A empresária Ana Couto, CEO da agência homônima, afirmou, em entrevista exclusiva ao site MT Galeria, que o branding é baseado em um tripé formado por visão da marca, experiência e comunicação engajada.

Ana é uma das palestrantes da 12ª edição do MaxiModa, o maior seminário de comunicação, varejo e negócios do Nordeste. Durante o evento, Ana falará sobre moda, branding e como criar valor para as marcas nos tempos atuais.

O MaxiModa 2019 será realizado no Theatro RioMar Fortaleza, no dia 9 de agosto.

Formada em Design pela PUC Rio, com mestrado em Visual Communication no Pratt Institute, em Nova York, Ana Couto formou-se em 2015 no curso OPM (Owner/President Management Program), na Harvard University. Em 1993, fundou a agência Ana Couto, com a proposta de trabalhar o design como ferramenta para construir marcas fortes. Em seu currículo, acumula trabalhos para clientes como BASF, Beach Park, Buscapé Company, Caixa Seguradora, Itaú, P&G, Rio Galeão, Rosa Chá, entre outros.

Confira a entrevista

Como surgiu o seu interesse de trabalhar com a gestão e o marketing de marcas? Conte um pouco da sua trajetória profissional.

Eu nunca vi Marca como ativo visual somente, mas como um ativo intangível. Marca é cultura, é valor, é negócio, é uma visão mais holística. Sempre acreditei que Marca serve para construir valor para business. Quando se quer construir valor, você tem que medir valor. Aí entra a importância da gestão. Mesmo que um trabalho de Branding esteja estruturado, ele se perde quando entra na implementação e na execução. A construção da estratégia só é válida quando ela entra na execução e é bem implementada.

A respeito da minha trajetória, comecei a vida fazendo Design e Antropologia com uma visão de design e cultura muito juntas. Depois que me formei, fui fazer um master para me aprofundar mais em Design. Em relação ao Business, sempre fui muito empreendedora, sempre tive empresa. Desde os 15 anos, eu fazia o negócio acontecer, na época, vendendo camisetas. Acho que está um pouco no meu DNA essa veia empreendedora e artística.

Ana, você possui uma carreira de mais de 25 anos, seu trabalho iniciou em uma época em que o meio digital não era tão importante para as Marcas. Como avalia o cenário anterior e o atual?

Na realidade, o meio digital era praticamente inexistente. Eu lembro que no meu mestrado em Nova York, em 1990, fiz parte da primeira turma a trabalhar com um Mac. Então, pude acompanhar bastante essa transição. Foi uma revolução muito interessante. Eu acredito que antigamente o design era muito focado em “crafting”. Apesar de sempre ter gostado dessa parte, sempre a vi como um skill dentro de uma profissão que tinha muito mais para ser explorado. Quando chegou a era digital, o skill técnico de execução ganha mais peso sobre o skill de talento, dando uma abertura mais geral para aqueles interessados. Além disso, outro fator que influenciou muito foi a metrificação e o acesso a dados, o que se alinha bastante com a construção de valor para Marcas. Trazendo isso para o mundo VUCA, temos mais desafios e a necessidade de reforçar método e clareza. Para transitar por um mundo tão complexo, você precisa saber quem você é.

Como o comportamento do consumidor tem influenciado no trabalho de Branding das Marcas? O consumidor está mais exigente?

O consumidor, felizmente, está mais exigente. Estamos acabando a era do boom do consumo e do boom extrativista do século XX e estamos entrando em uma outra era no século XXI. Atualmente, estamos evoluindo na visão de sustentabilidade e entrando na era regenerativa. Começamos a nos olhar dentro desse planeta e entender que somos parte. Precisamos nos regenerar como pessoas e como sociedade sob uma visão mais completa e integrada do planeta. O consumidor entende que ele não é mais só um consumidor. Ele percebe que essa fronteira é líquida e que ele não possui um papel único. Somos todos consumidores, empregados, cidadãos. Assim, começamos a ver o nosso papel de forma mais holística. Estamos chegando em um nível de consciência mais elevado, o que traz mais clareza para o que queremos. Não se pode mais estar em uma empresa ou consumir uma Marca que você não percebe valor. 

Qual a importância de alinhar estratégias de Branding para fortalecer o relacionamento da Marca com o mercado?

Atualmente, estamos na era do serviço, não mais na era industrial. Estamos na era dos relacionamentos e, nela, temos três pontos muitos importantes para o Branding: o papel da Marca, que é o relacionamento que ela estabelece com o mundo em torno de sua visão; o papel da experiência, que tem a ver com o serviço e a experiência em si que a Marca te proporciona; e o papel da comunicação, que é a forma que a Marca se comunica e se conecta com as pessoas. O Branding, hoje em dia, é baseado nesse tripé: qual a visão de mundo da Marca, qual a experiência que ela traz como serviço/produto e como a comunicação engaja. O trabalho de Branding deve maximizar esse alinhamento entre Marca, Negócio e Comunicação para gerar valor.  

Como a tecnologia e as redes sociais auxiliam no relacionamento entre moda e cliente?

Moda é uma forma de expressão pessoal, desde o cocar vermelho do índio, que representa poder, até o espartilho de uma mulher. Moda sempre caminhou como uma expressão do tempo, da cultura e, hoje em dia, isso permanece, reforçando a individualidade e os grupos. A tecnologia, por outro lado, ajuda as Marcas a segmentarem e a se conectarem com esses grupos, permitindo criarmos redes sociais pautadas por afinidades, interesses e gostos. A moda, ao reunir e se conectar com esses grupos, consegue estabelecer uma comunicação mais rápida e clara.

Para você, qual a importância de eventos como MaxiModa, que se lançam no desafio de discutir o business da moda no país?

Os eventos em si vêm tomando proporções muito grandes no mundo inteiro, desde o SXSW e o Web Summit, até o mais locais. Atualmente, as pessoas estão cada vez mais ligadas em tendências e possuem um acesso à informação ilimitado. Então, é necessário criarmos encontros para conversar e compartilhar visões. Esses eventos tornam-se um momento importante para reunir pessoas e compartilhar conhecimento. E é uma tendência para o século XXI, de não sairmos mais da sala de aprendizado. Eventos como esse são uma ótima oportunidade para aprender algo, trocar ideias e evoluir.

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