Márcia Travessoni – Eventos, Lifestyle, Moda, Viagens e mais

Entre em contato conosco!

Anuncie no site

Comercial:

[email protected]
Telefone: +55 (85) 3242 0333

Shein: veja os prós e contras de comprar na plataforma ultra fast fashion

20 maio 2022 | Moda

Por Tainã Maciel

Apesar do sucesso do site com peças acessíveis e modelagens diversas, fashionistas acusam a empresa de mal remuneração da mão de obra, além da falta de responsabilidade ambiental

O grupo musical The Future X participou de uma campanha da plataforma de moda chinesa (Foto: Divulgação)

Looks super coloridos e estampas com ilusão de ótica. Não é difícil identificar as tendências que estão fazendo a cabeça dos jovens atualmente, basta dar uma olhada no TikTok — entre uma dancinha e uma receita. Reflexo da era pós-isolamento, o digital estreitou a relação com o universo da moda e, por meio dessa brecha, uma plataforma de compras chinesa se tornou um império global: a soberana Shein. Porém, apesar do sucesso do site com peças acessíveis e modelagens diversas, fashionistas acusam a empresa de mal remuneração da mão de obra, além da falta de responsabilidade ambiental. Confira os prós e contras de comprar na Shein.

LEIA MAIS >> Comprou na Shein? Saiba como não ser taxado na alfândega

Shein abre loja física no Brasil com experiência de compra diferente

Novo padrão de consumo

Antes de mergulhar nos principais questionamentos que rodeiam a Shein, é necessário reconhecer o impacto e pioneirismo da empresa. A criação de Chris Xu, especialista em otimização de mecanismos de busca, possui clientes em 150 países e US$ 11 bilhões em vendas anuais. Sediada em Nanjing, na China, a Shein agora é mais valiosa do que a Zara e a H&M juntas, suas maiores concorrentes de fast fashion. Aliás, ela é uma das pioneiras de um novo padrão de consumo, chamado de ultra fast fashion.

Chris Xu é CEO e fundador da Shein (Foto: Divulgação)

O modelo de negócios é baseado na previsão de tendências de moda rápida em tempo real, fabricação verticalmente integrada, marketing viral por meio de influenciadores de mídia social e uma rede de logística que ignora navios de contêineres e caminhões. O fast fashion na era digital.

Site da Shein (Foto: Reprodução)

A empresa usa algoritmos que rastreiam a atividade de navegação no TikTok, no Instagram, no Google e em outras plataformas digitais. Esta informação é transformada em roupas de tendência de produção limitada em cerca de três dias. Os itens são então comercializados online e por milhares de influenciadores baseados em comissões. O próprio aplicativo é super atrativo e usa estratégias para prender a atenção, como acúmulo de pontos. Assim, os clientes recebem vestidos, blusas e brincos em poucos dias pelo correio.

Barato, mas a que custo?

Segundo a professora universitária, escritora e consultora de Imagem e Estilo, Renata Santiago, a velocidade da produção da plataforma e o preço de banana conquistam os clientes, mas é preciso avaliar os fatores que tornam esse modelo possível. “A rapidez é o grande trunfo da Shein. Eles usam o algoritmo para produzir exatamente o que as pessoas estão pesquisando numa velocidade muito rápida, porque não têm fábrica própria e utilizam muita mão de obra com condição precária. É dessa forma que a empresa consegue fazer um produto com o preço bem acessível”, comenta.

Além disso, Renata aponta que a plataforma não trabalha com inovação e foca na reprodutibilidade de peças. “A Shein não é como as outras empresas de fast fashion que produzem peças parecidas. Ela faz cópias idênticas, sem nenhuma preocupação com o design ou com responsabilidade ambiental, social, econômica e consumo consciente”, diz a professora.

À esquerda, uma blazer da Shein, ao lado, uma peça da Zara (Foto: Reprodução/Instagram)

“A plataforma mostra um valor muito forte na sociedade contemporânea: a aceleração social. Hoje, as pessoas vivem na internet. Acredito que essa ideia dos valores de trabalho deve ser muito avaliado e é algo que eu prezo bastante, mas devemos observar que na prática as pessoas continuam valorizando muito mais uma peça barata e que tem uma informação de tendência do que uma peça que tem um valor altíssimo agregado de criação, de sustentabilidade e de respeito a mão de obra”, explica.

Moda democrática

Apesar das críticas, a plataforma chinesa avança não apenas por comercializar peças baratas, mas por vestir corpos diversos. “A Shein tem conquistado muitos consumidores no Brasil, e no mundo, tanto pela variedade, quanto pela acessibilidade de tamanho. Ela tem trabalhado com a grade bem maior ou bem menor do que as marcas “tradicionais”, o que traz a questão de democratização dos corpos e abrange um público que não era atendido”, lembra Renata.

Vestido comercializado no site da Shein (Foto: Divulgação)

“Muitas pessoas falam ‘eu quero comprar uma peça sustentável e com design bacana, mas não consigo porque é um valor muito alto’ e a Shein vem com a tendência e entrega um produto rápido com qualidade compatível ao preço que a pessoa pagou. O cliente se sente contemplado e acolhido, algo que a maioria das marcas continuam sem fazer, sem valorizar todos os tipos de corpos ou fazendo isso como uma espécie de fachada”, reflete a professora universitária.

@noiaugusto O plus size masculino da shein ta me surpreendendo muito positivamente na variedade, qualidade e tamanho #shein #sheinplus #sheinhaul #plussizemasculino #plussize #modaplus #modaplussize ♬ Notion – The Rare Occasions

Então, a Shein contribui para uma moda mais acessível? De acordo com Renata Santiago, não é bem assim. “Se definirmos a moda como um espírito dos tempos e a representação imagética na estética do que está nos atravessando agora, o advento da Shein reflete muito a nossa filosofia. Eles conseguem captar a lógica da interação com os adolescentes que são as pessoas que ditam as tendências. Neste sentido, está mais acessível, mas me questiono sobre a consciência desse consumo às vezes irresponsável. Quem está pagando por essa acessibilidade? A questão é muito complexa”, pontua.

Publicidade

VEJA TAMBÉM

Publicidade

PUBLICIDADE