Cearenses contam memórias do Carnaval de clubes em Fortaleza

Por Jacqueline Nóbrega
Cearenses contam memórias do Carnaval de clubes em Fortaleza
Roberto Teixeira, Heloísa Nóbrega, Regina Fontenele, Helena Fontenele, Zeneida Nóbrega, Regina Lúcia Nóbrega e Paulo Neto no Iate Clube. (Foto: Arquivo Pessoal)

Muito brilho, glamour, fantasias elaboradas e marchinhas marcaram os bailes de Carnaval que aconteciam no clubes de Fortaleza nas décadas passadas. Eventos que reuniam personalidades da sociedade cearense, os bailes de clubes marcaram época e a memória de quem participou das festas.

Embora hoje o ciclo carnavalesco da Capital tenha ganhado outros contornos, com o fortalecimento dos blocos de rua e a distribuição de polos por toda a cidade, os relatos e fotos dos Carnavais antigos despertam curiosidade e atenção até de quem não é fã da folia.

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Cinco séries para maratonar no Carnaval

Regina Alice Corrêa é uma grande apreciadora do Carnaval, um amor que foi passado de pai para filha. “Meu pai, Raymundo Arruda, era diretor do Clube dos Diários e adorava Carnaval. Nós fomos criados indo a todas as festas, do Ideal, Náutico, Círculo Militar e Diários. Todo dia era uma fantasia diferente”.

“Tinha também o corso que o papai sempre nos levava”, acrescenta Regina Alice, se referindo ao tradicional desfile que acontecia no Centro da cidade.

Antes das festas de Carnaval em si, Regina lembra que o pai promovia uma espécie de ‘esquenta’ para a diretoria do Clube dos Diários em um terraço da casa da família. “Fazíamos bloco, era muito animado e inocente. As músicas lindas e que ainda hoje fazem sucesso. Depois as coisas foram mudando…”, pondera.

Regina ainda contou que já teve a oportunidade de ir duas vezes ao Rio de Janeiro assistir aos tradicionais desfiles das escolas de samba, além de já ter participado do Baile do Copacabana Palace. “Hoje nos limitamos a ver pela televisão, mas guardo boas recordações dos velhos carnavais”, lembra.

Regina Alice, na foto com o marido, Danísio Correia, chegou a frequentar também o Baile do Copacabana Palace. (Foto: Site MT)

‘Vida é para ser vivida’

Vera Costa é mais uma amante da folia carnavalesca. “Minha família nunca gostou de Carnaval, principalmente meus pais, mas eu sempre convencia eles falando que a vida era para ser vivida, e assim fui curtindo quase todas as festas”, relembra.

Na foto com Betinha Pessoa, Vera Costa (à esq.) costumava frequentar de clubes de Fortaleza. (Foto: Site MT)

Na Capital, ela costumava frequentar as festas do Iate Clube, Clube Líbano e Ideal Clube. “Carnaval para mim sempre foi e será motivo de muita alegria e animação com amigos queridos”, define Vera Costa.

Hoje, no entanto, ela prefere descansar em sua casa no Fortim, mas guarda com carinho as lembranças das festas de antigamente. “Tenho muitas saudades das festas de Carnaval. Hoje frequento pouco porque tenho uma casa na praia e me refugio por lá com queridos amigos. Para o Carnaval de 2020 já me organizei com uns casais maravilhosos para irmos para o meu paraíso, tendo como animação o bloco da Verinha”, adianta.

Uma festa para cada dia

Zeneida Nóbrega é outra cearense que costumava participar dos carnavais de clubes da Capital e relembra as festas com nostalgia. “A programação do Carnaval era agitada. O sábado que antecedia a folia era conhecido como ‘Magro’ e tinha festa no Náutico. Na sexta-feira de Carnaval, íamos para o Iate. No sábado de Carnaval, conhecido como ‘sábado Gordo’, íamos para o Náutico. No domingo, a festa acontecia no Clube Líbano”, lista.

A segunda-feira, lembra Zeneida, era reservada ao Country Club, enquanto a terça encerrava no Náutico. “Todo mundo terminava tomando banho de mar na praia fantasiado”, conta.

Ela conta que costumava combinar com as primas e amigas e todas usavam a mesma fantasia. “Também acompanhei a época do corso, quando morávamos no Centro da cidade. Acontecia na Avenida Dom Manuel, todo mundo ficava sentado atrás, tipo uma carreata”, recorda.

“Mas o que me marcou era descer, no último dia, para a praia, com a banda do Náutico, e as pessoas tomando banho, se despedindo do Carnaval”, conclui Zeneida.

Zeneida Nóbrega (a quarta, da esq. para dir.) combinava a fantasia com as primas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Para relembrar

Para recordar os nostálgicos carnavais de clube, o Náutico promove anualmente o tradicional Carnaval da Saudade. A edição 2020 acontece neste sábado (15), articulado pelo presidente do clube, Jardson Cruz.

O Carnaval da Saudade foi criado por Helano Studart Montenegro com a colaboração de Hariberto Xavier Onofre e aconteceu pela primeira vez em 17 de fevereiro de 1968. “O evento é a festa mais tradicional do Náutico. A 53ª edição traz um resgate da grande época dos carnavais de clube com um repertório com as marchinhas”, conta o presidente.

Esta edição do evento terá a Orquestra Brasa Seis como principal atração, além de homenagem à Beth Carvalho.

Mais memórias

Publisher do site Fortaleza Nobre, a pesquisadora e memorialista Leila Nobre compartilhou, com o Site MT, fotos dos primórdios do Carnaval fortalezense curtido em clubes tradicionais.

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