Capacete de respiração assistida desenvolvido no Ceará começa a ser testado em hospital

Por Jacqueline Nóbrega
Capacete de respiração assistida desenvolvido no Ceará começa a ser testado em hospital
O Elmo prevê a utilização de um mecanismo de respiração artificial não-invasivo, sem necessidade do paciente ser intubado Foto: Viktor Braga/UFC

O capacete de respiração assistida que recebeu o nome de Elmo, desenvolvido no Ceará por meio de parceria público-privada, já começou a ser testado por voluntários internados no Hospital Leonardo da Vinci, na Capital. A primeira pessoa a usar o item foi uma paciente idosa de 77 anos, no último dia 23 de junho. Ela apresentava insuficiência respiratória e o uso do capacete foi efetivo. Nos primeiros minutos, a saturação da paciente aumentou de 90 para 96 a 97%.

O capacete prevê a utilização de um mecanismo de respiração artificial não-invasivo, sem necessidade do paciente ser intubado. Durante os testes clínicos, 10 protótipos do equipamento serão utilizados em pelo menos 12 pacientes voluntários, com o objetivo de aferir a eficácia no que diz respeito à oxigenação e usabilidade, além de identificar possíveis efeitos colaterais. Os testes seguem ao longo dos próximos dias, configurando-se como a última etapa do processo de testagem, um dos requisitos exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a produção em escala industrial.

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Desenvolvimento

Durou menos de três meses o processo de desenvolvimento e os testes do Elmo em pacientes diagnosticados com Covid-19. A inspiração para o desenvolvimento do acessório foi a experiência de médicos italianos que estão usando máscaras de mergulho no tratamento de pacientes a doença e no uso de capacetes hiperbáricos, utilizados em doenças de descompressão, que também estão sendo uma alternativa tanto em países da Europa como nos Estados Unidos. A versão cearense do capacete de respiração assistida se diferencia dos equipamentos similares principalmente por envolver tecnologias, processos e materiais todos disponíveis no Estados, tornando desnecessária a importação de insumos em meio à pandemia.

A empresa Esmaltec foi a responsável por iniciar o planejamento de produção dos capacetes e o colocará em prática após autorização da Anvisa, de acordo com professor Vasco Furtado, diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Universidade de Fortaleza.

Vale reforçar que o projeto envolveu esforços do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Saúde (Sesa), Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE) e Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), além da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Ceará), Universidade de Fortaleza (Unifor), Universidade Federal do Ceará (UFC) e da empresa Esmaltec, do Grupo Edson Queiroz.

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