podem ser passivos no processo de compra, agora eles precisam atuar como embaixadores da marca. “Eles tem que nos ajudar a vender”, conta. E vender de uma forma autêntica, com verdadeira identificação com o produto.

Hoje, revela Gal, os consumidores são multicanal ou o que chama de Omnichannel. Para explicar o conceito, ela dá um exemplo: “Às vezes você passa por uns 15 passos até adquirir uma roupa. Procura, faz uma foto, manda para alguém opinar, vai para a loja, experimenta, volta no site pra comprar porque é mais barato, ou pode comprar direto no Instagram”. No processo, as pessoas circulam por diversos canais integrados criando a jornada do consumidor.

Hoje, esse processo é facilitado, porque todo mundo é comunicador. É o que pensa Gabi Dourado. “Todo mundo pode contar uma história e se tornar um meio para compartilhar uma informação. Antes a gente tinha as celebridades, aquelas pessoas que estavam em um universo muito distante. E hoje nós temos as (e os) influencers, pessoas comuns como nós que estão compartilhando coisas com as quais nos identificamos”.

Segundo a jornalista, a nova geração só se identifica com o que é humano, vulnerável e está próximo da sua realidade. “A gente está na geração da selfie, na geração de compartilhar o nosso dia-a-dia, então é muito difícil eu falar como marca ou como meio de comunicação de um jeito muito distante. Eu preciso me aproximar das pessoas, e eu só me aproximo das pessoas sendo pessoa”.

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A importância de perceber as pessoas

“Eu usei um pouco da minha história para transformar em roupa”. Com essa frase, Zé Filho apresentou ao público o processo criativo bastante pessoal de sua marca, a Ahazando. A avó e a mãe foram as grandes influenciadoras da sua vida artística na infância, quando enchiam a casa de crochês e pinturas, que atualmente inspiram muitos de seus desenhos para a marca.

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Zé credita o sucesso da Ahazando também ao seu empenho em perceber as pessoas. “Além de procurar inspiração dentro de casa, eu sou uma pessoa que ando muito pela cidade, vendo o que as pessoas estão vestindo. Vou ver o que uma pessoa de SP ou de NY está usando e eu não sei o que as pessoas da minha cidade estão usando? Sabe, fica muito distante eu propor algo se eu não sei se a galera está querendo aquilo”, aponta.

Por isso a importância de pensar o consumo coletivamente. “Vai do seu entendimento se você quer se basear apenas na sua visão de moda ou se você quer criar, de alguma forma, em coletivo. Eu não posso me basear o que eu comunico na minha visão, eu pego ela e pego um pouquinho daqui e daqui e daqui…”, reflete Zé.

Sobre a Ceará Fashion Trade

Acontece até esta quinta (16), a quarta edição da feira setorial de moda que tem movimentado a cadeia produtiva dos setores têxtil e de confecção no Ceará. A Ceará Fashion Trade é apresentada pelo Sistema FIEC e pelo Sebrae/Ceará e realizada em parceria com os sindicatos industriais da moda no Ceará – Sindroupas, Sindconfecções e Sinditêxtil.

Fotos: Alex Campelo