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As histórias dos cearenses que amam o Carnaval no Rio de Janeiro

Por Redação
As histórias dos cearenses que amam o Carnaval no Rio de Janeiro
A estilista Ana Cristina Pinto (à esq.) já desfilou em escolas como Imperatriz e Beija-flor. (Foto: Reprodução/ Instagram)

Uma das mais difundidas identidades do Carnaval brasileiro, a folia carioca conquistou diversos cearenses que se apaixonaram pelos suntuosos desfiles de escolas de samba na Marquês de Sapucaí e pelos super produção dos bailes e concursos de fantasias.

A estilista cearense Ana Cristina Pinto é uma das que abraçou o Carnaval do Rio de Janeiro, por influência da mãe, que desfila há mais de 30 anos no cortejo das escolas. Hoje, ela soma seis participações em desfiles de escolas com Beija-Flor, Imperatriz, Império Serrano e União da Ilha.

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Foi o contato com o carnavalesco Marcus Ferreira – responsável pela produção de escolas como Acadêmicos da Rocinha, Estácio de Sá e Viradouro – que levou Ana à avenida.

Fantasia que Ana Cristina Pinto usou no desfile da Beija-Flor. (Foto: Reprodução/ Instagram)

“Decidi desfilar pela primeira vez em dezembro de 2015 e o Carnaval já era em fevereiro. Depois, consegui desfilar na Beija-Flor. A comissão do Carnaval confiou em mim, me passou o croqui, e, por eu ser estilista e ter experiência, ainda tive o privilégio de fazer a minha fantasia, foi um momento único. Sempre foi um sonho desfilar. Um amigo meu Marquinhos me proporcionou ser destaque na Imperatriz. Aquele lugar é mágico”, conta.

Um dos momentos inesquecíveis para a estilista foi quando ela desfilou para a Beija-Flor em 2017, ano em que a escola homenageou o escritor cearense José de Alencar. Ana Cristina passou pela avenida no carro que retratava o Theatro José de Alencar.

“Em cada carro tinha uma Iracema e eu representei uma delas. Além de ser o destaque ainda fui nesse carro, além de estar sambando eu estava me emocionando”, relembra.

Detalhes da fantasia que a estilista cearense usou em 2017, no desfile que homenageou José de Alencar. (Foto: Reprodução/ Instagram)
A alegoria em que Ana Cristina desfilou representava o Theatro José de Alencar. (Foto: Reprodução/ Instagram)

Este ano, Ana Cristina Pinto não estará na avenida, mas já iniciou os preparativos para curtir a festa carioca em 2021. A alegria do povo do Carnaval carioca é contagiante. Já recebi alguns convites, mas ainda estou decidindo para onde irei”, adianta.

Fantasias e glamour

O maquiador e cabeleireiro Gurgel do Amaral também não faz mais grandes programações para o Carnaval, mas coleciona memórias de fantasias luxuosas e bailes bem frequentados da época em que morou no Rio de Janeiro, no início da carreira.

Em registro de 1984, Gurgel do Amaral (no topo, à esq.) com as brincantes produzidas por ele. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Eu tinha entre 18 e 20 anos e ficava do lado de fora dos clubes, aproveitava até mais do que se ficasse lá dentro. Eles armavam uma passarela pra todo mundo ver as fantasias das pessoas que chegavam, era deslumbrante”, conta Gurgel.

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Super produções com pedrarias, bordados e muitas cores eram o básico, lembra o maquiador, mas o grande diferencial daquela época, conta Gurgel, era que as pessoas incorporavam os personagens dos quais estavam fantasiados. “Uma fantasia que me marcou muito foi de um Rei Midas, que ficava jogando moedas para as pessoas”, descreve.

No universo das escolas de samba, Gurgel conta que chegou a desfilar pela Salgueiro, agremiação pela qual torce até hoje. Depois da temporada no Rio, o maquiador voltou ao Ceará e ajudou a implantar, aqui, a tradição do Carnaval de rua e das escolas de samba.

“As escolas começaram a desfilar na Av. Duque de Caxias, depois foram para a Avenida da Universidade e Domingos Olímpio. Cheguei a ser homenageado por duas delas, Unidos do Pajeú e Corte do Samba”, recorda Gurgel. Os primeiros bailes de máscaras da capital cearense também foram articulados pelo maquiador, a partir do que ele tinha visto no Rio.

“O Baile Municipal de Fortaleza foi criado por mim. Aconteceu primeiro no Náutico e depois foi para o Ginásio Paulo Sarasate”, cita. Já nessa época, Gurgel se popularizou por confeccionar máscaras e fantasias para foliões daqui e de terras cariocas. “Fiz muitas fantasias para quem ia desfilar, fui um dos pioneiros disso no Ceará, bordando, inclusive”.

*Colaboraram Bruno Brandão e Jéssica Colaço

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